Dona Glória é uma velha solitária cuja companhia se resume a um gato gordo e às hortas do seu quintal. Um dia, os carros deixam de ser avistados e o silêncio apodera-se da sua aldeia, mas nem tanto da sua vida.
Na grande cidade, uma rapariga refugia-se no seu pequeno pedaço de céu, emoldurado por prédios altos e pelo sol que queima a pele da qual tanto quer fugir.
Nas suas singulares solidões, duas mulheres de gerações diferentes reencontram aquilo que há tanto procuravam: a vida que o tempo as obrigou a abandonar.
Salgueiro-chorão é um pequeno retrato das coisas mais significativas da vida, aquelas que, no rebuliço do dia a dia, nos passam despercebidas.
Não me é fácil ser completamente imparcial nesta opinião. Mas também, uma opinião implica sempre parcialidade, não é assim?
Salgueiro-Chorão. Este é o título escolhido para o pequeno relato sobre a vida de duas mulheres. Digo relato, não história, porque é essa a sensação com que saí do mundo que a Jéssica criou. Um mundo muito semelhante ao nosso, mas que, apesar de tudo, é algo diferente. É um mundo visto pelos olhos da Jéssica. Olhos que nos falam através de uma escrita simples, mas eloquente; que nos falam pela perspetiva saudosa, mas decidida; que, muitas vezes, veem o invisível e descrevem-no de forma simples. Este é um livro que diz muito dessa forma.
Não pensem que ser simples é algo redutor. Nada disso. Geralmente, existe muito mais mestria em ser simples do que em ser elaborado. Dizer muito usando pouco é uma arte que a autora utiliza corajosa e plenamente. A escrita da Jéssica é pausada, ritmada, quase musical; tal como o ambiente que ela criou nesta obra. Por isso mesmo, Salgueiro-Chorão, de Jéssica Teodoro-Paulo, é um relato maravilhoso. Um relato que nos remete para a solidão do nosso destino e para o peso das nossas escolhas. Um relato contado num livro que só peca por ser tão pequeno.
Esta obra de arte é como um abraço bem apertado e quentinho. Um livro muito bem escrito, de fácil e compreensivel leitura, e deixa connosco um sentimento de certa nostalgia e, simultaneamente, um grande conforto. Recomendo vivamente!