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A Montanha

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Este é um romance habitado por homens e mulheres de várias idades, com origem em diversos contextos, de Moçambique à Venezuela, de Ponte de Lima a Oliveira de Azeméis, que têm em comum a sua condição de pacientes no Instituto Português de Oncologia do Porto. Um escritor viaja pelo mundo e, nesse turbilhão, tenta construir um romance com todas as histórias que lhe foram confiadas, até que o impensável acontece.

Do hiper-realismo, documental e autobiográfico, ao surrealismo, à alucinação e ao delírio, A Montanha é um romance de enorme ambição, que resgata momentos de profunda empatia e ternura, que revela o ser humano tanto na sua fragilidade como na sua máxima força.

Surpreendente nas múltiplas dimensões que propõe, este romance é um extraordinário tour de force literário, um marco muito alto na obra de um dos mais importantes escritores portugueses contemporâneos e, sem dúvida, uma referência inesquecível na bagagem de qualquer leitor.

247 pages, Mass Market Paperback

First published October 23, 2025

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About the author

José Luís Peixoto

97 books2,201 followers

Ratings & Reviews

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Community Reviews

5 stars
122 (46%)
4 stars
97 (36%)
3 stars
41 (15%)
2 stars
5 (1%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 30 of 49 reviews
Profile Image for Álvaro Curia.
Author 2 books552 followers
October 29, 2025
O que José Luís Peixoto faz neste romance é algo novo em múltiplos sentidos. A barreira intransponível entre o hiper-realismo e o surrealismo torna-se permeável, porosa. São vários planos, uma espécie de metaverso da melancolia. É de uma concretização plena, o livro comove e sobressalta, retira-nos de um contexto do habitual, da explicação.
Quero muito falar muito e com muitas pessoas sobre o que li!
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
793 reviews148 followers
October 31, 2025
uma das melhores leituras de 2025. um livro fragmentado, tenso, que instiga o leitor a sair do conforto da leitura para a procura do sentido.
tal como refere "a tentativa de explicar tudo advém de mecanismos cognitivos e emocionais elementares", mas "explicar é uma tarefa que nunca termina.
e nesse caminho o leitor procura o sentido. e ganha imenso na reflexão em torno do livro.
Profile Image for Monica Cabral.
252 reviews52 followers
December 19, 2025
"Os doentes com cancro esperam que passe o tempo da sessão de quimioterapia, esperam que passem as semanas do tratamento, esperam que passem as manhãs, as tardes, as noites, esperam que passe o próprio cancro.
Os doentes internados passam a maior parte do tempo à espera. A crença de que o cancro é uma doença incurável faz com que os doentes com cancro sintam essa espera como uma espécie de morte. Se viver é agir constantemente, ser produtivo, então esperar é estar morto."

Quando soube que o José Luís Peixoto tinha escrito um novo romance fiquei expectante para saber a sinopse do mesmo. Chegado o dia de a conhecer fiquei reticente em lê-lo, um livro sobre o cancro e com testemunhos de pessoas tratadas no IPO do Porto não seria uma leitura fácil de fazer, principalmente por uma pessoa, como eu, que tem familiares que passaram por essa terrível doença.
Sempre que eu leio livros de testemunhos reais, seja de vitimas de guerra, catástrofes, doenças, etc, fico desapontada com a pouca emoção com que o escritor os transmite pois parece que "despejou" os factos.
Mesmo assim arrisquei e não me arrependi.
Este romance é arrebatador porque a escrita do José Luís tem alma, conecta-nos com o livro com uma profundidade incrível e deixa-nos vulneráveis e passamos a "estar" nos corredores do IPO do Porto ou no aeroporto com o Escritor.
Não vos vou contar absolutamente nada sobre as histórias do Filipe, da Fátima, do João, da Alice, do Jorge ou do Daniel, têm que as descobrir.

Quem me conhece sabe que eu nunca faço os tops dos melhores e piores do ano e que nunca partilho o melhor livro do ano mas A Montanha é sem dúvida nenhuma o melhor livro que eu li em 2025.
Não tenho palavras para qualificar este livro (coisa rara em mim) só me ocorre uma: SOBERBO.
Profile Image for Ana.
762 reviews180 followers
January 14, 2026
Foi uma experiência de leitura recheada de muitas emoções, mas que, para mim, foi algo manchada por caminhos que o escritor tomou em determinados momentos da obra.

