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Meu livro de cordel

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A simplicidade, a qualidade mais distinta na poesia de Cora Coralina, está mais presente do que nunca em Meu Livro de Cordel. O título é significativo, homenagem da autora "a todas as estórias e poesias de Cordel", e atestado de sua afinidade com "os anônimos menestréis nordestinos, povo da minha casta, meus irmãos do nordeste rude".

Essa simplicidade anda sempre de mãos dadas com um aguçadíssimo espírito de fraternidade e uma sensibilidade aberta à vida e às novidades do mundo. Assim, a poeta tanto estende a mão a todos os perseguidos (no caso, os judeus), num gesto de solidariedade, como presta seu tributo de admiração a Pablo Neruda, poeta descoberto na velhice e que a deixou deslumbrada.
Vários poemas do livro são autobiográficos. Como todo artista, Cora Coralina não cessa de se olhar no espelho, de se indagar, em busca do mistério de si mesma que, no fim de tudo, é o próprio mistério da vida. A segunda parte do livro é toda confessional. “Cora Coralina, Quem é Você?”, indaga a poeta no título de um dos poemas. E responde: "Sou mulher como outra qualquer./ Venho do século passado/ e trago todas as idades".

Mulher como as outras, mas de destino áspero, com o qual lutou de maneira incansável, como conta em “A Procura”, espécie de súmula de sua vida: "Andei pelos caminhos da Vida./ Caminhei pelas ruas do Destino –/ procurando meu signo./ Bati na porta da Fortuna,/ mandou dizer que não estava./ Bati na porta da Fama,/ falou que não podia atender./ Procurei a casa da Felicidade,/ a vizinha da frente me informou/ que ela tinha se mudado/ sem deixar novo endereço./ Procurei a morada da Fortaleza./ Ela me fez entrar: deu-me veste nova,/ perfumou-me os cabelos,/ fez-me beber de seu vinho./ Acertei o meu caminho". Acertou o caminho, sobretudo, quando essa fortaleza começou a se esparramar em poesia

112 pages, Paperback

First published January 1, 2013

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About the author

Cora Coralina

25 books48 followers
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que adotou o pseudônimo de Cora Coralina, era filha de Francisco Paula Lins Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de dona Jacintha Luiza do Couto Brandão. Ela nasceu e foi criada às margens do Rio Vermelho, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa (Goiás). Começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos, publicando-os posteriormente nos jornais da cidade de Goiânia, e nos jornais de outras cidades, como constitui exemplo o semanário "Folha do Sul" da cidade goiana de Bela Vista - Foi um bom autor desde a sua fuaneiro de 1905 -, e nos periódicos de outros rincões, assim a revista A Informação Goiana do Rio de Janeiro, que começou a ser editada a 15 de julho de 1917, apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com a Mestra Silvina. Melhor, Mestre-Escola Silvina Ermelinda Xavier de Brito (1835 - 1920). Conforme Assis Brasil, na sua antologia "A Poesia Goiana no Século XX", Rio de Janeiro: IMAGO Editora, 1997, página 66, "a mais recuada indicação que se tem de sua vida literária data de 1907, através do semanário 'A Rosa', dirigido por ela própria e mais Leodegária de Jesus, Rosa Godinho e Alice Santana." Todavia, constam trabalhos seus nos periódicos goianos antes dessa data. É o caso da crônica "A Tua Volta", dedicada 'Ao Luiz do Couto, o querido poeta gentil das mulheres goianas', estampada no referido semanário "Folha do Sul", da cidade de Bela Vista, ano 2, n. 64, p. 1, 10 de maio de 1906.

Ao tempo em que publica essa crônica, ou um pouco antes, Cora Coralina começa a frequentar as tertúlias do "Clube Literário Goiano", situado em um dos salões do sobrado de dona Virgínia da Luz Vieira. Que lhe inspira o poema evocativo "Velho Sobrado". Quando começa então a redigir para o jornal literário "A Rosa" (1907). Publicou, nessa fase, em 1910, o conto Tragédia na Roça.

Em 1911, fugiu para o estado de São Paulo com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, que exercia o cargo de Chefe de Polícia, equivalente ao de secretário da Segurança, do governo do presidente Urbano Coelho de Gouvêa - 1909 - 1912, onde viveu durante 45 anos, inicialmente nos municípios de Avaré e Jaboticabal onde nasceram seus seis filhos: Paraguaçu, Eneas, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Ísis e Eneas morreram logo depois de nascer. Em (1924), mudou para São Paulo. Ao chegar à capital, teve de permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade.

Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a Praça do Patriarca. Seu filho Cantídio participou da Revolução Constitucionalista de 1932.

Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente, mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, cidade que atualmente, mantém uma casa da cultura com seu nome, em homenagem. Em 1956, retorna a Goiás.

Ao completar 50 anos, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nessa fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás. Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias. Lançado pela gravadora Paulinas Comep, o disco ainda pode ser encontrado hoje em formato CD. Cora Coralina faleceu em Goiânia, de pneumonia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for João .
167 reviews55 followers
November 19, 2019
Revendo o passado,
balanceando a vida...
No acervo do perdido,
no tanto do ganhado
está escriturado:
– Perdas e danos, meus acertos.
– Lucros, meus erros.
Daí a falta de sinceridade nos meus versos.
Profile Image for luquinhas.
52 reviews
Read
January 13, 2026
recomecei e terminei hoje a leitura. versos lindos feitos de pedra. palavras que tentarei levar comigo também, dançando, vivendo.
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