Um estudo sobre o perfil do brasileiro e as transformações da nossa sociedade
Em Brasil no espelho, o cientista político Felipe Nunes apresenta um retrato inédito e profundo do brasileiro contemporâneo. A partir de uma ampla pesquisa, o livro revela como os cidadãos deste país diverso — que muda depressa, às vezes de forma abrupta — se veem, o que pensam, temem e desejam. Desde a onda de protestos de 2013, o Brasil vive intensas transformações sociais, políticas e culturais. Nesta obra, o leitor encontra uma análise precisa dessas mudanças — e das crenças, valores e contradições que moldam a identidade coletiva do país.
Mais do que um diagnóstico, Brasil no espelho oferece uma reflexão essencial sobre como nossos traços culturais e comportamentais influenciam o desenvolvimento nacional, apontando caminhos para políticas públicas, negócios e para o futuro que queremos construir.
Leitura indispensável para estudiosos, empreendedores, profissionais de marketing e todos que desejam compreender o Brasil e seu povo em profundidade.
Felipe Nunes is a comic book artist and illustrator Started working with illustration at 2010`s, colaborating to some brazilian magazines like Recreio and Mundo Estranho. As a cartoonist, published his first graphic novel back in 2014, Klaus, who was claimed and nominated for three-HQMIX, winning Best New Cartoonist. After this, did his second one, DODÔ, who will be republished by Panini on Spring of 2017. This year, illustrated the first issue of `O Segredo da Floresta`, a teenager comicbook written by Thedy Correa and published by Stout Club / Panini. Had some short stories for anthologies and three oneshots just in 2018 (ASFIXIOFILIA, FLÆSH and ARREBATAMENTO) In 2019, released CLEAN BREAK, a sci-fi graphic novel, Jabuti Prize finalist and published in Poland. Currently, he does corporative comics and draws an upcoming comic book series.
A pesquisa por si só é extremamente interessante. Muita coisa passou a fazer sentido na minha cabeça sobre os movimentos que estão acontecendo no Brasil nos últimos tempos. Acho que o único ponto que eu senti falta é uma análise “antropológica” mais profunda para explicar certos fenômenos. Alguns momentos fiquei me perguntando o porquê de certos comportamentos “históricos”. Esse não é o objetivo do livro, mas acho que poderia complementar bastante a visão do leitor. De qualquer forma, super válido!
A pesquisa por si só já vale o livro. A quantidade de pessoas entrevistadas e o número de perguntas permite uma avaliação bem atualizada de como o brasileiro age e pensa.
Às vezes o livro fica meio enfadonho, pois uma série de estatísticas são apresentadas umas após as outras, e é fácil dispersar e perder a linha de raciocínio. Mas sempre há um resumo ao fim de cada capítulo para ajudar.
O capítulo 8, com a classificação dos brasileiros em segmentos, foi o que mais me agradou. É difícil encaixar cada indivíduo em uma caixinha, mas gostei da separação feita, o que ajudou a compreender como se posiciona politicamente o brasileiro.
Enfim, livro bem bacana para entendermos o nosso país na atualidade. Leitura rápida que deixo aqui recomendada.
Brasil no espelho se propõe a fazer uma radiografia do povo brasileiro e o reflexo que surge a partir da pesquisa não é dos mais deslumbrantes.
Algumas informações já eram de se esperar. Religiosidade extremada, crença meritocrática, sensação de insegurança generalizada, machismo enraizado. Mas há também algumas descobertas surpreendentes, que não vou estragar aqui. Vale a leitura do livro para conhecê-las. Nem tudo é ruim ou está perdido.
A obra é bem mais descritiva do que analítica, mas ela cumpre um papel importante em desvendar tendências e médias atuais do povo brasileiro.
Na minha opinião, o ponto forte do livro é a criação de nove categorias identitárias da sociedade (conservadores cristãos, classe DE, agro, progressistas, militantes de esquerda, empresários, liberais sociais, empreendedores individuais, extrema direita).
