Quando li Art's World pela primeira vez, uma das coisas que me chamou atenção foi como o texto era fluído e objetivo. Enquanto avançava na leitura, pensava: "como esse cara escreve bem". Essa impressão se justifica com esse livro de Howard Becker, agora dedicado à escrita. No mundo acadêmico escrever de modo pomposo e embolado é tido como sinal de erudição, muitas vezes, serve também para disfarçar o texto de quem não tem muita coisa a dizer. Ao longo do livro, Becker expõe, explica e dá várias dicas de como escapar desse cacoete da pós-graduação. Foi um tanto frustrante e doloroso me reconhecer nas descrições que eram apresentadas de alunos e professores que se enrolavam com as palavras ou que entram na dança dos apostos e adjetivos sem questionar muito as razões daquele comportamento. A vantagem de Becker é que além de criticar e expor essa situação ele mesmo mostra como sair desse formato, convoca os acadêmicos a darem a cara a tapa e dizerem claramente o que acham, o que sabem e o que não sabem (um explicação em três termos, é verdade, e sim, essa é uma fórmula que é colocada em xeque pelo autor, mas que aqui se mostra necessária, caso eu quisesse confundir e alongar o texto, poderia ter dito que"Becker evidencia com minúcia as sutilezas e sortilégios da produção textual acadêmica inquirindo os agentes componentes desse espaço simbólico a evidenciarem suas incertezas e aspirações quando estas se apresentarem parcamente estruturadas e, tanto quanto possível, a exporem de modo sucinto, claro e objetivo seus achados de pesquisa e suas hipóteses somente quando estas estiverem plenamente refutadas ou confirmadas, ou ainda, de modo ousado e desafiador, sugere que os pesquisadores clarifiquem as lacunas no pensamento e nas suas investigações", uma prova de que se ainda não mudei completamente, estou me esforçando para isso)