Dark Fantasy não é meu gênero favorito, prefiro acompanhar jornadas com um tom menos sombrio, mas 'O Portador do Fim' brinca com a tolerância do leitor, equilibrando cenas bastante gráficas com muito sangue e personagens cativantes que nos provocam a seguir em frente.
Quem está acostumado com leituras mais fáceis, provavelmente se sentirá desafiado por esse livro. Acredito que essa é a intenção do autor: desafiar quem o lê o tempo todo, seja pelo vocabulário mais rebuscado ou nos instigando a saber até onde vai a obstinação do protagonista em sua missão de descarte - embalando tudo isso em um ambiente fantástico, onde as maiores lições chegam de forma brutal.
Senti que alguns mistérios da trama demoram a chegar, mas quando se apresentam, fazem o leitor engatar em uma montanha-russa que só vai parar na última página. Essa demora não é tão problemática por um simples motivo: construção de personagens.
Me vi em profunda tristeza quando um personagem "do mal" encerra seu arco na trama. No fundo, sempre torci para que fosse "do bem". Seria mais um dos desafios do autor? Em outra passagem, aparentemente clichê em livros de fantasia, vi meu estômago afundar com uma pergunta decisiva sobre a índole de uma figura importante. Navegar entre o certo e o errado, o sabido e o desconhecido, e principalmente nas nuances de cada personagem é um dos pontos altos da história.
Por fim, o dilema principal - se Raca vai realizar o descarte da demônia que carrega aprisionada em uma garrafa - é sustentado até o último momento, sem dar brechas para que nós, leitores, saibamos o que vai acontecer. Em uma jornada sofrida, porém cativante, você vai querer seguir até a última palavra.
Ps: acho que a representação de sanguessugas deveria ser banida em qualquer história, ô troço AGONIANTE.