O que leva duas pessoas a assistir a funerais de desconhecidos? Talvez a curiosidade, talvez a necessidade de pertencer a algo, mesmo que seja à dor dos outros. Um homem à deriva, prisioneiro de um vazio que não sabe nomear, procura nesses espetáculos silenciosos a resposta. E uma mulher que dedicou a vida a cuidar dos que ficaram para trás, na maternidade, como uma forma de curar a própria ferida. Ambos marcados por ausências antigas. Entre cerimónias, rostos e memórias difusas, nasce uma estranha familiaridade — como se um reconhecesse no outro a solidão que o habita. Um romance sobre o isolamento humano, o peso da ausência e as formas inesperadas que a vida encontra para nos reunir ao que perdemos.
“Dizem que as pessoas ruins são as que vivem mais tempo, porque não há enfermidade que se assemelhe ao fel que lhes corre nas veias e que lhes atiça o espírito.”
É um livro que aparentemente não tem muito para agradar, o tema é mórbido, o início é estranho e confuso, as personagens são insípidas e a ação é lenta. Contudo, vi-me agarrada à leitura, não sei se pela pressa de querer saber o que estas personagens tinham para me dar, ou se pelo facto de me ver a criar uma história para elas próprias. É um livro diferente, que aborda a solidão e a forma tão pouco solene e linear com que nos pode agarrar.
Uma excelente surpresa, execução enxuta, uma história coesa que ultrapassa em muito a dinâmica mistério/ revelação. A prova de que há espaço para a interpretação e para a literatura num livro curto.
3/5 ⭐️ Apesar de ter gostado da premissa, achei a construção do livro um pouco confusa. Senti-me perdida nalguns momentos e por isso a leitura não foi tão proveitosa quanto esperava. Contudo é um livro cheio de reflexões importantes!
Morte aparente é como o próprio título indica sobre a morte, quando as exéquias fúnebres são transmitidas em direto que se assiste. O fascínio pelo comportamento e emoções humanas de quem se despede de um ente querido para quem sofre de solidão. E esse vício leva a consultas de psiquiatria e mais se desvenda sobre este narrador/ personagem. Um livro que se começa e rapidamente se conclui porque a curiosidade em conhecer o sofrimento camuflado e o tanto que recalca no muito que se partilha em ficção numa escrita vertiginosa. Morte aparente também é um estado e mais não conto. Ela tem tanto para também revelar. Acorda.
Este romance surpreende pela sua originalidade e pela forma subtil como mistura humor e profundidade emocional. Com um olhar atento sobre as ironias da vida e sobre encontros aparentemente banais que acabam por nos transformar, constrói uma narrativa envolvente, humana e intemporal. A escrita tem uma leveza inteligente que nos faz sorrir, mesmo quando somos confrontados com emoções difíceis e desconfortáveis. É um livro que se lê com prazer e que acredito que revela uma nova escritora muito promissora.
Não ando com muita pontaria nas escolhas das leituras... Escolhi este livro porque fiquei bastante curiosa com a premissa e decidi arriscar.
Acabei por achar a narrativa bastante confusa. O livro está dividido, de forma geral, em três partes. Primeiro acompanhamos um homem solitário que passa o tempo a assistir a funerais transmitidos em streaming no computador e que, mais tarde, conhece uma mulher que altera a sua rotina. Numa segunda parte, seguimos a perspectiva dessa mulher, que trabalha como enfermeira, e conhecemos melhor a sua vida e as suas fragilidades. No final, estas duas histórias acabam por se cruzar.
No fundo, o livro retrata a solidão e o isolamento humano, bem como a ausência e o vazio emocional que ambas as personagens carregam. Por isso, trata-se de uma obra com um tema sensível e profundo, muito focada nas emoções e nas reflexões interiores.
