Vivemos hoje na chamada "sociedade do terapismo". Frustrações, angústias, medos e dores existenciais são frequentemente tratados como patologias, quando na verdade fazem parte do que significa ser humano. Este livro propõe um reencontro com a filosofia como cuidado da alma – aspecto essencial das escolas filosóficas da Antiguidade. Em diálogo com Sócrates, Epicuro, Sêneca, Montaigne e Nietzsche, o autor convida à reflexão sobre temas como o desejo, a morte, a amizade e o sentido da vida. Uma leitura acessível e profunda, que resgata uma antiga missão da consolar e orientar diante dos desafios de nossa existência.
O livro provoca reflexões sobre a dor e sua relação com a patologia, questionando se toda experiência dolorosa deve ser tratada como um problema de saúde. O autor explora temas fundamentais da existência humana, como a vida, a morte, a felicidade e o desejo, estabelecendo diálogos com filósofos antigos e contemporâneos. Ele defende que a filosofia não deve apenas interpretar o mundo, mas também orientar nossas vidas em busca de satisfação e felicidade, propondo a filosofia como uma prática terapêutica que pode oferecer alívio e compreensão das angústias humanas. Ataide critica a medicalização excessiva e sugere que, em vez de buscar um psiquiatra, as pessoas deveriam procurar filósofos para entender melhor o sentido da vida. O autor destaca a importância da reflexão e do diálogo interno, enfatizando que a ansiedade e a depressão são fenômenos contemporâneos que surgem da falta de autocompreensão. Ele menciona a relevância do estoicismo e do hedonismo, apresentando diferentes abordagens filosóficas que ajudam a lidar com a dor e a aceitação das perdas. A obra também critica a dinâmica produtivista da sociedade atual, que leva as pessoas a negarem suas dores em busca de soluções imediatas. Ataide sugere que a prática de anotar, ler e escrever é fundamental para o autoconhecimento e para enfrentar as questões existenciais, estabelecendo um elo entre a filosofia e a vida cotidiana. A interpretação de textos filosóficos é única para cada leitor, e essa diversidade de entendimentos enriquece o diálogo. Ao citar Montaigne e Sócrates, Ataide enfatiza a importância de ter a morte em mente como um meio de viver plenamente. Montaigne sugere que a filosofia é um aprendizado sobre a morte, destacando a separação entre corpo e mente que ocorre na reflexão filosófica e a necessidade de superar o medo da mortalidade. Essa abordagem filosófica é apresentada como uma alternativa à medicalização das dores existenciais, propondo que a filosofia pode oferecer um entendimento mais profundo das experiências humanas. A amizade é outro tema central, onde Ataide se refere a Aristóteles e à construção de vínculos desde a infância. Ele argumenta que a amizade virtuosa é essencial e que, na contemporaneidade, é necessário resgatar a verdadeira essência das relações, muitas vezes distorcidas. O autor sugere que os filósofos podem ser vistos como amigos, proporcionando um espaço para reflexão e aprendizado. A obra também critica a tendência moderna de se afastar das questões existenciais em favor de abstrações, ressaltando que a filosofia deve abordar temas como felicidade, amor e o sentido da vida. Ataide diferencia entre planejamento e sentido de vida, alertando que a mera organização de objetivos não confere significado à existência. Ele menciona a somatização de problemas emocionais e propõe a prática da escrita como um exercício terapêutico, incentivando as pessoas a registrarem suas experiências e reflexões. A referência a Nietzsche e o conceito de autossuperação são destacados como chaves para enfrentar dificuldades e buscar melhorias contínuas na vida. A obra se opõe à superficialidade dos livros de autoajuda, defendendo que a filosofia deve ser uma busca pela essência e não uma receita pronta para a felicidade. A crítica se estende à noção de valores, questionando o que é considerado justo ou válido na realidade material que enfrentamos, promovendo uma reflexão crítica e profunda sobre a vida e suas complexidades. A obra de Glauber Ataide é repleta de reflexões produtivas e instigantes, que convidam o leitor a revisitar suas ideias e a se engajar em um diálogo filosófico profundo. O autor apresenta uma multiplicidade de vozes que enriquecem a discussão, tornando a leitura não apenas agradável, mas também transformadora. A honestidade intelectual de Ataide é destacada como um aspecto admirável, incentivando aqueles que estão no meio acadêmico a buscar uma conexão entre teoria e prática social, essencial para promover mudanças significativas na sociedade. A crítica ao sistema vigente é uma das chaves para entender a proposta do autor, que busca não apenas analisar, mas também oferecer caminhos para uma evolução social, econômica e cultural.
A obra, aos iniciados ao pensamento sistemático que é a filosofia, é um lembrete. Aos não iniciados, é um lembrete e um convite a pensar com mais seriedade.
O lembrete não é um lembrete qualquer, é algo acompanhado de tudo aquilo que um sábio amigo têm anotado e refletido durante sua existência e na existência de seus amigos filósofos. É um conselho de quem afirmou a responsabilidade sobre a própria vida e te convida a fazer o mesmo; não por qualquer pretensão além de que ele realmente acredita que é o certo a se fazer. O certo é poder afirmar esta vida com todas as palavras, de todo o pulmão, de toda a sinceridade, sem omissão alguma.
Sobre a escrita, talvez eu seja suspeito pois acompanho os podcasts do autor há um tempo, mas posso afirmar que é difícil de parar de ler, não há enrolação alguma e ao passo que explica o conteúdo, também instiga a aprender mais sobre o tema.
Recomendo fortemente para todos que buscam uma forma filosófica de entender os principais problemas (são mesmo problemas?) acerca do viver e da vida.