NOTA - 08/10
Profile Image for Belisa Nogueira.
69 reviews8 followers
December 5, 2025
Um livro intenso, profundo, único e especial.

"Como seria reconfortante se a vida
estivesse organizada com clareza,
se as pessoas vivas soubessem em
que parte estão, em que capítulo estão, (...)"
Profile Image for Marta Clemente.
760 reviews19 followers
January 6, 2026
Apesar de ter tido alturas em que achei que me estava a defraudar as altas expectativas que criei, chego ao fim e tenho mesmo de dar 5 estrelas a este livro. Pela forma como está escrito, pela genialidade, por tudo o que DIZ!
Adorei!
És grande José Luís Peixoto!

"Passavam idades, assistias à erosão e, ainda assim, o fim era impensável. Tudo era tão importante e tão grande, o fim era impensável. Mas recebeste a notícia e, afinal, o fim existe, vê-se daqui"

"Os doentes com cancro esperam que passe o tempo da sessão de quimioterapia, esperam que passem as semanas do tratamento, esperam que passem as manhãs, as tardes, as noites, esperam que passe o próprio cancro."

"Achamos que conhecemos o quotidiano que nos envolve, fechamos-lhe os olhos porque acreditamos que está domado, desperdiçamos manhãs com a ingenuidade dos loucos e, de repente, acabou."

'... sente que a vida apresenta mais soluções do que problemas, as pessoas é que complicam, todas a querer ir para a faixa da esquerda, a quererem ultrapassar toda a gente."

"Os livros são tempo, pulmões a encherem-se de ar, o coração no seu ritmo, a bater, a bater, como agora, os livros são o momento em que foram escritos, o momento em que são lidos, mas também todo o tempo que passam à espera de serem abertos. As palavras dos livros são tempo guardado no silêncio. "
Profile Image for Lúcia Fonseca.
303 reviews53 followers
December 15, 2025
Comecei A Montanha com expectativas moderadas, sobretudo pela escrita reconhecida de José Luís Peixoto. Ainda assim, a experiência de leitura acabou por não resultar comigo.

Um dos pontos que menos gostei foi a narrativa fragmentada entre as conversas com os doentes oncológicos e as viagens, juntamente com o processo de escrita do autor. Esta alternância constante quebrou o ritmo e dificultou a imersão na história. Em vez de se complementarem, estes dois planos narrativos parecem desligados.

Ao longo da leitura, ficou-me muitas vezes a sensação de que este livro podia ser dois livros diferentes: um centrado nos diálogos com os doentes de cancro, com uma forte carga humana, e outro mais introspectivo, focado nas viagens e na reflexão sobre a escrita. Juntos, para mim, não funcionam de forma totalmente coesa.

A leitura é lenta e muito contemplativa, o que poderá agradar a alguns leitores, mas para mim tornou-se cansativa em vários momentos. Senti falta de maior fluidez e de uma progressão mais clara que mantivesse o meu interesse até ao fim.

É um livro que certamente encontrará o seu público, mas que, a nível pessoal, não correspondeu às minhas expectativas.




