Ursula K. Le Guin published twenty-two novels, eleven volumes of short stories, four collections of essays, twelve books for children, six volumes of poetry and four of translation, and has received many awards: Hugo, Nebula, National Book Award, PEN-Malamud, etc. Her recent publications include the novel Lavinia, an essay collection, Cheek by Jowl, and The Wild Girls. She lived in Portland, Oregon.
She was known for her treatment of gender (The Left Hand of Darkness, The Matter of Seggri), political systems (The Telling, The Dispossessed) and difference/otherness in any other form. Her interest in non-Western philosophies was reflected in works such as "Solitude" and The Telling but even more interesting are her imagined societies, often mixing traits extracted from her profound knowledge of anthropology acquired from growing up with her father, the famous anthropologist, Alfred Kroeber. The Hainish Cycle reflects the anthropologist's experience of immersing themselves in new strange cultures since most of their main characters and narrators (Le Guin favoured the first-person narration) are envoys from a humanitarian organization, the Ekumen, sent to investigate or ally themselves with the people of a different world and learn their ways.
Ela tira-lhe os nomes e outros contos é uma coletânea única montada pela Barricada de Livros. Composta por cinco contos recolhidos em fontes dispersas e um artigo lido numa conferência em homenagem a Robert C. Eliott (Elliott Memorial Lecture Series) - a primeira de uma série de conferências com convidadas de peso como Iris Murdoch ou Isabel Allende -, a escolha pode parecer algo fortuita, mas a sua leitura revela o fio condutor por detrás de uma seleção tão eclética. E é com tremendo espanto que se lêem estes textos, publicados entre 1970/90, nos quais Le Guin joga com os temas que são atualmente tão caros. Neste pequenino livro, do conto que lhe dá início ao ensaio que o fecha, a autora subverte lugares comuns, papéis de género, classes biológicas, distinções metafísicas (abstrato e concreto) e joga com a dimensão utópica - como ideal filosófico, como impossibilidade física, como fórmula para a colonização, como imposição do outro, como sátira:
[A utopia] é criada agora, e está, como disse More ao nomeá-la, em lugar nenhum. É pura estrutura sem conteúdo; puro modelo; objectivo. Esta é a sua virtude. A utopia é inabitável. Assim que a alcançamos, ela deixa de ser utopia.
Desconstruindo a dimensão ficcional, Le Guin reformula também o tempo não euclidiano e defende o anarquismo (não é por acaso a aposta desta editora na sua obra). Em meia dúzia de páginas, os seus contos são povoados de animais, de paisagens, de uma natureza rubra, viva, cônscia. Neles os homens constroem pontes para outros mundos, lobos metamorfoseiam-se em criaturas de duas pernas, mulheres desnomeiam e libertam os oprimidos, a humanidade embriaga-se com os bens de consumo capitalistas, e o leitor é arrebatado pela capacidade e facilidade com que Le Guin trabalha a metafísica a partir do vocabulário, da linguagem, da natureza dualista da humanidade:
Pareciam muito mais próximos do que quando os seus nomes se interpunham entre mim e eles como uma barreira clara: tão próximos que o meu medo deles e o medo deles de mim se tornavam um mesmo medo (...) e o caçador não podia ser distinguido da caça, nem o comedor da comida.
À semelhança da coletânea que li anteriormente (Wild Girls), Ela tira-lhes os nomes é um livrinho críptico, compacto, fortemente crítico do sistema capitalista, da sociedade normativa e das estruturas tradicionais patriarcais. A ficção científica (no caso desta autora, ficção especulativa é um termo mais apropriado) pode até não ser um género que me seduza regularmente, mas Le Guin é uma escritora que sei apreciar.
Ela tira-lhes os nomes ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ Coisas ⭐️⭐️⭐️⭐️ A direção da estrada ⭐️⭐️⭐️⭐️ O conto da esposa ⭐️⭐️⭐️⭐️ As crianças perdidas ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️
Os contos e o ensaio no final são incríveis. Confusos, originais, belos. Fiquei com muita vontade de ler mais Ursula K. Le Guin, desde poesia a ensaios a romances. Também gostei muito das ilustrações no início de cada conto. Porém, e embora aprecie o esforço de editar esta coletânea em Portugal, a tradução e a revisão falharam em vários pontos, o que afetou profundamente a experiência de leitura, e até me levou a interpretar mal algumas passagens, até algo à frente clarificar a questão. Além disso, o prólogo é completamente desnecessário e, mesmo que fosse para ser mantido, devia surgir depois do leitor já estar familiarizado com o conto sobre o qual ele teoriza. Fiquei desapontada.