Com base em um método de clusterização de dados, Felipe Nunes e a equipe da Quaest utilizaram 197 variáveis para segmentar os comportamentos e valores de cada grupo. É óbvio que há uma sobreposição entre algumas categorias, mas o autor explica que há um fator preponderante para colocar uma pessoa em um grupo e não em outro. Por exemplo, 100% dos indivíduos que estão segmentados como extrema direita (3% da população geral) não tem apreço democrático, sendo o único segmento com essa visão autoritária. Por esse motivo, Felipe Nunes não confunde a extrema direita com os conservadores cristãos, que apresentam alguns posicionamentos morais parecidos aos da extrema direita, mas que permanecem dentro de um aspecto democrático.
Acredito que é uma boa leitura para um ano de eleições presidenciais e um bom ponto de partida para se discutir os avanços e retrocessos da sociedade brasileira.
O livro se propõe a fazer algo muito interessante e rico: conseguir propor uma forma de divisão ideológica para os brasileiros que faça sentido com a nossa realidade. No meio dos achados da pesquisa existem muitas coisas legais e contra intuitivas. Por tudo isso eu daria 5 estrelas.
Há muitos gráficos e alguns parágrafos com estatísticas descritivas em sequência que pode confundir as pessoas. Eu pessoalmente gostei, mas tenho apreço e familiaridade com métodos quantitativos de pesquisa e estatística. Alguns leitores mais aversos a números podem se confundir ou se cansar de ler muitas % seguidas. Embora eu deva dizer que, na maioria das vezes, o número exato não é a mensagem que o Felipe quer passar.
Há dois pontos que me deixaram com ressalvas e com um certo ceticismo a alguns achados e conclusões do livro. Em alguns capítulos, há discrepâncias entre os valores escritos no texto e os mostrados nos gráficos, como por exemplo, o texto dizer “52% respondeu X”, mas o gráfico de referência mostrar 40%. Isso me deixou com dúvidas a respeito de qual informação era a correta e me fez questionar algumas frases conclusivas.
O outro ponto se refere à formulação de algumas perguntas que foram feitas, que acredito que possam ser interpretadas de formas ambíguas a ponto de acabar levando grupos distintos a responderem a mesma coisa e serem lidos como incongruentes, ou às vezes inflando a percepção sobre um tópico.
De forma geral, um livro interessante, que provoca boas reflexões e pensamentos. Desafiou várias visões que tinha sobre alguns grupos no país. Mas que deve ter seus resultados levados com cautela. Eu adoraria que houvesse um material suplementar técnico com detalhes metodológicos para quem tivesse interesse (como eu kkkkk).
O livro é dividido em 10 capítulos e acho que as mensagens mais claras sobre o "mosaico" social brasileiro estão na introdução (Cap. 1) e nos capítulos 8, 9 e 10. O meio do livro se parece mais com um relatório técnico, por vezes prolixo que peca em disponibilizar um excesso de estatísticas descritivas, ao invés de construir uma narrativa mais coesa. Não é uma leitura ruim, mas o uso (excessivo) ilustrativo das estatísticas descritivas é sacal, no mínimo, chegando a ser confuso algumas vezes somente pelo excesso sequencial mesmo.
Acho que deve ter sido um trabalho hercúleo conduzir a pesquisa, processar os dados e, principalmente, analisar e sintetizar os achados e, por isso, achei valiosos os capítulos finais que trazem esse panorama de uma forma mais objetiva e coesa.
Houve um pecado importante do autor ao falar sobre como a questão da sexualidade (e tolerância às diferentes formas de sexualidade) vem evoluindo com as gerações. Ele afirma que a sexualidade não é uma questão para a Geração.com (nascidos entre 2000 e 2009) e acho que essa é uma interpretação errada e míope dos achados da pesquisa. Poderia ser correto dizer que é uma questão menos expressiva comparativamente às gerações anteriores, mas afirmar categoricamente que não é uma questão passa por cima das ainda existentes e vastas complexidades enfrentadas pelas pessoas jovens não-heterossexuais no Brasil.
É um bom livro para quem busca uma caracterização da população brasileira em diversos aspectos, passando por valores, religiosidade, ideologia e até gosto musical. O autor traz bons argumentos e apresenta uma tese sólida de como pensa o povo de maneira geral.
No entanto, três coisas me incomodaram:
Primeiro, a falta de revisão do livro como um todo.