Profile Image for Vicente.
129 reviews12 followers
November 9, 2025
Mais de trinta anos depois, José Luís Peixoto regressa a "Morreste-me", aquele que continua ser, para mim, a obra mãe de toda a produção literária do escritor. E que escritor está José Luís Peixoto! Qualquer leitor que tenha acompanhado a carreira de Peixoto percebe, por um lado, a crescente e sólida qualidade literária da sua obra e, por outro, o momento exacto em que Peixoto deixou de ser um escritor para passar a ser outro, e esse momento, creio, acontece com "Livro". Ora, este seu novo projecto - chamar-lhe romance é ambicioso na mesma medida em que ambicioso é todo o projecto que deu lugar a "A montanha" - tem muito de toda a sua obra, o próprio autor faz questão de a trazer para aqui, mas tem, sobretudo, muito da sua obra pós "Livro".
Não é uma obra sobre a luta humana contra o cancro sem, no entanto, deixar de o ser. É-o, na medida em que reflete sobre a dor, sobre a resiliência, sobre o amor, sobretudo sobre o amor. Mas também é uma obra sobre criação literária, sobre a condição de escritor, sobre a inconsciente metamorfose entre autor e obra escrita - metaliteratura, chamemos -lhe. Muito haveria a dizer sobre aquela segunda parte da obra, uma vez mais a recordar-nos "Livro", mas isso iria comprometer a leitura daqueles que se irão lançar sobre este objecto absolutamente literário. E na verdade, é isso: enquanto projecto literário, é a obra mais ambiciosa de José Luís Peixoto e que o afirma, definitivamente, como um dos melhores escritores da actualidade, para além das fronteiras da sua Galveias, do seu Alentejo, do seu país.
Profile Image for Marta Livros Araújo.
64 reviews1 follower
November 21, 2025
Este livro é uma verdadeira montanha de emoções. Um dos melhores livros do autor, um dos melhores que li este anos.
Várias personagens (reais) que têm em comum serem pacientes no IPO. Viajamos com o autor por vários locais. Temos aqui um livro com vários estilos: hiper-realismo, documental, autobiográfico e surrealismo. Leva-nos a uma reflexão sobre a vida, tempo, fragilidade e força. JLP tem o poder de mostrar a doença como uma coragem literária e não com o pudor banal. A doença, o tempo perdido, a memória e a proximidade do fim são escritos com humanidade e beleza.
Profile Image for Sofia.
1,042 reviews127 followers
December 31, 2025
Gostei, mas...
Aprecio muito a maneira de escrever do autor e muitas vezes este novo livro relembrou-me o "Morreste-me", que foi a primeira obra que li do Peixoto. Gostei que tenha colocado a palavra cancro a bold.
No entanto, não sei se gosto da construção do livro, a parte fragmentária não me convenceu. Reconheço-lhe originalidade, mas não a sinto bem articulada com o restante tema do livro. Provavelmente a falha é minha e talvez não tenha escolhido a melhor altura na minha vida para ler este romance.
Vou refletir sobre o livro e talvez venha a editar esta review. Seja como for, aqui fica a primeira impressão após concluir esta minha última leitura de 2025.
Profile Image for Andreia Machado.
220 reviews20 followers
December 15, 2025
Gostei muito deste livro; achei-o verdadeiramente soberbo. Começo por destacar a forma bonita, sensível e original com que José Luís Peixoto dá voz e visibilidade aos doentes com cancro. Pessoas que, tantas vezes, passam a ser definidas apenas pela sua doença, aqui ganham profundidade e importância através dos detalhes das suas vidas, que nos vão sendo revelados ao longo da narrativa.

Outra nota muito relevante é o destaque dado à palavra «cancro», uma palavra que tantos de nós tememos pronunciar, quase sempre associada, de forma implícita, à ideia de morte. O autor enfrenta esse medo de frente, sem o contornar, e fá-lo com humanidade e respeito.

Este é um livro multifacetado, com vários ângulos apresentados ao leitor. Desde logo, a presença da metaliteratura, onde acompanhamos o próprio processo de escrita do autor. Ao longo de grande parte da obra, José Luís Peixoto reflete sobre a literatura, o poder das palavras e o ato de escrever, aproximando o leitor da história e do protagonista: o escritor. Um escritor que narra na primeira pessoa, mas que também observamos “de cima”, numa perspetiva quase distanciada.

A fragmentação é outro elemento constante na obra. Alternamos entre o presente do escritor e as histórias dos pacientes do IPO. Esta fragmentação não é aleatória, pelo contrário, parece-me essencial à narrativa. Não fossem os doentes com cancro pessoas cujas vidas são profundamente fragmentadas pela doença…

''O cancro separa os doentes do seu próprio corpo, deixa de pertencer-lhes. No momento do diagnóstico, a unidade divide-se em duas partes. O nome passa a ser uma sombra em busca da matéria que a sustente. O cancro fica com o corpo, é seu.''

Apesar do recurso a técnicas literárias que podem, à partida, parecer complexas, não senti essa complexidade durante a leitura. A escrita de José Luís Peixoto é belíssima, poética, carregada de melancolia, mas ao mesmo tempo simples e acessível. Confesso que, depois de terminar o livro, voltei ao início para reler e sublinhar inúmeros trechos.

