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Eu Hei-de Amar uma Pedra

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Um homem examina antigas fotografias de família e se recorda do tempo passado. De quando era criança, de um primo de partida para os Estados Unidos, de um fotógrafo no estúdio a ajustá-lo no colo da mãe, do farmacêutico pesando-o numa balança. Recorda-se, aos poucos, do que ocorreu desde então.

Mas há outras lembranças mais profundas e dolorosas: um amor impossível, interrompido na juventude e restabelecido décadas mais tarde, quando o casal se reencontra casualmente na rua. Ele, já na faixa dos 50 anos, havia se casado, tido duas filhas, mas não se esquecera daquela mulher. Os dois, então, voltam a se encontrar clandestinamente numa pensão de baixa reputação em Lisboa.

Em Eu Hei-de Amar uma Pedra, António Lobo Antunes apre-senta um texto radical e inovador, como poucas vezes se viu na literatura contemporânea. Numa história em que passado e presente se fundem, acontecimentos paralelos à vida do protagonista são narrados por personagens que giram em torno dele: suas duas filhas, sua mulher, a amante e um médico. Juntas, essas narrativas compõem uma visão multifacetada e rica dos acontecimentos, na qual passado e presente se fundem num constante fluxo de pensamento.

Na ocasião do lançamento de Eu Hei-de Amar uma Pedra, em 2004, Lobo Antunes falou ao jornal português Diário de Notícias sobre o tema que permeia este romance: o amor.

Ele explicou que, embora o título Eu Hei-de Amar uma Pedra venha de uma cantiga popular, diz respeito também às impossibilidades do amor. "Não sei russo, mas quando dizem que Pushkin empregava a palavra carne e sentia-se o gosto da palavra carne na boca, isso tem a ver com as palavras que se põem antes e depois. É a mesma coisa que amor. Os substantivos abstratos são perigosos", revela.

Sobre a fotografia, ponto de partida deste seu romance, Lobo Antunes diz que vive com ela numa relação conturbada. "Conheci pessoas rodeadas de fotografias antigas. Perguntava quem eram aquelas pessoas, diziam-me ser o trisavô, todas pessoas mortas. Eu pensava: como podem estar mortas se olham para mim desta maneira, como se me conhecessem? Tinha a sensação de que as pessoas daquelas fotografias me compreendiam melhor do que as vivas. Naquelas fotografias amarelas subsistia a vida, o olhar. Na capacidade de transmissão de emoções e vivências, a fotografia sempre me fascinou. Nunca tirei uma fotografia, falta-me esse talento".

560 pages, Paperback

First published October 1, 2004

8 people are currently reading
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About the author

António Lobo Antunes

88 books1,045 followers
At the age of seven, António Lobo Antunes decided to be a writer but when he was 16, his father sent him to medical school - he is a psychiatrist. During this time he never stopped writing.
By the end of his education he had to join the Army, to take part in the war in Angola, from 1970 to 1973. It was there, in a military hospital, that he gained interest for the subjects of death and the other. The Angolan war for independence later became subject to many of his novels. He worked many months in Germany and Belgium.

In 1979, Lobo Antunes published his first novel - Memória de Elefante (Elephant's Memory), where he told the story of his separation. Due to the success of his first novel, Lobo Antunes decided to devote his evenings to writing. He has been practicing psychiatry all the time, though, mainly at the outpatient's unit at the Hospital Miguel Bombarda of Lisbon.

His style is considered to be very dense, heavily influenced by William Faulkner, James Joyce and Louis-Ferdinand Céline.
He has an extensive work, translated into several languages. Among the many awards he has received so far, in 2007 he received the Camões Award, the most prestigious Portuguese literary award.

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Displaying 1 - 13 of 13 reviews
Profile Image for Ana.
753 reviews114 followers
July 20, 2020
Este era um dos livros que tinha há mais tempo na minha pilha TBR, lembro-me de o ter comprado depois de ler uma crítica (já não me lembro onde) que dizia qualquer coisa do género “se este ano só comprar um livro, escolha este”. Como na altura andava entusiasmada com as crónicas do ALA e tinha gostado dos poucos livros dele que tinha lido, foi isso mesmo que fiz, não dando grande importância à minha mãe que, fã de toda a vida, vinha há tempos a dizer que “o homem está a amalucar”. E tenho que lhe dar razão.

O que vale, é que continua a escrever muito bem e este livro, que conta uma lindíssima história de amor, é a prova disso. Ainda assim, vi-me grega para sobreviver a estas 600 páginas, cheias de avanços e recuos, pensamentos cruzados e repetidos.

Entrar dentro da cabeça dos vários personagens e ler os seus pensamentos, por vezes desconexos e bizarros, é uma experiência desconcertante e exasperante, por vezes a raiar a insanidade. Quando cheguei ao fim, senti-me cansada, e aliviada, por ter sobrevivido sem sequelas mentais (muahahah).
Profile Image for Nuno.
87 reviews32 followers
October 8, 2022
Depois de ter lido apenas " Memória de Elefante " do autor o que é manifestanente pouco para uma obra já tão extensa. Avancei para a leitura deste livro por sugestão do meu clube de leitura. Confesso que a experiência foi um grande desafio. O principal para mim foi a narrativa muito fragmentada. Um autor que como ouvi dizer " utiliza o enredo como um cabide, onde vai pendurando conforme quer a sua bela escrita ". Para mim o livro vale por essa bela escrita. Existem passagens com pensamentos profundos e geniais, com metáforas muito bem conseguidas. Fui assim virando página sobre página e são quase 500, desta chamada narrativa por " Fluxo de consciência" tentando montar o verdadeiro puzzle que é o enredo deste livro. Gostei mais de " Memória de Elefante " e fiquei agora curioso por ler " As Naus " mas isso fica para 2023 😊.
Profile Image for R.
42 reviews
February 6, 2019
É muito bem escrito, mas demasiado difícil de entender. Ler deve ser um prazer, não um suplício. Vale, ainda assim, pela escrita extremamente bela, única e artística.
Profile Image for Bruno Mestre.
12 reviews1 follower
February 4, 2017
Trata-se de um livro que analisa as vidas paralelas de duas personagens, oriundas de meios sociais distintos que se encontram em Lisboa na juventude e mais tarde se cruzam já na terceira idade. O livro encontra-se estruturado em três partes distintas (intituladas fotografias-encontros-consultas), na qual cada fotografia, encontro e consulta serve de «mote» para a narrativa.

