Ivan Mizanzuk não é para iniciantes. Ou melhor, talvez seja bom que iniciantes o leiam – tanto leitores quanto escritores. Porque Ivan sabe do que está falando. Num estilo que mistura e homenageia autores como André Breton e Valêncio Xavier (quantos da nova geração já leram? Precisam), este professor de arte estreia na literatura misturando ficção e realidade, magia e mundo-cão. Já leram? Não? Precisam. — Fábio Fernandes, doutor em comunicação pela PUC, escritor e tradutor
1993. Em pouco tempo sete jovens se suicidam, e rumores sobre um ritual ganham as páginas dos jornais. A polícia descarta a opção e dá o caso como encerrado.
Anos se passam e Daniel Farias, um popular escritor de terror, decide reconstituir o caso em sua nova obra. Durante a pesquisa, descobre histórias sobre uma ordem secreta operando em nome de um demônio, o Dragão Vermelho, cujas origens remontariam a um exorcismo ocorrido no século XVI, na Espanha. Sucesso imediato entre os fãs, o livro alcança a lista de best-sellers e também as páginas policiais, ao se espalhar a notícia de que leitores estariam se matando após a sua leitura. Isso faz as vendas explodirem, e o mistério aumenta quando o próprio Daniel começa a ser vítima de ameaças, enquanto pais preocupados tentam boicotar o livro. Livro de estreia de Ivan Mizanzuk, uma das novas promessas do thriller nacional, Até o fim da queda desenha através de cartas, entrevistas e artigos de jornais uma trama de conspirações e inquietudes, ao mesmo tempo em que investiga as mais profundas angústias humanas, e o preço que pagamos ao tentarmos silenciá-las. Descobrir o que se esconde no fundo desse abismo pode custar sua própria sanidade.
É mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP, doutorando em Tecnologia pela UTFPR e professor de história da arte e design em Curitiba-PR. É também autor do livro Até o Fim da Queda e host do AntiCast, podcast sobre design, comunicação e cultura. Você pode encontrá-lo em vários lugares: Twitter @mizanzuk Facebook /ivan.mizanzuk Instagram @mizanzuk Blog www.anticast.com.br
Gostei muito do livro. Me surpreendi ao perceber que era um livro curto, pois ele é fisicamente robusto. Graças a diagramação das páginas ele fica robusto-curto, mas esta mesma diagramação ajuda a tornar a leitura agradável e fluida. Os cortes de cena que fazem parte de todo o livro são inteligentes e proporcionam uma experiência semelhante a um filme. A história é muito rica, perspicaz e apresenta detalhes históricos a la Lovecraft. Durante toda a leitura fica a vontade de conhecer o livro dentro do livro. No final acho que poderia terminar de maneira sutil. Parabéns ao autor.
Achei o formato muito, muito interessante. Também curti demais a mistura da ficção com a realidade, feita de um jeito que só nos agradecimentos é que descobri que parte das descrições histórias do livro eram fictícias também. Também gostei muito de algumas reflexões filosóficas feitas no livro, dá pra ver que o Ivan sabe muito do que está falando. A história, porém, é regular, assim como a escrita em si. E acho que faz sentido, não é um demérito: o livro parece ser todo apoiado na forma, mais do que no conteúdo. Recomendo por ser uma leitura super rápida e de formato muito diferente.
"Até o Fim da Queda" é um livro que deve ser lido e principalmente lembrado... Com um estilo de narrativa bastante diferenciado e muito envolvente. A estrutura do livro favorece a uma leitura rápida ainda que intensa principalmente pelo tema, as imagens são uma supresa a parte e complementam magistralmente a narrativa. Agora fica o desfio, leia este livro sempre a noite e com luz somente o suficiente para enxergar as páginas.
É tão, mas tão lindo ler um livro que a pesquisa contida nele é palpável. Além da boa história, formato inovador, a diagramação, que guarda uma surpresa a cada página que você passa, é realmente um diferencial. Também pudera, autor-designer, o que se esperar? O cuidado no projeto do livro é lindo demais. Belo início ficcional. 4 Estrelas porque foi curto demais.
Comprei "Até o fim da queda" sem saber nada sobre o conteúdo ou a temática do livro. O que me motivou a comprá-lo foi pura confiança no autor, Ivan Mizanzuk, um dos meus podcasts preferidos. Sendo assim, foi uma grata surpresa o fato de que o livro me lembrou, durante muitos momentos, a atual temporada do Projeto Humanos, um dos podcasts do Ivan. Enquanto lia, pensei muitas vezes que o fascínio que o Ivan manifesta a respeito da temática da quarta temporada do podcast teve este livro como seu embrião. Em dado momento, o protagonista do livro chega a propor a mesma linha de raciocínio com que o primeiro episódio do Projeto Humanos é iniciado: "Lembre de quando você era uma criança, lá pelos seus oito anos de idade. Sua mãe te mostrou uma foto de um bebê e disse “essa era você, com duas semanas de vida”. O que te garante que aquela foto era você mesma?" O livro me agradou muito, gostaria até mesmo que fosse mais longo, principalmente para estabelecer o final de forma mais calma; tive a impressão de que a trama se encerra com um pouco de pressa. Fora isso, muito recomendado. A quem leu o livro e gostou da temática, recomendo a 4ª temporada do Projeto Humanos; a quem está gostando da 4ª temporada do Projeto Humanos, recomendo o livro.
