Com uma linguagem febril e alucinada, o autor reúne personagens à deriva, homens fraturados, corpos famintos de sentido e a falta dele, pensadores das ruínas, filósofos do lixo. São cronistas involuntários da decadência urbana, sobreviventes afetivos da miséria simbólica, amantes desastrosos e profetas do absurdo cotidiano. Cada conto é uma descarga, literária, física ou espiritual. Aqui, ninguém se salva. Nem você, leitor. Mas talvez seja exatamente essa a proposta, ler até o fundo, rasgar o verniz da civilização, sentir o mofo e a febre escorrendo pelas entrelinhas. E, no fim, reconhecer que estamos todos, de algum modo, enterrados neste mesmo escombro.