O final é arrebatador e profundamente comovente, daqueles que dificilmente nos largam. É um livro que, quando termina, nos deixa a olhar para o vazio durante longos momentos, num silêncio introspetivo.

Considero que ''A Montanha'' é uma bonita homenagem aos doentes com cancro, à vida e ao amor, é ainda o regresso do autor a ''Morreste-me'' e, mais uma vez, à figura do seu pai, num diálogo íntimo com a perda, a memória e a efemeridade da vida.

Por fim, deixo a nota de que poderá ser uma leitura difícil para leitores mais sensíveis, ou para quem tenha particular dificuldade em ler sobre o tema do cancro. Ainda assim, acredito que também pode ser um livro que ajuda, que conforta e que, de certa forma, abraça processos de luto.

''A vida atravessa o livro, está fora do livro e dentro do livro, a vida existe antes e depois das palavras, existe nas pausas entre as palavras, a vida cobre as palavras, entranha-se nas palavras.''
Profile Image for Maria João.
14 reviews2 followers
November 22, 2025
Os doentes com cancro ainda são quem eram antes de terem cancro (pag 192). Eu, Maria, como a Fátima, o Daniel, a Alice, o João, o Filipe e o Jorge, sabemos que fragmentação da nossa realidade, nem sempre perceptível aos outros ou por nós entendida, será companheira previsível durante e após o cancro, seja em que espectro de existência for. Nenhum cancro existe sem sofrimento (pág 169), ainda que não seja fisicamente visível. Os cancros, como os livros, são vida. Que se atravessam, por fora, por dentro, fragmentados antes e depois das palavras, das pausas e na ausência das mesmas.

Obrigada, Peixoto.
4 reviews
December 17, 2025
Um romance marcante, entre os grandes da literatura da nossa língua e não só.
Um romance que exige uma leitura cuidada e que, com toda a certeza, agradará a leitores exigentes, daqueles que lêem literatura. Por sua vez, um romance que deixará insatisfeito quem procura livros ligeiros para passar o tempo.
Estou muito agradecida à Filó, que me conhece bem e mo ofereceu. Obrigada, maninha <3
Profile Image for Ana Rita Silva.
268 reviews28 followers
October 29, 2025

«achamos que conhecemos o quotidiano que nos envolve, fechamos-lhe os olhos porque acreditamos que está domado, desperdiçamos manhãs com a ingenuidade dos loucos e, de repente, acabou. e ficamos com a boca cheia de mas sem préstimo: mas, mas.»

tal como foi sublinhado pelo Times Literary Supplement, José Luís Peixoto revela «uma extraordinária forma de interpretar o mundo.» e essa extraordinária forma de interpretar o mundo distingue-se das demais: tanto a forma como escolhe contar a história, como o encadeamento e a escrita são singulares e únicas. fazendo as palavras de Eduardo Prado Coelho minhas, «José Luís Peixoto tem essa qualidade notável: bastam duas linhas e entramos num continente novo, num lugar inédito do espaço literário.» este continente novo é habitado por homens e mulheres, pacientes do Instituto de Oncologia do Porto, com histórias de vida diferentes, mas com um denominador comum — o cancro — e pelo Escritor, a quem foram confiadas as memórias e histórias destes pacientes.

não é apenas um livro sobre cancro, é muito mais que isso. contudo, para manter a magia da descoberta para todos os que tenham interesse em ler este livro (leiam, por favor), penso que mais nada se deverá desvendar. o autor poderia ter transformado os testemunhos num romance normal — mas nunca banal, dada a riqueza dos mesmos —, mas fez muito mais que isso e penso que ao fazê-lo fez mais justiça a quem corajosamente partilhou a sua história.

«nas páginas escritas, Fátima continuava na berma da estrada, era sempre maio, os peregrinos saciavam sempre a sede; Filipe conduzia na estrada ou na Internet, entre carros ou entre sinónimos científicos de cancro, termos médicos de maior precisão; Daniel continuava a brincar com o filho na sala, no pavilhão do andebol, ou continuava sobre um palco com o conjunto de baile; Fátima continuava a pensar na vida, em tudo o que poderia acontecer a seguir.»