Sinistros são os caminhos por onde a verdade se esconde.
"Até o Fim da Queda", primeiro livro de ficção de Ivan Mizanzuk, tem cheiro de filme. O romance de um escritor sobre um caso antigo de suicídio coletivo causa alvoroço quando uma nova onda de suicídios parecem ser resultados de sua leitura.
Li o livro em sua versão e-book. Ao terminá-lo, fiquei com muita vontade de ter a mesma experiência no livro de papel, pois sei que a edição física é dotada de um projeto gráfico que abrilhanta ainda mais sua narrativa, explorando diferentes mídias para a construção da história. Recortes de jornais, textos de sites, entrevista para TV, gravações de áudio, cartas antigas e análises históricas… o uso que Mizanzuk faz das diferentes características e linguagens de cada meio me suscitam uma edição cinematográfica, onde o ritmo se mostra dinâmico e mantém o leitor imerso e tenso com o desenrolar da história.
Com colocações de uma visão lógica e analítica durante a maior parte da obra, o crescente místico desenvolvido na narrativa dá volume a uma sombra, uma presença diabólica, gerando uma sensação dúbia e envolvente. Bom para ateus, excelente para religiosos.
Quando dei uma olhada no catálogo da Draco (por conta de uma parceria recém fechada com o blog do qual participo), este foi um dos títulos que mais me chamou atenção. O mistério de um pacto suicida entre sete jovens é faz exatamente o tipo de mistério que eu tenho adorado ler ultimamente. Mas "Até o fim da queda" foi minha maior decepção literária deste ano (até o momento) e vou tentar explicar o porquê:
Sou obrigada a começar pelo posfácio:
"Eu não sei se o que fiz é exatamente “terror”. Deve ser, porque eu falo bastante de demônios. Mas isso pode ser questionado."
Não. Na-na-ni-na-não. Não há um grama de terror neste livro, definitivamente. Terror é quando você fica, ao menos, apreensivo com o desenrolar que a história vai tomar. O que não é o caso.
Não sei se vocês lembram da resenha que fiz de Carrie, de Stephen King, algum tempo atrás. Ivan se aproveita da mesma estrutura de retalhos para contar sua história. Entre transcrições de entrevistas, audios e notícias, a história de "Até o fim da queda" vai sendo construída.
A sinopse havia me dado a impressão que leria sobre a investigação de Daniel Farias sobre o caso, um escritor-detetive que seria encarregado de desvendar o mistério que cerca a história dos sete jovens. Mas o máximo de "imersão" neste caso é uma notícia do ocorrido. "Até o fim da queda" mostra entrevistas de Daniel após a publicação de seu livro, juntamente com algumas cartas de Frei Marcos, que podem ser relacionados à irmandade do Dragão Vermelho e transcrições de entrevistas com um membro da irmandade.
Ao passo que o livro em si me decepcionou muito, um ponto forte foi a interpretação das Cartas de Frei Marcos. O que me leva a crer que a história teria muito mais apelo ao leitor se o formato de apresentação fosse diferente, se colocasse Daniel como personagem ativo, levando o leitor consigo enquanto realizava pesquisas e investigações a respeito do caso ocorrido em 1993 em vez de apenas jogar um punhado de informações desconexas ao leitor para que este faça então a seleção do que é relevante ou não e tente encontrar sentido nas conexões entre elas.
Fiquei bastante chateada com essa decepção, já que — como disse antes — acredito que a abordagem do livro deixou muito a desejar e acabou por desperdiçar uma premissa muito promissora.
Esse livro foge bastante do que costumo ler, e talvez nunca tivesse me interessado em lê-lo se não tivesse assistido o vídeo-resenha da Iara, do canal Conto em Canto. Mas depois de assistir, fiquei muito curiosa para tentar entender o livro. E a experiência foi sensacional. O enredo é simples: um escritor está sendo entrevistado num programa de tv devido, principalmente, à toda polêmica que gira em torno de seu livro, já que a leitura está sendo apontada como a causa de vários suicídios. O fato de que o livro conta a história de sete jovens que se mataram por causa de, ao que tudo indica, uma seita satânica, apenas atrai ainda mais a curiosidade de todos. A maneira como a narrativa é construída, através de trechos da entrevista, artigos de jornal, trechos de gravações e pedaços de cartas, torna a leitura incrivelmente dinâmica e ajuda o leitor a se sentir parte do universo criado. O autor toca em muitos assuntos polêmicos, mas ao longo da leitura não há como discordar de muitos argumentos ali utilizados. O melhor é ler esse livro sem ter muitas informações mesmo, para assim ser pego de surpresa. Gostei muito.