Marta sempre acreditou que podia controlar tudo — até perceber que alguns caminhos, mesmo os não escolhidos, continuam a viver dentro de nós. Entre reencontros inesperados, noites de riso e memórias que teimam em não desaparecer, Marta é forçada a confrontar os seus «e se’s» — e a descobrir que, às vezes, é nas metades estilhaçadas que nos encontramos completos.
Uma história sobre amores que moldam, caminhos que redefinem e a coragem de aceitar o que ficou por viver.
TÂNIA SILVA BORGES nasceu em Lisboa e é apaixonada por palavras desde que se lembra. Depois de uma carreira em Design de Interiores e uma viragem para a Educação Perinatal, percebeu que a escrita era o seu verdadeiro lar. É autora do projeto Pé Descalço. Metades de Mim é o seu primeiro romance - um mergulho íntimo nos caminhos vividos e nos que ficaram por viver. Mãe de dois meninos, acredita no poder das histórias, no vinho partilhado e nos brigadeiros como combustível da alma.
Tânia Silva Borges é uma nova autora portuguesa. A primeira coisa que me chamou a atenção no seu livro foi a qualidade da escrita. Madura e cuidada, não parece um primeiro livro...
Fiquei agradavelmente surpreendida desde a primeira página, que me cativou para as personagens e para a sua narrativa.
Aqui iremos conhecer Marta, uma mulher como tantas outras, que vive actualmente um divórcio. Um evento tão impactante coloca tudo em causa, as opções actuais e as passadas. E é isso que Marta faz constantemente. Mas não é só a relação agora terminada que a incomoda, ela vai mais atrás na sua vida e coloca em causa todas as suas escolhas.
Os eternos "e ses" da vida. Sempre que tomamos uma decisão, com ela vem a dúvida do que teria sido o percurso caso a escolha recaísse noutra opção.
Para a ajudar a desembrulhar o cérebro, Marta conta sempre com Raquel, aquela amiga meio louca, que nunca falha e que a conhece como ninguém, tocando na ferida quando é preciso, mas sempre atenta aos sinais e pronta para ajudar (adorei esta personagem!).
Temos aqui um livro sobre escolhas, sobre reflexões e sobre o peso das decisões.
Na minha opinião o livro tem apenas um ponto que quebrou um pouco o ritmo de leitura. A Marta recorda regularmente o passado (quem não?), no entanto, a opção que a autora escolheu para estas viagens ao passado foram sempre utilizando o mesmo registo. A Marta chega a um local ou depara-se com determinada situação e relembra algo. Na verdade é assim que nos acontece, associamos locais e situações a memórias passadas, mas em termos de literatura, senti que havia aqui uma repetição do recurso que acabei por achar um pouco cansativo.
Nada que tire qualidade à história e à escrita de que gostei muito. Espero sinceramente que seja o primeiro de muitos livros da autora! Cá estarei para os ler!
A cada meia dúzia de páginas perdia-me completamente em divagações e suposições. A cada reflexão da Marta, perdia-me nas minhas.
Todos nós temos algo que ficou por fazer, por dizer, por concretizar. O tempo que dispensamos ou não a ponderar opções difere entre nós, mas todos nós o fazemos em algum momento.
E este livro levou-me a ponderar, a sentir, a pôr em perspetiva.
Li a segunda parte do epílogo sempre arrepiada e com um frio na barriga. Quase como se tivesse lido o livro em apneia à espera deste desfecho.
Ah! E a Marta, que tanto tem dado que falar... para mim, a Marta tem um ritmo diferente, vê diferente, sente diferente, e está tudo bem.
Este é um romance bastante diferente do que vemos por aí. Marta é uma mulher bastante melancólica, que está sempre a remoer no passado. Somos transportados para dentro da cabeça dela e, sinceramente, senti que na primeira metade do livro, nada avançava, ela estava estagnada e nós também. Acho que a autora fez isso com o propósito nos fazer sentir aquilo pelo que a própria personagem estava a passar, presa nos seus "e se...", agarrada a um passado que não a deixada estar verdadeiramente presente em nenhuma das situações que vivia, constantemente sugada pelas suas memórias. Gostei mais da segunda metade do livro, teve mais ação e foram-nos apresentadas mais personagens, o que deu um certo alento à narrativa. A Raquel, melhor amiga da Marta, é uma peça fundamental, a verdadeira "lufada de ar fresco".
Recomendo se gostarem de histórias mais introspectivas e se quiserem fugir aos romances mais típicos!
A escrita da Tânia é, sem dúvida, o ponto mais forte deste livro. Delicada, poética e cheia de reflexões bonitas e profundas. O plot em si não vai muito ao encontro do meu gosto pessoal, senti que por vezes faltava algum ritmo ou desenvolvimento rápido no desenrolar da ação.