«de nada serve ao doente com cancro mudar de paisagem, mudar de ares, a luta trava-se dentro do seu corpo. uma vez que se imagina o cancro encerrado no corpo do doente, identifica-se o doente com o cancro: o doente é o cancro.»

«só através da nossa vida somos capazes de conceber a vida dos outros.»
Profile Image for Ana Ribeiro.
Author 8 books49 followers
November 1, 2025
Que dizer deste livro? Arrebatador. Com a escrita envolvente e sensível a que o José Luís Peixoto já nos habituou. Este é daqueles livros que gostava de ler outra vez sem conhecer o seu conteúdo.

Falar de cancro é difícil. É um tema que só por si dói. Fala de dor. De sofrimento. De solidão. Mas o José Luís Peixoto abordou-o neste livro com a rara sensibilidade da sua escrita. Com delicadeza. Fez com que o tema fosse menos pesado.

A convite do IPO do Porto, o autor partilha o testemunho de alguns pacientes com cancro, fazendo ao mesmo tempo uma analogia ao tempo em que o seu pai adoecera.

De repente, a realidade confunde-se com a ficção. Numa reviravolta inesperada.

Ainda estou a assimilar o final que deixou o meu coração apertado.

Arriscaria dizer que será o melhor livro do autor. Ainda que tenha medo de o fazer porque estou a tirar importância aos livros anteriores. Cada um foi bom à sua maneira. Mas sinto que este elevou a fasquia.

Um livro inesquecível. Essencial. Obrigatório.

Leiam, por favor.
Profile Image for Vasco Coimbra.
22 reviews8 followers
November 27, 2025
De uma forma arrebatadora e sublime, este livro aborda uma temática tão violenta como o cancro com uma sensibilidade extraordinária.

A delicadeza com que as histórias reais são abraçadas pela ficção resulta numa escrita leve mas muito envolvente, apesar da sua fragmentação, que nos faz escalar esta montanha de dimensões.
Profile Image for Lúcia Costa.
43 reviews1 follower
December 5, 2025
I thought this book would be hard to read, but it wasn’t. I expected to feel alone with the words, but instead, I felt the opposite. The novel unfolds as the writer reflects on interviews with cancer patients, alongside an oncologist and a psychologist. At its core, the book explores the dimensions within the word ‘cancer’ and the deep confrontation it evokes within yourself — everything that cancer represents. Beautifully written and profoundly powerful.
Profile Image for Madalena.
311 reviews44 followers
January 15, 2026
vi reviews a dizer que o que fica deste livro é uma vontade enorme de falar, e, talvez em homenagem à conclusão, seja exatamente isso que procuramos, subverter a sensação de ausência de explicação que paira, casada com uma explicação que não auxilía a emoção de virar a última página.

algo sobre este livro me remete para a expressão flutuar, sinto que naveguei entre histórias desoladoras, pedaços de informação, realismo puro e surrealismo tudo ao mesmo tempo, alucinação, delírio, dor, realidade. é uma experiência envolvente do início ao fim, de uma prosa belíssima e de satisfação etérea a cada momento. é uma verdadeira obra de arte, simultaneamente crua e objetiva e completamente aberta.

pareço poética e pouco clara a falar deste livro, mas não sei como o fazer de outra forma. não é absolutamente nada do que espera dele. a sinopse não prepara a história. não é um relato jornalístico de pessoas a morrer. não é uma romantização da vida dos pacientes. é simultaneamente um livro sobre cancro sem o ser, sobre vida e pureza e escrita e amor e arrependimentos e sobre finitude. sobre o fim. mas não da forma como o pensam, o que quer que pensem, não é isso. é melhor, mais surreal, mais belo. não sei explicar.

além disso, uma característica lírica que tenho que mencionar: o José Luís Peixoto é extremamente consciente do leitor, e extremamente consciente das suas ações e movimentos no ato de escrever. há parágrafos e linhas de pensamento que são um retorno à génese do próprio ato de criar, de escrever, e portanto um choque e uma realização no ato de ler, de respirar, de segurar o livro. tornamo-nos profundamente conscientes enquanto perdidos numa navegação subconsciente e não há palavras para quão bela acho essa narração.

