Sendo o romance que inaugura a terceira fase da obra literária de Abel Botelho, depois de Mulheres da Beira e fora da série Patologia Social, não deixa de comungar dos mesmos propósitos de descrição das patologias morais e sexuais da sociedade portuguesa que norteiam os seus predecessores. Abel Botelho coloca em cena um oficial do exército que, apesar de noivo da filha de um oficial de Lamego, estabelece uma ligação com uma atriz da capital, de quem tem um filho, debatendo-se depois na indecisão entre as duas mulheres.
ABEL BOTELHO nasceu em Tabuaço, a 23 de Setembro de 1856. Oficial do Exército, deputado republicano, senador, académico e diplomata, romancista e dramaturgo, a sua obra literária situa-se na encruzilhada do naturalismo e decadentismo e pode, a esse título, considerar-se exemplar. Entre 1891 e 1910 publicou, sob a designação genérica de «Patologia Social» cinco romances – O Barão de Lavos, O Livro de Alda, Amanhã, Fatal Dilema e Próspero Fortuna –, que ainda hoje surpreendem pela ousadia dos temas abordados e pela solidez da construção. Por sua vez, nos contos de Mulheres da Beira (1898) encontram-se algumas das melhores páginas do naturalismo rural português. Usou, como poeta e dramaturgo, o pseudónimo de Abel Acácio. Faleceu a 24 de Abril de 1917.