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O Cristo Cigano

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Publicado pela primeira vez em 1961, encontramos neste livro uma expressiva influência que sobre ele teve João Cabral de Melo Neto, um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos e outra das vozes maiores da língua portuguesa. No prefácio de Rosa Maria Martelo a esta edição podemos ler que «[…] O Cristo Cigano é um livro absolutamente singular no conjunto da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, ao que não será alheio o facto de ter sido escrito sob o signo do encontro da autora com um poeta que também tinha a paixão da geometria e do concreto e a mesma solidariedade com o sofrimento humano.»

40 pages, Paperback

First published January 1, 1961

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About the author

Sophia de Mello Breyner Andresen

107 books584 followers
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que não concluiu. Foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores e Deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista (1975). A sua obra reparte-se pela ficção e pela poesia, embora seja nesta última que a sua inspiração clássica dá ao seu verso uma dimensão solar e luminosa, que permite ouvir nitidamente a palavra com todo o peso da sua musicalidade limpa, ao encontro do modelo clássico. Entre as suas obras poéticas contam-se Coral (1950), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) e O Búzio de Cós e Outros Poemas (1997). Em ficção publicou Contos Exemplares (1962) e Histórias da Terra e do Mar (1983). Da sua literatura infantil destacam-se O Rapaz de Bronze (1956), A Menina do Mar (1958), A Fada Oriana (1958), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). Em 1999 é-lhe atribuído o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra, e em 2001 ganha o Prémio Max Jacob de Poesia. Foi condecorada pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1998. Faleceu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004.

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6 (2%)
Displaying 1 - 30 of 30 reviews
Profile Image for Luís.
2,387 reviews1,381 followers
November 19, 2025
The story of this poetry book is told in a nutshell: his insane search for an ideal image of Christ expiring under an order that the sculptor had received in 1682, for a chapel, to the point of the artist stabbing a gipsy to try to faithfully reproduce the agonized image of Christ. This gipsy, named Dog, was recognized by the population as the subject of the sculpture, which was called the Christ Dog and can be seen in the Basilica de Cristo de la Expiración, also known as the Church of the Dog, in Triana, Seville.
Profile Image for Paula Mota.
1,677 reviews570 followers
August 4, 2025
VI
SOLIDÃO
A noite abre os seus ângulos de lua
E em todas as paredes te procuro

A noite ergue as suas esquinas azuis
E em todas as esquinas te procuro

A noite abre as suas praças solitárias
E em todas as solidões eu te procuro

Ao longo do rio a noite acende as suas luzes
Roxas verdes azuis.

Eu te procuro.


Reli "O Cristo Cigano" porque achei curioso esta poeta portuguesa fazer parte do vestibular da USP em 2026, o exame de admissão à Universidade de São Paulo. Imagino o quão subversivo seria se em Portugal estudassem também obras dos PALOP no ensino secundário. Uma lufada de ar fresco num bafio de décadas, diria eu.
Reza a história que este poema se baseia numa lenda que João Cabral de Melo Neto, o poeta de "A Escola das Facas", contou a Sophia sobre um escultor.

A PALAVRA FACA
A palavra faca
De uso universal
A tornou tão aguda
O poeta João Cabral
Que agora ela aparece
Azul e afiada
No gume do poema
Atravessando a história
Por João Cabral contada.
Profile Image for José Simões.
Author 1 book52 followers
October 3, 2020
Sophia é Sophia e o resto é conversa. Mas nem sempre a conversa de Sophia convence. Este é um dos casos em que o cantar da poeta parece menor, ponto de passagem sem grandes sobressaltos nem surpresas. Um bom livro, com certeza, mas não mais.
Profile Image for Diego Arango.
59 reviews2 followers
March 19, 2024
Tudo o que em mim vive
Traz dentro uma faca
O teu amor em mim
Que por dentro me corta

O teu amor em mim
De tudo me separa
No gume de uma faca
O meu viver se corta
Profile Image for Danilo Teobaldo.
10 reviews
September 22, 2025
,,Onde a tua imagem
Onde o teu retrato
Nas tardes serenas
Nos frutos redondos
Nas crianças puras
Nas mulheres criando
Com seus gestos vida?"


