Qual é a distância do silêncio entre um pai e um filho, separados por tantas palavras que morrem no abismo? O pai, já quase morto ao nascer durante a Segunda Grande Guerra Mundial, em território invadido pelos japoneses na China, segue para a gélida ilha de Hokkaido após a derrota. Com um novo fracasso, os Kondo partem para o outro lado do mundo. O filho, nascido no Brasil, busca a identidade do pai. Os fragmentos da memória paterna compõem um quase diálogo, que só pode ser completado por lembranças do passado. Enquanto o Câncer entra na guerra contra o octogenário e cansado pai, o filho tenta se unir a ele, na esperança de que consigam vencer ao menos uma batalha juntos, em uma comovente tentativa de reconciliação.
A obra vencedora do Prêmio Jabuti também recebeu o Prêmio João do Rio, da União Brasileira de Escritores - RJ e foi selecionado pelo Programa de Ação Cultural do Governo de São Paulo.
O Silêncio de Kazuki é um livro pequeno, mas profundo no que propõe. Com uma escrita delicada e muito bem construída, a obra mergulha na relação entre pai e filho, marcados por trajetórias de vida bastante distintas. O pai, imigrante japonês, carrega uma história dura, de silêncios e amadurecimento precoce; o filho tenta compreender esse homem que ama, mas que nem sempre soube ou conseguiu dizer.
A narrativa se constrói em pequenas histórias, quase fragmentos, que se entrelaçam durante um tratamento oncológico do pai e funcionam como fios de memória, afeto, mágoas e ausência. O grande impacto do livro está justamente no que não é dito: nos silêncios, nas pausas e nas frases que convidam à reflexão. É um livro bonito e sensível.
Livro premiado pelo Jabuti 2025, que me emocionou profundamente, é sobre um pai, imigrante japonês, que demonstra seu amor não com palavras, mas com atos de serviços. Uma linda lição sobre como o afeto pode ser encontrado no silêncio e nas ações do cotidiano. Leiam, vale muito a pena!