nas palavras de outra review é um jogo espetacular e obsessivo entre reconhecimento e surpreendimento. verdade humana entrelaçada na mais pura e livre ficção.

deixo, como de costume, algumas das frases que mais me marcaram

"Tenho pena de tudo o que começo agora a perder para sempre, até os objetos mais comuns. Olho para a cama, esforço-me por vê-la. De todas as camas em que estive, tantas, esta é a última. O meu coração ainda bate, e tenho tanta pena de saber que nunca mais vou encontrar as camas em que estive, as noites que dormi em todas essas camas, as idades que não sei se valorizei." - por motivos pessoais, esta frase mudou a minha vida

"Os livros são tempo, pulmões a encherem-se de ar, o coração no seu ritmo, a bater, a bater, como agora, os livros são o momento em que foram escritos, o momento em que são lidos, mas são também todo o tempo que passam à espera de serem abertos. As palavras dos livros são tempo guardado no silêncio"

e, finalmente, e acreditem que foi difícil escolher,

"Não sei onde estou, não sei por onde estou a passar, há angústia nesse desconhecimento, mas também há indiferença, desisto ou sou obrigado a desistir. Quando Björn me segura por baixo dos braços, quando se prepara para me levantar da cadeira, penso no telemóvel, quero telefonar para Casa, quero enviar uma mensagem para Casa. Mas as mãos deixaram de existir. O vazio entope-me a garganta. Tive todas as palavras à disposição, pude usar qualquer palavra, qualquer uma, esbanjei palavras; agora, não possuo uma única; agora, só me posso conformar com o que fica por dizer."



ai... não consigo. fica mais uma para o caso de quererem uma parte mais realista

"Assim parecia e, por associação de ideias, só conseguia imaginar o cancro dos outros a partir do cancro do meu pai? Essa ideia começou por parecer-me desonesta, injusta, tanto para com Alice como para com o meu pai, tive alguma vergonha. Mas, logo depois, dando continuação ao raciocinio, seguindo lógica simples, percebi que não. Só através da nossa vida somos capazes de conceber a vida dos outros. A fluidez desta constatação confortou-me, tão natural, trouxe-me paz"
Profile Image for Catarina.
35 reviews8 followers
January 24, 2026
Este livro é um (senão o) dos livros mais honestos e profundos que já li, tendo ainda para mais como tema o Cancro.
Ler este livro requer uma intenção e entrega ao lê-lo, que não se poderão, no entanto, comparar a seu processo de escrita. Os quatro anos que José Luís Peixoto levou para o escrever foram, segundo o próprio, um trabalho muito desafiante e intenso.

Eu li-o quase de um fôlego, ou pelo menos muito mais ávida e atentamente do que costumo. Entrei no livro e o Livro entrou em mim. O livro levou-me num sonho, no qual me reencontrei e tive uma conversa com uma pessoa que deve ter sido muito importante na minha vida (a qual morreu devido a cancro)e da qual me vou despedindo. Tal é o poder criativo e curativo do livro.

“A Montanha” faz atravessar dimensões, criando histórias dentro de histórias, como um caleidoscópio em que cada dimensão se propaga e reflete noutras demais dimensões. Este livro tem vidas e vida própria, também. Assim nele é contada a história do pai do autor e do autor, através da qual se constrói a história do livro, que por sua vez nos conta as histórias dos pacientes do IPO do Porto com quem o autor se encontra e todas confluem numa revelação que descobrirá quem no livro entrar, também, ao lê-lo, mas também muitas questões (‘Não se pode explicar tudo’).

Passados 6 dias de ter escrito este comentário ao livro,algumas ideias ressurgem na minha mente:
A ideia de fragmentação e unidade do próprio cancro, na forma como o concebemos e imaginamos.
A complexidade, a multiplicidade:

‘Num único tumor pode existir heterogeneidade, ao ponto de diferentes partes da sua massa serem constituídas por diferentes perfis genéticos. Um cancro é vários cancros’.

‘Às vezes, a palavra cancro existe na sua própria ausência.
As vozes vão para pronunciá-la, mas, no último instante, evitam pronunciá-la, deixam só o espaço vazio. Então, durante esse silêncio, os pensamentos enchem-se de medo.’