Em diversas vezes os gráficos não apresentam as mesmas informações que são descritas ao longo do texto. Exemplos: - O gráfico da p. 47 não corresponde ao que é dito no primero parágrafo da p. 48. - O gráfico da p. 53 não corresponde ao que é dito no final do último parágrafo da p. 52. - Na p. 65, parece haver um problema na legenda das cores, de acordo com o descrito na p. 64. - Na p. 179, o gráfico não está de acordo com o segundo parágrafo da mesma página. - Na p. 195, o gráfico mostra os valores em porcentagem quando deveriam estar em valores absolutos.
Segundo, a falta de clareza no desenho de certas perguntas e falta de cuidado do autor na hora de interpretar os resultados.
O maior exemplo, pra mim, está na pergunta "Hoje em dia é preciso ter mais de um trabalho para complementar a renda", cujas possíveis respostas eram "Concordo", "Discordo", "Não concordo nem discordo" e "Não sei". Com base nela, o autor conclui que "Entre os brasileiros que ganham até um salário mínimo, 89% precisam ter mais de um trabalho para sobreviver" (p. 66). Essa conclusão volta a aparecer em outras partes do livro (ex: p. 215). A frase mencionada faz parecer que uma proporção muito grande de pessoas possui mais de um emprego, o que é totalmente incompatível com os dados da PNAD-C/IBGE ou dados parciais do mercado formal como a RAIS/MTE. Para uma breve comparação, o percentual oficial de pessoas com mais de um emprego no 3º tri de 2025 não chega a 4% [1]. Uma interpretação alternativa, e mais factível, é a de que as pessoas interpretam "precisar" diferentemente de "ter". Embora exista uma percepção geral de é preciso ter mais de um trabalho para sobreviver, poucas pessoas de fato o tem.
Mas existem outros exemplos, como as perguntas "Um homem pode ser gay mas não precisa ser afeminado" (que pode tanto ser fruto de um preconceito, quanto de uma aceitação de que gays não precisam seguir determinados esteriótipos) e "A homossexualidade é justificável" (embora o autor explique que o uso do último termo se deu para maior comparabilidade internacional - "justifiable"- a frase parece difícil de interpretar no Brasil, onde seria mais comum opinar sobre se a homossexualidade é "aceitável", "deve ser tolerada", etc.)
Terceiro, a ausência de informações metodológicas mais profundas que permitam ao leitor ter uma visão crítica da pesquisa.
Por exemplo, a separação dos grupos no Cap. 8 me incomodou bastante. Para mim é problemático que ele realize um agrupamento de opiniões e busque descrever os grupos, por vezes, em termos sociodemográficos. Por exemplo, no grupo de "empresários", quantos são de fato empresários, e quantos eles representam em relação ao total de empresários? Se uma dessas frações for baixa pode ser uma classificação equivocada, mas o autor não nos dá subsídios para responder a essas questões. O autor também menciona um índice de masculinidade e um de feminilidade sem detalhar como foram construídos (p. 135 e 136). Margem de erro, taxa de não resposta, vieses que podem ter sido introduzidos na realização do questionário também não são detalhados. Entendo que é um livro para um público mais geral, ainda assim poderia ter pelo menos algumas notas de rodapé que permitissem aprofundar em algumas questões.
Incrível trabalho. Demonstra como os diversos grupos de brasileiros se posicionam, como somos heterogêneos e como é complexo entender o que quer o brasileiro. Não existe o conceito de brasileiro médio, mas uma pluralidade sem tamanho. Felipe Nunes e sua equipe capturam bem e organizam o problema pra gente. Formidável Must read se quiser entender a agenda política da eleição 2026
ouvi falar do livro ano passado em um evento. muito interessante. entender sobre fé e política na pespectiva do povo brasileiro se faz cada vez mais importante com a crescente moralização do espaço público. inclusive, um dado específico que o felipe nunes trouxe me ajudou no processo de escrita da minha pesquisa! muito bom
como pesquisadora, fiquei encantada com tantos dados sobre o Brasil e também pela forma como o Felipe descreve as metodologias. em uma época em que brasileiros e latinos estão se descobrindo, ter dados científicos e confiáveis sobre identidade brasileira é ouro.
Felipe traz uma visão detalhada de como o Brasil está dividido e como pena cada segmento. Muito útil para entender a polarização e como pensa cada bolha.