Uma gema inspirada pelo Barroco. Chiaroscuro ovunque.
Aqui, uma simples lenda é transmitida, com a agudeza da "palavra faca" — de forma objetiva e antilírica — porém ainda tocante. Compensa virarmos a cara ao sofrimento? Vivermos no nosso mundo hedonista e idealizado de prazeres? São algumas das perguntas que este poema pode lhe trazer.
A história é direta: um escultor é incumbido da tarefa de esculpir Cristo morrendo na cruz. Para tal, ele recorre ao assassinato de um cigano, a fim de captar com fidelidade extrema o sofrimento humano, desafiando as fronteiras entre arte, vida e morte.
31 reviews
January 7, 2025
O Cristo Cigano (1961), de Sophia de Mello Breyner Andresen, é uma obra que combina elementos do Modernismo e do Barroco, criando um diálogo entre estéticas distantes no tempo. Inspirada por uma lenda sevilhana contada pelo poeta João Cabral de Melo Neto, a obra narra a busca de um escultor por inspiração para criar a face de Cristo, um processo que culmina com a morte de um cigano e a revelação artística.

CONTEXTO E TEMÁTICA
• Fonte de inspiração: A lenda do "Cristo Cachorro", relacionada à criação da escultura Cristo de la Expiración, que teria usado a expressão agonizante de um cigano como modelo.
• Tema central: Os 12 poemas narram a busca de um escultor por inspiração, que culmina na face do cigano moribundo, usada como modelo para sua escultura de Cristo. A trajetória do escultor, desde a angústia criativa até o encontro com o cigano, simboliza o conflito interno do artista e a ligação indissociável entre a vida e a morte.
• Diálogo entre tradições: A obra ilustra o conceito de "tradição da ruptura", de Octávio Paz, ao unir traços da literatura clássica, barroca e moderna.

ESTILO BARROCO
• Contrastes e paradoxos: Luz e trevas, vida e morte, sagrado e profano permeiam os poemas. O título, O Cristo Cigano, simboliza o paradoxo entre "Cristo" (fé cristã) e "cigano" (misticismo e marginalidade).
• Fusionismo e chiaroscuro: A fusão de elementos opostos e o uso do jogo de luz e sombra são marcantes na obra.
• Naturalismo e Tragédia: A morte e o sofrimento são descritos de forma detalhada, como no poema "X – Aparição", onde o cigano é retratado em agonia, com imagens vívidas do sangue, do suor e da perda de beleza física.
• Erotismo e Sobrenatural: A sensualidade emerge na cena do cigano se banhando no rio, contrastando com sua futura morte, conectando temas terrenos ao espiritual.

INFLUÊNCIA JOÃO CABRAL DE MELO NETO
• Estilo lapidado: A obra reflete o rigor e a clareza da poesia cabralina, como em "A Palavra Faca", que homenageia o poeta brasileiro. A "faca" simboliza a metalinguagem e o processo criativo, sendo um signo de corte, precisão e transformação.


MODERNISMO E HIBRIDISMO
• Intertextualidade: O livro dialoga com múltiplas tradições literárias e artísticas, integrando o passado e o presente.
• Inovação dentro da obra de Sophia: Considerado uma ruptura em sua produção, O Cristo Cigano foi, por um período, isolado pela autora do restante de sua obra, devido à sua singularidade.