E uma ideia fundamental que resolve toda a fragmentação, ambivalência e a fragilidade que cada um encerra em si mesmo enquanto humano:

Ubuntu: ‘Eu sou porque nós somos’.
Profile Image for Carmo.
133 reviews6 followers
January 28, 2026
É um bom livro, mas confesso que estava à espera de outra coisa. Sim, está bem escrito. Palavras e frases que ficam e que nos tocam. Mas, se para uns é positivo a forma como foi escrito, eu sou adepta de uma certa sequência, ordem. Preferia mais foco nas histórias dos pacientes.
Continuo com saudades do José Luís Peixoto de tempos iniciais. Ainda não foi desta que o reencontrei.

“(…) cada palavra é um instante.”

(…) ninguém é capaz de impedir o fim.”
16 reviews1 follower
January 3, 2026
Um dos escritores portugueses que mais aprecio.A sua flexibilidade e evolução como escritor atinge neste livro uma nova forma de descrever o terrível impacto, no ser humano que contrai esta doença.
Tema difícil, muito nb agarrado pelo autor.
71 reviews
January 8, 2026
Que livro! Como é apanágio deste autor, está muito bem escrito e bem construído. É uma história muito dura - do ponto de vista emocional, foi, seguramente, muito difícil de escrever e é, com certeza, difícil de ler. Mas é uma leitura obrigatória... A vida do autor e do seu pai entrecruza-se com as vidas de doentes oncológicos do IPO do Porto e também com alguma ficção. É uma leitura para saborear e reflectir, pois o texto inclui pensamentos de grande profundidade e delicadeza. Excelente. À qualidade do livro soma-se a louvável iniciativa (não sei se do autor, se da editora Quetzal), referida na página 6, de que parte dos lucros da venda serão entregues ao IPO e, portanto, destinam-se a ajudar os doentes oncológicos.
Profile Image for Maria Miguel.
5 reviews1 follower
December 27, 2025
Este livro foi, para mim, uma leitura muito marcante, sobretudo pelo tema que aborda e pela dureza e sinceridade com que o aborda. Ainda assim, apesar de já ter lido outros livros do autor, houve momentos em que me senti perdida na narrativa. A fragmentação e os silêncios, que são também parte da força do livro, acabaram por me deixar confusa em algumas partes. Não é um livro fácil nem confortável, mas é um livro necessário e honesto, que nos confronta com uma realidade que nos faz perceber a nossa pequenez e deixa espaço para reflexão.
Profile Image for biaaa.
83 reviews
January 2, 2026
2✨️
este livro simplesmente não funcionou para mim
a narrativa fragmentada não resultou comigo, tornou difícil criar interesse por qualquer personagem e tornou tudo de certaforma confuso. no entanto a escrita despertou-me curiosidade e planeio dar uma nova oportunidade ao autor
Profile Image for Catarina Sá.
100 reviews
January 28, 2026
Review – A Montanha, de José Luís Peixoto 🌷

A Montanha é, sem hesitação, o meu livro favorito de 2025 (e mais um da vida). A prosa de José Luís Peixoto é das mais belas e intensas da literatura portuguesa contemporânea: sensível e profundamente humana. Há uma mistura arrojada entre o narrador, o tempo presente e as personagens, que se entrelaçam de forma perfeita.

Em poucas páginas, percebi que estava perante uma leitura de cinco estrelas. Peixoto consegue dizer muito com pouco, deixando espaço ao silêncio, à reflexão. Além disso, há também uma forte componente de metaliteratura, algo que particularmente adoro: a consciência da escrita, do ato de narrar, da própria literatura enquanto matéria viva.

Um livro para ser lido devagar e para quem está pronto para refletir muito sobre temas que nos inquietam a existência.
Profile Image for Joana Margarida.
180 reviews45 followers
January 16, 2026
4.5 (nem eu sei dizer o que falta para dar 5)

Vou dividir isto em três partes:

