Uma obra corajosa escrita por uma das filósofas mais conhecidas do Brasil
Neste livro incisivo, a filósofa Marcia Tiburi desvela o caráter estrutural do ódio às mulheres na sociedade patriarcal. Com rigor filosófico e arsenal iconográfico, Tiburi articula conceitos provenientes de diversas áreas, como filosofia, antropologia e psicanálise, analisando a violência que atinge os corpos visados pela máquina feminicida, decifrada pela autora sem concessões.
Nessa proposta reflexiva, a violência misógina não é pura aberraçã a matança de corpos femininos é projeto e programa do mundo codificado masculinista.
A autora apresenta o patriarcado como um sistema "total", que avança na forma de capitalismo, neoliberalismo e fascismo. As lutas feministas que implicam a consciência das mulheres sobre sua condição, visando devolver sua biografia e seus corpos a elas mesmas, apresentam-se como resistência e superação desse sistema em guerra contra as mulheres e a vida.
Márcia Angelita Tiburi (Vacaria, 6 de abril de 1970) é uma artista plástica, professora de Filosofia e escritora brasileira.
Graduada em filosofia, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1990), e em artes plásticas, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996); mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1994) e doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1999) com ênfase em Filosofia Contemporânea. Seus principais temas são ética, estética e filosofia do conhecimento.
Publicou livros de filosofia, entre eles a antologia As Mulheres e a Filosofia e O Corpo Torturado, além de Uma outra história da razão. Pela editora Escritos, publicou, em co-autoria, Diálogo sobre o Corpo, em 2004, e individualmente Filosofia Cinza - a melancolia e o corpo nas dobras da escrita. Em 2005 publicou Metamorfoses do Conceito e o primeiro romance da série Trilogia Íntima, Magnólia, que foi finalista do Prêmio Jabuti em 2006. No mesmo ano lançou o segundo volume A Mulher de Costas. Escreve também para jornais e revistas especializados, assim como para a grande imprensa. Márcia Tiburi também se apresentava, semanalmente, no programa de televisão Saia Justa, do canal por assinatura GNT. Em 2012 publica o romance Era Meu esse Rosto pela Editora Record e os livros Diálogo/Dança eDiálogo/Fotografia pela editora do SENAC-SP.
É professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Os livros da Márcia Tiburi me atraem bastante, mas quase sempre depois de eu tê-los lido, parece que pouca coisa me tocou. Não sei se é a forma como ela escreve, que é bastante prolixa, ou se são as referências utilizadas e a forma como elas são utilizadas. A mania de usar neologismos para tudo me incomoda um pouco também e o fato de os capítulos dos livros não estarem realmente integrados um com o outro também. Neste livro, que promete contar a história do ódio das mulheres, não temos nem um exercício historiográfico nem um estudo que compara a história com as atrocidades de gênero que temos nestes dias que correm. A coisa começa a ficar mais interessante neste livro depois do caderno de imagens, em que pouco são referenciadas ou estudadas. Na última parte do livro, Tiburi fala das mortes de mulheres como Branca de Neve, Gradiva, Antígona, Ofélia, Diadorim, entre outras, mas não parece que chega a algum lugar ou a alguma conclusão maior, a mesma sensação que os outros livros dela que li me passaram.