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O Fim dos Estados Unidos da América

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O Fim dos Estados Unidos da América é uma epopeia, satírica e distópica, que começa com a enigmática entrada da peste nos Estados Unidos da América.
Ted Trash, fascista, extremista de direita, e Left Wing, extremista de esquerda, serão os responsáveis por uma segunda guerra civil no país. Pobres e ricos terão problemas entre si, e não serão poucos.
No meio disto está Bloom, o herói da epopeia, que terá um destino terrível, mas tentará, até ao  m, salvar a América, tendo sempre na cabeça a imagem de uma bela mulher, a mexicana La Rosa, que um dia conheceu num estádio.

São várias as personagens desta epopeia. Johnston Bonne, engenheiro informático, maluco em absoluto, anarquista, tentará com processos alquímicos, e alguns fumos e festas exuberantes, ajudar o país. Jonathan & Mary, ativistas, no meio de tendas e algum nudismo, tentarão até à última lutar pelas suas utopias. Tirésias, profeta cego, fará oráculos decisivos. O Dr. Robert, cientista, amigo de Bloom, tentará, com o seu racionalismo, e por vezes com Deus a ser chamado, uma solução. James, o coveiro, exercerá a sua função de forma exemplar, e Mack Morris, um adorador de nuvens, andará por lá, nem sempre a olhar para cima. Moscas tsé-tsé, borboletas e búfalos entrarão também, com diferentes papéis, nesta epopeia. Esta é uma tragédia greco-americana. Pensamentos e ações, se os Deuses quiserem, estarão, portanto, presentes.

912 pages, Paperback

First published November 14, 2025

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About the author

Gonçalo M. Tavares

114 books1,013 followers
Gonçalo M. Tavares was born in Luanda in 1970 and teaches Theory of Science in Lisbon.
Tavares has surprised his readers with the variety of books he has published since 2001. His work is being published in over 30 countries and it has been awarded an impressive amount of national and international literary prizes in a very short time. In 2005 he won the José Saramago Prize for young writers under 35. Jerusalém was also awarded the Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007 and the LER/Millenium Prize. His novel Aprender a rezar na Era de Técnica has received the prestigious Prize of the Best Foreign Book 2010 in France. This award has so far been given to authors like Salmon Rushdie, Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez and Colm Tóibín. Aprender a rezar na Era da Técnica was also shortlisted for the renowned French literary awards Femina Étranger Prize and Médicis Prize and won the Special Price of the Jury of the Grand Prix Littéraire du Web Cultura 2010. In 2011, Tavares received the renowned Grande Prêmio da Associação Portuguesa de Escritores, as well as the prestigious Prémio Literário Fernando Namora 2011. The author was also nominated for the renowned Dutch Europese Literatuurprijs 2013 and was on the Longlist of the Best Translated Book Award Fiction 2013.

Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas-metragens e objectos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, performances, projectos de arquitectura, teses académicas, etc.
Estão em curso cerca de 160 traduções distribuídas por trinta e dois países. Jerusalém foi o romance mais escolhido pelos críticos do Público para «Livro da Década».
Em Portugal recebeu vários prémios, entre os quais, o Prémio José Saramago (2005) e o Prémio LER/Millennium BCP (2004), com o romance Jerusalém (Caminho); o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores «Camilo Castelo Branco» (2007) com Água, Cão, Cavalo, Cabeça (Caminho). Recebeu, ainda, diversos prémios internacionais.

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6 (6%)
1 star
3 (3%)
Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for Nelson Zagalo.
Author 14 books484 followers
Read
December 8, 2025
Li os primeiros capítulos de "O Fim dos Estados Unidos da América" e confirmei algo que já sentia com outros livros de Gonçalo M. Tavares: a sua escrita não me toca. Ele não parte da experiência humana, mas da racionalização da estética. A linguagem parece sempre construída a partir de um programa, não de uma necessidade interna. O resultado, para mim, é um texto empastelado, distante, mais preocupado em mostrar um dispositivo estilístico do que em criar verdade literária.

A sátira aos EUA soa-me gasta, herdeira de críticas dos anos 1990, sem novidade conceptual ou emocional. A mistura entre mitologia grega, slogans políticos e ritmo sincopado produz energia formal, mas pouca substância humana. Senti que estava a ler um exercício, não uma obra com vida própria.

Haverá quem aprecie o virtuosismo técnico; eu fico-me pela presença com risco.

Nota: Depois de ler estes capítulos, vi "One Battle After Another" (2025), de Paul Thomas Anderson, e percebi que o desconforto é o mesmo: uma estética de caos que tenta imitar Pynchon, mas sem a sua profundidade histórica, política ou humana. Escrevi sobre isto no Narrativa X: https://narrativax.blogspot.com/2025/...
Profile Image for Paulo Reis.
169 reviews13 followers
January 1, 2026
Cinco estrelas por ter chegado ao final desta epopeia de 900 páginas — sátira algo abstrata, início (de demasiadas coisas) e fim (porque não se irá repetir) de um livro único na literatura portuguesa.