As pessoas com cancro
O livro parte das histórias reais de 6 pessoas com cancro - Alice, João, Filipe, Daniel, Fátima e Jorge. As suas histórias, aqui em parte conhecidas, são relatos ficcionados de dor, mas também de amor e esperança (temos um casamento, um nascimento, amputações que tiram mas também dão...). Histórias de dúvida e angústia, de reaprender a viver apesar de. Estas pessoas - que na realidade, são tantas pessoas - tornam-se lutadoras sem opção de escolha; num dia estão na normalidade das suas vidas, no dia seguinte estão a lutar contra. Assim, são obrigadas a despedir-se dessa vida que tinham antes do cancro. Há uma vida antes do cancro e uma vida depois do cancro. Estas pessoas - tantas pessoas! - são obrigadas a decidir entre o impossível e o impensável, escolhendo a que tratamentos se querem submeter, que efeitos secundários estão dispostos a ter, que membros do corpo tolhidos ou ameaçados pela doença estão disponíveis para abdicar...
As pessoas com cancro vivem com e apesar da doença. Têm histórias que começam antes do cancro e que o atravessam. Estas histórias merecem ser conhecidas, porque com elas aprendemos sempre alguma coisa sobre emoções, sobre aquilo que é ser humano e vulnerável àquilo que ninguém consegue controlar. Neste livro, temos o privilégio de conhecer seis.

"A partir de agora, o livro inclui a palavra cancro. Criar silêncio incómodo é um truque fácil, basta mencionar a palavra cancro. Recebeste a notícia e, agora, sabes que as pessoas pensam em cancro de maneira simplista. Antes, eras igual a elas, mas agora sabes. As pessoas não pensam sequer em cancro, preferem ignorá-lo. As pessoas consideram a palavra cancro como um muro opaco, sinónimo de morte. A partir de agora, o livro também inclui a palavra morte.

O 'Escritor' e o seu pai
Neste livro, José Luís Peixoto dá-nos, mais uma vez e de forma muito generosa, acesso ao seu íntimo, partilhando connosco algumas das suas memórias e pensamentos acerca do seu pai, bem como as suas angústias enquanto escritor: o medo da defraudação, de desiludir o outro; o peso da responsabilidade. Tudo isto torna-o soberbamente humano aos meus olhos. Gostei muito que nos tivesse levado com ele nesta viagem de uma forma tão despojada, senti-o muito próximo.

"Tantos anos e tantos livros depois, continuo a escrever sobre o meu pai. Às vezes, perante tragédias pessoais que acontecem a pouca distância de mim, sinto um certo pudor por insistir nesta morte. Passaram mais de trinta anos. Duvido que as outras pessoas entendam e, por isso, em dias comuns, guardo o meu pai como um segredo, respondo-lhe em silêncio. Aos poucos, transformo-me nele. Percebo que, afinal, a sua morte era a minha morte, a sua vida era a minha vida. Só agora sou capaz de reconhecer essa evidência. Quando recebo notícias de momentos que o meu pai viveu, quando ouço histórias dele que não conhecia, parecem lembranças minhas, lembranças que estava quase a esquecer e que, de repente, me regressam à memória."

"Enquanto falava, escutava a existência da sua voz fora de si, como uma música na rádio. Falou do pai, dos vários livros em que nomeou o pai, ou seja, todos os livros que escreveu. Explicou que falava do pai quando escrevia pai ou o meu pai, como no primeiro livro que publicou, Morreste-me; explicou que falava do pai até quando escrevia céu, até quando escrevia sobre escritores de óculos ou empresários de bigode, como nos dois romances anteriores. E comoveu-se ao lembrar o pai, o rosto do pai a olhá-lo, e entusiasmou-se ao explicar ideias, referiu a palavra ficcionalização, utilizou todo o campo lexical da palavra biografia. Quando terminou de falar, o silêncio foi ainda mais opaco, ninguém pareceu entender o que tinha dito."

"Só através da nossa vida somos capazes de conceber a vida dos outros."

No final, o autor mascara de delírios as suas ansiedades acerca da redação deste romance, provando mais uma vez a sua originalidade e mestria.

A Fragmentação
O livro segue uma estrutura fragmentada, saltitante, o que se pode tornar um desafio à fluidez da leitura. Para mim, não foi assim. Senti cada fragmento como uma unidade própria, perfeitamente passível de ser isolada, mas também integrada no todo.

"Fragmentar é resistir à imposição de unidade, abrindo espaço para leitura e sentidos. A literatura fragmentada reflete a ambiguidade e a instabilidade da experiência humana."

Belíssimo.
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