Redigido no estilo característico de Lobo Antunes, com frases cortadas, mudanças frequentes de narrador, por vezes de um parágrafo para o outro, recheado de analepses e prolepses, reiteração de uma frase curta e marcante em cada capítulo, como que a marcar o ritmo de leitura, não é - de todo - uma leitura fácil ou evidente. Por outro lado, os temas abordados - amor, traição, pobreza, prostituição, todo um leque de fraquezas morais do ser humano, tendo como pano de fundo a zona da Graça em Lisboa - poderá deixar o leitor desconfortável com a forma crua de abordagem de realidades sociais. De alguma maneira lembra-me muito James Joyce.

Atrever-me-ia a dizer que se trata de um livro apenas para apreciadores de literatura e que se encontrem dispostos a abraçar um desafio de fôlego. Todavia, a linguagem composta por frases curtas, marcantes, directas, brutais, assim como o enredo denso e os temas tratados, tornam o livro uma leitura empolgante e profundamente envolvente. Apenas a salientar a dificuldade em acompanhar o desenvolvimento do enredo, atentas as mudanças de narrador e de tempo cronológico acima assinaladas. Todavia, não deixo de recomendar a leitura com a ressalva de que se trata de um desafio literário.
Profile Image for Babete.
1,953 reviews12 followers
Want to read
March 4, 2011
Já tentei 1 vez mas não passei da pág. 10, fica a aguardar por melhores dias!
Profile Image for Ana.
26 reviews3 followers
January 26, 2014
"...(continua a surpreender-me o número de recordações que se podem pendurar lado a lado no fio de uma lágrima)"
A história deste livro é a conhecida nas sinopses: a de um amor de juventude, interrompido, e retomado na maturidade, paralelamente ao casamento dele. Mas, isso é muito redutor para 616 páginas...: não é a história, é a história deles os dois e de personagens com que se cruzam, completamente desnecessárias à história. Cruzam-se infâncias dele, das filhas, do genro, vidas do médico da senhora com quem ele tem o caso (não me parece correcto chamar-lhe “amante”, não se encaixa no estilo da pessoa). Servem para isso, as 616 páginas. Cada capítulo é um relato, contado à vez por diferentes personagens, agrupados em 4 capítulos: fotografias, consultas, visitas e narrativas. O problema é que, muitas vezes, está-se demasiado tempo sem entender quem é o narrador, de quem ou do quê ele está a falar. Na escrita de António Lobo Antunes os objectos também falam, têm vida, aparecem no meio dos relatos. Parece que toda essa dança tem significado, mas a mim pareceu-me que essa passagem da mensagem ficou na cabeça dele, ele nem se preocupou em clarificá-la, ficou como que as memórias de um velho, ou dele mesmo, a pairar, sem pousar.
Chamar-lhe-ia uma escrita sensível, por parecer vir directamente de um pensamento, e sabemos que os nossos pensamentos são incontrolados, vão deste para aquele assunto, com ligações que lhe são próprias, com vida própria. É isso que me parece a escrita: desconexa, mas humana, real, existe aquele tipo de “raciocínio” em cada um de nós. De qualquer forma, não é por essa razão que leio: não é para ver se consigo entender o autor, não é suposto ser um desafio tão grande, andar atrás de indícios como se de um detective se tratasse, sempre em esforço. Houve centenas de páginas, nomeadamente nas visitas, e nas consultas também, em que eu não entendi nada, simplesmente passei as páginas. Demasiado difícil de entender. Não, não fiquei fã.
Profile Image for Margarida Magalhães.
91 reviews1 follower
February 6, 2022
Um livro repleto de personagens complexas que acima de tudo precisam de amor e tentam encontrá-lo, algumas não da melhor forma. São vidas completas, cheias de episódios entrelaçados, que o Lobo Antunes entrelaça ainda mais, misturando situações, recordações, sentimentos e traumas. Vidas comuns com uma profundidade e ansiedade viciante.
O livro é um desafio pela descoberta das personagens mas acima de tudo pela forma como está escrito.
Lobo Antunes troca de narrador dentro da mesma frase, num dos capítulos só na quinta página descobri quem era o narrador, os diálogos estão misturados com pensamentos e as histórias não têm seguimento cronológico.

http://os-livros-que-li.blogspot.pt/2...
Profile Image for Filipa.
4 reviews
Read
September 14, 2010
Muito bom, adoro a maneira que escreve... mas é preciso ler no momento certo...
136 reviews4 followers
July 22, 2011
Uma belíssima história! Foi o primeiro livro que li, do Lobo Antunes.
Displaying 1 - 13 of 13 reviews

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