O historiador Bruno Azevêdo mergulha na história íntima de um dos maiores nomes da música brasileira em Minha mãe: Djavan e Dona Virgínia em cinco canções de amor. O livro parte de uma hipótese simples e Djavan teria tomado sua mãe como eu-lírico em algumas de suas canções. É ponto de partida para Azevêdo construir uma investigação literária e afetiva sobre maternidade, memória e música popular. Resultado de uma pesquisa em hemerotecas, entrevistas e arquivos, o livro percorre mais de 800 matérias, entrevistas, críticas e registros públicos da trajetória do compositor alagoano para mapear a presença da mãe, Dona Virgínia Viana, nas letras e nas entrelinhas de sua obra. Da canção “Minha mãe” (1978) às evocações posteriores em “Dupla traição”, “Banho de rio”, “Esquinas” e “Dona do horizonte”, o ensaio revela como a figura materna atravessa a criação de Djavan e como o artista transformou dor, fé e pobreza em beleza e permanência, tudo sob inspiração de Dona Virgínia, lavadeira de roupas que, além de Djavan, criou quatro crianças. Azevêdo escreve com ritmo e lirismo, combinando rigor jornalístico e emoção literária. O resultado é um retrato iné o de um artista consagrado que, ao cantar o amor e a perda, refaz o caminho de volta à infância e à mulher que o ensinou a ver o céu. “É raro um artista tão presente na memória coletiva ter sido tão pouco estudado. Este livro é, antes de tudo, um gesto de carinho”, diz o autor. Minha mãe é também um tributo à força das mulheres negras e mães-solo que sustentaram gerações — e um convite para ouvir Djavan com novos ouvidos.