Ainda assim, reconheço o talento e a beleza na forma como foi escrito e mal posso esperar por ver os próximos trabalhos desta escritora :)
Metades de Mim” é uma viagem pelas escolhas que nos definem e pelos caminhos que deixámos por seguir, os “e se” e as “metades” que carregamos dentro de nós. Uma leitura doce com reflexões bonitas e que nos fazem pensar. Achei certas alturas que poderia ter desenvolvido mais a acção mas ainda assim gostei. Ah! Adorava ter uma Raquel na minha vida.
Marta acabou de sair de uma relação tumultuosa e agora num momento mais melancólico e de nostalgia, ela começa a lembrar se de Miguel, o seu grande amor da sua juventude. Entre encontrar o seu lugar no mundo e as memórias de um amor do passado, ela tenta arranjar a coragem ao permitir se arriscar para poder realmente ser feliz.
Na nossa vida passamos por lutas constantes, vivendo numa sociedade que insiste em criar uma pressão quando chegamos a uma certa idade em que se sente que a vida está completamente vazia. Talvez porque simplesmente ainda não conseguimos encontrar aquilo que nos faça sentir completos. A nossa protagonista, a Marta, é alguém que se sente perdida entre as memórias do passado e o medo de um futuro incerto, acabando por lhe afetar emocionalmente. Ela acaba por ser o reflexo de muitos, porque todos nós temos as nossas dúvidas, receios e inseguranças, mas é preciso ter a coragem e a resiliência de arriscar para não estarmos sempre no mesmo lugar. Porque às vezes é preciso cair para aprender e depois levantar para tentar de novo. A vida é demasiado curta para a controlarmos e andarmos com "E se's?", porque na verdade, nunca se sabe o dia de amanhã e podemos ficar com o arrependimento de não a termos aproveitado como deve ser. E se queremos ser realmente felizes, é necessário não criar o hábito de nos compararmos aos outros, porque não há pessoas e vidas perfeitas.
O primeiro amor é sempre impactante e a forma como consegue mudar alguém de uma maneira intensa ao ponto de comparar relações atuais com as antigas, porque na verdade, cada um tem a sua forma de entrega, não conseguindo ter a certeza se irá impactar da mesma forma como aquele que nos marcou no passado, o que vai criar um caos emocional destruidor. E encontrar a outra metade de alguém para que se sinta completo é algo único e raro.
Um livro que me surpreendeu de uma leitura fluída, mas intensa com temas tão importantes e personagens que se tornam tão reais em que muitos poderão se identificar.
“Metades de Mim” não é o tipo de livro que costumo ler, mas acabou por me conquistar pela forma como explora, com realismo, a complexidade das decisões que tomamos ao longo da vida. A personagem principal, Marta, está muito bem construída, não é perfeita, nem pretende ser, e isso torna a narrativa mais autêntica.
A escrita é clara, emocional sem ser exagerada, e mantém um bom ritmo entre passado e presente. Gostei especialmente da forma como o livro aborda o peso das memórias e o impacto que têm naquilo que fazemos (ou deixamos de fazer). É fácil identificar-nos com várias situações, mesmo quando não partilhamos as mesmas experiências.
No geral, é um livro bem escrito, com profundidade suficiente para nos fazer pensar, mas acessível a qualquer leitor. Recomendo para quem aprecia histórias sobre escolhas, identidade e aquilo que fica por resolver.
Um livro que me surpreendeu bastante! Apesar de ter uma primeira parte mais melancólica, a verdade é que faz parte para o que a personagem está a viver e a sentir. Vamos acompanhando a Marta nesta sua subida do poço, sempre na expectativa de se será capaz ou não e se encontrará à superfície o que tanto espera. A escrita da autora faz toda a diferença neste romance, tornando "leve" temas profundos e obrigando-nos a fazee as nossas próprias reflexões. Bastante diferente do romance habitual e aguardarei por mais!
Um livro de reflexões interessantes, com alguns "chavões", acerca da vida, dos afetos, das relações humanas. Pessoalmente, achei um pouco depressivo. Contudo, tem uma escrita cativante e simples. Uma surpresa agradável de uma autora desconhecida.
É um livro escrito de uma forma leve mas que aborda questões que nos tocam a todos: como o passado poderá condicionar o presente e nos impedir de seguir em direção ao futuro. Marta, 37 anos, bem sucedida a nível profissional, é acarinhada pela família e amigos. Só a sua vida amorosa parece ser problemática. Ergue uma muralha à sua volta no que aos sentimentos diz respeito, pois não quer voltar a sofrer, como no passado. E é esse passado, a que vive amarrada, que a impede de seguir em frente, como se vivesse "metades de mim". Mas "há momentos em que a vida nos desafia a escolher o que somos e o que fingimos ser", pois, " a vida é feita de escolhas, algumas mais fáceis, outras dolorosas, mas não podemos ficar paralisados pelo medo do que possa acontecer", pois, como a autora conclui no final " o passado nunca morre." É caso para dizer: quem nunca passou por estes dilemas que atire o primeiro livro 😉