VESTIBULAR:
• Conexão com o Barroco: Explique como os temas da obra dialogam com a estética barroca, destacando o uso de imagens contrastantes e temas universais como morte e agonia.
• Fusão de Tradições: Analise como a obra mistura elementos da literatura oral, modernismo e barroco, reforçando a ideia de que a modernidade é plural e híbrida.
• Leituras Comparativas: Relacione os traços da poesia de Sophia com os de João Cabral, usando "A Palavra Faca" como exemplo-chave dessa interação.
• Impacto Visual e Sensorial: Observe como a autora utiliza imagens para provocar sensações e construir o drama poético
• Relevância literária: A obra demonstra como Sophia de Mello Breyner Andresen transita entre estilos, promovendo uma leitura rica em intertextualidade e simbolismo.
• Aspectos filosóficos e sociais: Explora a condição humana e a luta do artista com seus dilemas internos, temas universais que podem ser analisados sob diferentes perspectivas.
Profile Image for Yuki K.
2 reviews
Read
May 11, 2025
a forma como a autora descreve uma narrativa que caberia tranquilamente em umas 200 páginas em apenas alguns poemas e com metáforas lindas e densas me fizeram ficar apaixonada por essa forma de escrita, lindo demais
Profile Image for Bambino.
127 reviews5 followers
November 29, 2018
atenção: SPÓILA!

...

se fosse citar parte do poema este desabaria que nem castelo de cartas, colossal, equilibrado nos dorsos electrizados de gnus em fuga para comprar plasmas numa Black Friday.

comprei o livro algures nos arrabaldes de 1998 porque o título enfeitiçava como labaredas no céu da boca de uma bailarina gigantesca (do tamanho de um prédio de sete andares) num parque de estacionamento abandonado - o casal de jovens que desbravava intimidades nem podia acreditar nos seus olhos.

começa com poemas um pouco fracos mas depois acelera para um abismo impressionante. evolui, milímetro a mílimetro, como a dolorosa faca que ensinou o cigano a dormir para sempre. evolui também nos olhos do cigano, ainda vivo, que pousa para ser Cristo e vê o bloco de madeira despir-se, lasca a lasca, para ganhar vida. evolui como a dor do pobre escultor.
Profile Image for Carla Parreira .
2,056 reviews3 followers
Read
May 22, 2025
A obra é composta por 12 poemas curtos que abordam a lenda de um escultor em Sevilha no século XVII. O escultor recebe a encomenda de criar uma estátua de Cristo no momento da expiração, mas enfrenta dificuldades para representar essa cena. Em sua busca, ele decide matar um cigano para observar a expressão da morte, resultando em uma escultura que, ao ser apresentada, é reconhecida pela população como a face do cigano. A narrativa revela a influência de João Cabral de Melo Neto na obra, que inspirou Sofia a escrever os poemas. A análise dos poemas começa a fazer sentido após a compreensão da lenda, onde elementos como a "faca" se tornam simbólicos, representando tanto a arma do crime quanto a ferramenta do escultor. Os poemas exploram temas como destino, morte e a busca pela verdade na arte, refletindo a complexidade da criação artística e a relação entre o artista e sua obra.O escultor, em sua busca pela morte, reflete sobre sua incapacidade de encontrá-la em um dia ensolarado, cercado por rosas e trigo. Ele se sente perdido, sem saber como proceder, e questiona quem o enviou para essa missão. Através dos poemas, ele expressa sua angústia e a busca desesperada por um corpo que represente a face da morte, que permanece oculta para ele. Ao encontrar o cigano, que aparece como uma figura solitária e bela à margem do rio, o escultor se vê dividido entre a admiração e a necessidade de cumprir seu destino trágico. A descrição do encontro é marcada por uma beleza efêmera, contrastando com a brutalidade do ato que se aproxima.

Nos poemas seguintes, a transformação do corpo do cigano em um símbolo da morte se torna evidente. O escultor, ao descrever a agonia e a dor, finalmente encontra a face que procurava, revelando a essência da morte em sua forma mais crua. A narrativa culmina na execução do ato, onde a rapidez e a violência do golpe são retratadas de forma impactante. O corpo do cigano, antes vibrante, agora se torna um reflexo da dor e da morte, completando o ciclo da criação artística do escultor.