Agora vou deixar a leitura repousar. O tempo ditará o significado deste mês passado na companhia da “linguagem do meio”, “nem prosa, nem poesia, bem pelo contrário”, um laboratório onde entrava para observar a alquimia de um dos autores mais inovadores da atualidade a escrever em língua portuguesa.
Profile Image for Tiago Diogo.
88 reviews32 followers
February 19, 2026
"Bloom está cego, La Rosa está grávida, a vida prossegue.
Mas sim, coisa estranha, La Rosa é pobre, Bloom não."
Profile Image for Inês.
231 reviews
April 8, 2026
Sou fã do M.Tavares mas este livro precisava de ter sido melhor editado.
Profile Image for Vicente.
143 reviews14 followers
January 31, 2026
A escrita de Gonçalo M. Tavares, não sendo consensual, não pode, no entanto, deixar de ser celebrada pela sua diversidade e pela forma como congrega pensamento em torno do acto literário.
As características de "O fim dos Estados Unidos da América" acentuam estas dissonâncias, ao mesmo tempo que reforçam o papel absolutamente central e de destaque do autor na literatura portuguesa e, pelo menos, europeia. É uma obra complexa, carregada de modelos simbólicos e de referências literárias que se funda dessa riqueza cultural e histórica que tem alimentado a ideia generalizada de uns Estados Unidos em ebulição.
Como factor menos positivo sublinho a (quase) oposição entre o projecto literário e a estrutura narrativa que não me parece totalmente capaz de oferecer um enredo redondo, isto é, um enredo que responda aos anseios do leitor que se depara com uma narrativa que se anuncia como bem conduzida e falha um pouco na apresentação de resultados práticos.
Durante a leitura saltam à vista as referências bíblicas (o projecto de construção de uma espécie de arca de Noé é o ponto mais alto, já próximo do final da obra), as alusões à literatura clássica, com a tragédia grega na dianteira (personagens, enredos, oráculos, máximas...), a literatura portuguesa da expansão - para não falar em Lusíadas e assustar os mais delicados -, impossível anunciar uma epopeia e não pensar numa associação com as epopeias históricas (a descrição das nuvens que se apresentam em constante e turbulenta navegação num mar feito de céu ou as lutas homéricas dos projectos políticos de algumas personagens), ou até mesmo o Quixote nas suas façanhas irónicas e cómicas (o que é a viagem de Bloom pelo país com o seu fiel amigo se não uma alusão clara à obra maior da história da literatura?).
E sempre a ironia ao lado do pensamento. A ironia como estratégia do pensamento a mostrar-nos a destruição de um país a partir daquilo que de melhor esse país tem para nos dar. A narrativa cresce em grandeza e velocidade à mesma proporção do virar de páginas, num ritmo frenético que, no meu caso, falha a nota máxima porque o enredo não consegue tornar-se circular, e o leitor que há em mim priveligia um enredo bem estruturado narrativamente. Uma das grandes obras da literatura portuguesa deste século, sem dúvida.
Profile Image for Tania Zaragoza.
15 reviews
April 3, 2026
"Estatística como modo de desmoralizar o destino. Entre a estatística que tudo nivela - e dá as mesmas oportunidades democratas a dois sujeitos humanos - e o destino, necessariamente antidemocrata, tudo entre os dois é distinto e não comunica."
Profile Image for Ana Hernández.
8 reviews
April 15, 2026
Acabei de ler O Fim dos Estados Unidos da América, de Gonçalo M. Tavares, e o que mais se impõe não é apenas o seu conteúdo, mas a escolha formal que o sustenta. A adoção de uma estrutura próxima da epopeia — hoje pouco frequente e ainda menos “segura” do ponto de vista editorial — não funciona aqui como ornamento, mas como deslocação: obriga o leitor a confrontar-se com um ritmo e uma lógica que contrastam com a rapidez e a simplificação dominantes.

Esse desfasamento formal torna-se particularmente produtivo quando articulado com o universo que o livro constrói. Através de um humor negro constante, Tavares fixa-se nos objectos, nos gestos e nas relações que organizam o quotidiano contemporâneo, compondo um retrato onde a experiência humana surge frequentemente esvaziada de densidade. Não se trata, contudo, de uma ausência ingénua de profundidade, mas de uma espécie de superfície insistente, quase programática, que parece reproduzir — e ao mesmo tempo expor — uma determinada forma de vida.

Nesse sentido, o livro não procura recuperar grandes afectos nem dramatizar a condição humana nos moldes clássicos; pelo contrário, mantém-se numa zona de contenção que pode, à primeira vista, parecer pobre. Mas é precisamente aí que reside a sua força: ao recusar a intensidade, aproxima-se de uma sensibilidade contemporânea marcada por narrativas simples, conflitos reduzidos e uma certa economia emocional que encontramos, não raras vezes, nas formas culturais mais difundidas.

