Se, a 25 de Abril de 1974, começou em Portugal uma revolução socialista, terá, a 25 de Novembro de 1975, começado a contrarrevolução que a derrotou?
Que ideologia, que classes comemoram, no dia 25 de Novembro, a contrarrevolução?
Como relacionar a ascensão do neofascismo em Portugal na forma do partido Chega e de bandos a ele ligados, com as comemorações oficiais desta data no Parlamento?
Que papel tem a memória?
E que é da verdade? Que é dela, nestes tempos de barbárie social?
Os canais oficiais dizem que, se 25 de Abril foi a libertação da ditadura, só a 25 de Novembro o «regime democrático» ficou consagrado.
Será verdade? E entre as duas datas, que se passou ao certo no tal PREC, sobre o qual desce um véu de silêncio?
Mas também isto — isto sobretudo: no meio do nevoeiro que os novos comemoradores aspergem sobre a história da revolução operária e socialista portuguesa e da contrarrevolução, que papel, em tão decisivos eventos, desempenharam as direcções do PCP e do PS, os dois partidos maioritários?
Esta obra não segue a narrativa oficial das comemorações do 25 de Novembro.
Narra, sim, a revolução e a contrarrevolução do ponto de vista dos trabalhadores que fizeram a primeira — e sofreram a segunda.
RAQUEL VARELA nasceu a 15 de Outubro de 1978, em Cascais. É licenciada em História (2005), pós-graduada em História Contemporânea (2006) e doutorada em História Política e Institucional (2010), pelo ISCTE-IUL. É Professora Auxiliar com Agregação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (Secção Autónoma em Educação e Formação Geral). Foi investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH/UNL), onde coordenou o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais, e é investigadora do Instituto Internacional de História Social, presidente do Observatório para as Condições de Vida e Trabalho e coordenadora do Social Data/Nova4Globe. Investigadora no grupo História, Território e Comunidades CEF/UC/Polo FCSH e Colaboradora do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta. As suas áreas de investigação são História Global do Trabalho; História do Estado Social e da Segurança Social; História do Trabalho e História da Revolução de 25 de Abril de 1974. É coordenadora da obra Quem paga o Estado Social em Portugal? (Bertrand, 2012) e autora de História da Política do PCP na Revolução dos Cravos (Bertrand, 2011) e História do Povo na Revolução Portuguesa: 1974-1975 (Bertrand, 2014), coordenadora de Revolução ou Transição? História e Memória da Revolução dos Cravos (Bertrand, 2012), co-coordenadora de Greves e Conflitos Sociais no Portugal Contemporâneo (Colibri, 2012), co-coordenadora de O Fim das Ditaduras Ibéricas (1974-1978) (Centro de Estudios Andaluces/ Edições Pluma, 2010).