O final da obra destaca que o modelo do escultor não foi a beleza da vida, mas sim a face da morte, encerrando a lenda de maneira contundente. A obra, embora breve, carrega uma profundidade que justifica sua inclusão na lista de leituras obrigatórias para o vestibular de 2026, refletindo a influência de João Cabral de Melo Neto.
Profile Image for Arthur  Vaz.
10 reviews
December 31, 2025
Minhas experiências com poesia até então haviam sido resumidas a literatura escolar, tediosos textos complicados e sem sentido imediato e claro, mas que curiosamente me despertavam uma atração principalmente nas questões gramaticais. Este livro, talvez por se tratar de uma história completa, me foi uma experiência deliciosa, tendo começo, meio e fim claros, algo que me impressionou enormemente não só por ser poesia mas também por ser bastante pequeno. Vi-me extremamente cativado e absorvido durante a leitura e ao fim extremamente satisfeito internamente, como quem acabara de ler um calhamaço com páginas e páginas de desenvolvimento da trama e um fechamento perfeito, porém nesse caso, um calhamaço de 13 páginas.
Profile Image for bomba.
10 reviews
August 28, 2025
eu entendi tudo errado!!! (kkkkkk)

anotação que fiz depois de ler sem ter o mínimo de entendimento externo sobre a obra: "um escultor tem sua morte predita por homens escuros que alegorizavam o destino, logo o homem vive o resto de sua vida buscando por ela, a morte, em momentos de alegria, momentos simples que viriam acontecer. no fim, ele comete suicídio de tanto esperar por ela, apunhalando-se no flanco. assim ela aparece, esculpida no seu rosto."
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Ayumi.
12 reviews
December 22, 2025
Eu não sei como que uma pessoa consegue pensar numa coisa dessas, foi praticamente o livro de poesia mais difícil que eu já li, mas com ajuda da professora Lu maravilhosa foi uma das melhores experiências literárias que eu já recebi. No começo do livro eu era uma pessoa, no final do livro eu era a mesma pessoa (porque não entendi nada), mas no final da palestra da Lu eu era uma pessoa totalmente diferente, mais crítica com o mundo.
Profile Image for Filipa.
4 reviews
August 24, 2022
Reconheço que a minha pontuação talvez possa estar enviesada pelo meu reduzido contacto com a poesia e falta de conhecimento abrangente sobre esse género literário. Em todo o caso, neste pequeno livrinho não houve nenhum poema que me tenha chamado à atenção ou tocado particularmente. (Ao contrário de outros poemas da própria Sophia de Mello Breyner Andresen.)
Profile Image for theo ‹3.
65 reviews
July 11, 2025
ler foi mais fácil do que achei que seria (talvez por eu amar poesia)

“Tudo o que em mim vive
Traz dentro uma taca
O teu amor em mim
Que por dentro me corta

O teu amor em mim
De tudo me separa
No gume de uma faca
O meu viver se corta”
70 reviews5 followers
December 22, 2022
Do dia nada sei. Com uma faca limpa me libertarei.
Profile Image for Cristiana Martins.
142 reviews3 followers
October 15, 2023
"Mas eu te renego e o vento te nega
Com suas mãos frescas
E eu não te pertenço.
Meu corpo é do sol
Minh'alma é da terra."


Um livro à parte dentro da obra poética da autora.
Profile Image for Thamires.
15 reviews
May 26, 2025
Leitura obrigatória da Fuvest.
Sempre bom encontrar a Sophia de Mello Breyner.
73 reviews
September 14, 2025
É uma obra bem curtinha, mas que para o completo entendimento é importante entender o contexto que foi escrita. A autora é maravilhosa.
Displaying 1 - 30 of 30 reviews

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