O resultado é um texto que, mais do que afirmar, observa e organiza. E é nessa organização — entre forma e matéria, entre distanciamento e repetição — que se torna possível ler não apenas uma crítica, mas um diagnóstico discreto daquilo que somos capazes (ou incapazes) de sentir e pensar hoje.
Profile Image for Sofía Gould.
1 review5 followers
Read
April 25, 2026
Personalmente, no conecté con el libro, su estilo me resultó excesivo, demasiado rebuscado y, por momentos, más preocupado por construir una apariencia de complejidad que por sostenerla. Se siente, en gran medida, como un ejercicio estilístico que confunde ambición con profundidad. La fragmentación, que podría leerse como reflejo de un mundo caótico, termina funcionando más como una acumulación de ideas. Aunque apunta a temas como el poder o el colapso contemporáneo, siento que no les da el desarrollo ni la atención filosófica suficiente, quedándose más en intuiciones dispersas que en una verdadera exploración. Entiendo y valoro el intento de hacer algo distinto, de alejarse de una narrativa tradicional y proponer una especie de epopeya, pero para mí fue demasiado. Hay imágenes interesantes y ciertos momentos donde algo parece avanzar, lo suficiente como para mantenerme leyendo, pero en general me costó encontrar un hilo que justificara el esfuerzo que exige. Más que una experiencia profunda, me dejó la impresión de un experimento que prioriza la forma sobre el fondo, sin ofrecer esa recompensa que otras obras experimentales logran sostener.
Profile Image for Anaísa.
5 reviews18 followers
February 28, 2026
“Se não esqueceres a palavra ainda, terás salvação - no naufrágio, na explosão, na queda, no acidente atómico e na peste. O ainda salva: é bóia, colete antibala, bunker.”

Gonçalo M. Tavares faz-nos refletir sobre as coisas mais simples, nas palavras mais comuns e usadas no dia-a-dia, às quais provavelmente nunca tínhamos oferecido 2 minutos de pensamento.

A meio do livro dei por mim parada a olhar para o nada, refletindo sobre a palavra: ainda.
“Realmente”, pensei, “o André Ventura ainda não é Presidente nem Primeiro Ministro. O Trump ainda não invadiu a Gronelândia. O Putin ainda não conquistou a Ucrânia.”
E ganhou assim, o “ainda”, uma nova perspetiva, à qual me afeiçoei e sinto que vou para sempre levar para a vida.

De facto, o ainda é esperança, é uma espécie de bolha de oxigénio no meio do caos.
Porque enquanto vivermos no ainda, há esperança que o ainda nunca venha a acontecer.

Obrigada, Gonçalo.
Profile Image for Gonçalo Martins.
62 reviews
February 13, 2026
Tudo o que habita lugar nenhum ou demasiado distante é coisa para deuses pacientes, seres com tempo distinto; com calendário onde os séculos são os nossos dias. Se o atual está lá ao longe, a vida passa a ser à distância - sem pele nem toque, sem cheiro puhhh ou maravilhoso, sem capacidades gustativas, sem som, pisadela de pé ou beijo súbito, a vida passa a ser o sítio exato onde não estamos. (p. 324-325)
Profile Image for João Duarte.
142 reviews4 followers
April 8, 2026
"E está uma civilização inteira nesse abrandamento,
nesse bem menos que poderia ser bem mais.

Mas sim, quem dará atenção, depois de tantos em tanto sítio,
ao SOS, três letras no solo do Death Valley?
(...)
Ninguém e nada na atitude certa de leitor
- nem muito para cima, nem ao nível do chão -
traduzirá aquelas letras em auxílio imediato; há demasiados
pedidos de socorro em marcha;
bem mais perigo no mundo do que possibilidades de salvação."
(página 452)
Profile Image for Belisa Nogueira.
120 reviews9 followers
December 11, 2025
"Esta é uma sátira e uma distopia.
Não é tanto distopia porque é uma sátira: não é tanto sátira porque é uma distopia."

"Bloom observa as dezenas de doentes terminais.
São humanos reduzidos a cinzas,
ainda com respiração mínima e anatomia.
Desapareceram por completo ideias políticas.
No corpo com peste, a pólis é coisa abstrata e afastada."
5 reviews
May 1, 2026
Uma sátira que, para além dos Estados Unidos, se aplica ao mundo atual, escrita de forma única e geometricamente cortante que invoca o constante questionamento sobre a humanidade
Profile Image for Gonçalo Patricio.
2 reviews
May 13, 2026
Só tinha lido até hoje, a obra, "Jerusalém" e adorei. Queria ler mais obras do autor e optei por esta. Foi um livro duro de ler, parecia que a história não se desenvolvia e tinha demasiados personagens laterais. Os clichês sobre os EUA estão datados e não acrescentam muito. Percebo a óptica de tentar demonstrar a decadência da sociedade, mas ficou aquém das minhas expectativas.
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