Apesar de me ter sentido tocada com algumas partes da história, não gostei da forma como a narrativa foi construída nem da apresentação das personagens. Muitas vezes senti-me perdida, sem perceber bem onde a autora queria chegar com certos acontecimentos. No geral, achei a história um pouco dispersa, tanto em termos de assunto como a nível temporal.
Tinha alguma expetativas para Morte Aparente, sobretudo pela premissa e pelo mistério à volta da história, mas infelizmente a leitura acabou por não resultar comigo. A ideia base é interessante e até tem potencial, no entanto senti que a execução ficou aquém do que podia ter sido.
O ritmo é irregular, com partes que se arrastam e outras que avançam depressa, e a narrativa acabou por se tornar um pouco confusa em vários momentos, o que dificultou a minha ligação à história. As personagens não me pareceram suficientemente desenvolvidas para criar empatia.
Nota-se esforço na construção do enredo, mas faltaram profundidade, talvez, aquele fator de "page turner".
Sendo este o primeiro livro da autora, há claramente margem para evoluir. A base está lá, agora falta afinar a execução. Fico curiosa para perceber como será esse crescimento em futuros livros.
É um bonito primeiro livro. Não é uma história linear, é quase um puzzle, pelo que querer uma leitura mais atenta - embora não me tenha parecido confusa. A escrita é cuidada, mas sem grandes floreados.
Ficou, no entanto, um sabor a pouco. Não pelo tamanho do livro, antes porque senti o desfecho muito rápido, gostaria de entender melhor o encaixe destas peças de puzzle. Ou melhor, de apreciar a pintura final por mais tempo. É um livro sobre personagens (ainda que poucas) e não tanto sobre uma história.
Vou ficar atenta aos próximos trabalhos da autora.
A premissa deste livro chamou-me a atenção e tinha tudo para ser uma leitura que eu iria adorar, pois parecia ser interessante e cheia de potencial.
No entanto, achei a narrativa muito confusa e senti-me perdida em vários momentos, o que dificultou a compreensão da história e o envolvimento com as personagens. A forma como a informação é apresentada nem sempre é clara, o que tornou a leitura aborrecida para mim.
Reconheço que este estilo pode agradar a leitores que gostam de narrativas mais desafiantes ou não lineares. É um livro com uma premissa forte, mas cuja execução não funcionou para mim enquanto leitora.
Um livro extremamente bem escrito e que me marcou bastante. Adorei a forma como aos poucos, e de uma maneira tão subtil, as duas histórias se vão entrelaçando, até que chegamos ao fim e sentimos que tudo fez sentido. Recomendo muito
Gostei muito da premissa deste livro, da maneira como a autora escreve e da construção de personagens. Confesso que não li este livro na altura certa ou, de algum modo, não chegou até mim como gostaria. Apesar de ter gostado da narrativa sentia-me, por vezes, perdida no enredo o que me fez desligar algumas vezes. Acho que é um livro bom e que, com certeza, irei recomendar mas senti que faltou algo. O que mais gostei foi de viajar pelas consultas do personagem masculino para perceber de onde vinha, de facto, aquele prazer.
Morte Aparente é uma leitura envolvente e intensa. A narrativa prende desde as primeiras páginas, com um ritmo que mantem o leitor alerta, mas sem sacrificar a profundidade psicológica das personagens.
As personagens são credíveis, imperfeitas e humanas, e as suas motivações vão-se revelando aos poucos, obrigando-nos a reconsiderar julgamentos feitos no início. O final, sem entrar em spoilers, é impactante e memorável, sem recorrer a soluções fáceis.
Recomendo Morte Aparente para quem gosta de uma leitura que fica connosco depois de fechar o livro.
Gostei muito deste livro, por várias razões, pela rica escrita e a originalidade da forma de abordar a solidão. Como a construção e organização dos capítulos ilustrados por ricas e surpreendentes metáforas nos levam ao mundo por um lado muito familiar e por outro lado tão obscuro de cada um dos dois protagonistas e a uma constante reflexão. Gostei muito. Que seja o primeiro de muitos!