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Orgia e compadrio: Tulio Carella, drama e revolução na América Latina
Tulio Carella talvez tenha sido o personagem mais original que ele mesmo criou. Iniciou carreira de dramaturgo após conselhos diretos de Federico García Lorca, em Buenos Aires. Após alcançar sucesso com farsas teatrais, dedicou-se a representar tipos à margem da sociedade. Em paralelo, examinou fenômenos da cultura popular, como o lunfardo e o tango. Em 1960, mudou-se para o Recife, convidado por Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho para lecionar teatro. Nessa época, passou a registrar em diário suas intensas relações sexuais com homens no central Recife Antigo, registro tornado livro no Brasil em 1968, sob o título Orgia. (Da orelha de Ricardo Cardoso). Posfácio por Raul Antelo.
Primeira biografia do dramaturgo, poeta e crítico argentino Tulio Carella (1912-79), que iniciou carreira como dramaturgo em 1933, após caminhar cem quilômetros até Buenos Aires para conhecer Federico García Lorca, com quem manteve uma relação amorosa. Alcançou o sucesso nessa capital a partir de 1940, com farsas embasadas no barroco espanhol e nas comédias do italiano Carlo Goldoni, e depois se dedicou a representar tipos à margem da sociedade, como moradores de cortiços, cafetinas e ladrões. Em paralelo, examinou elementos da cultura popular, como gírias da malandragem e o tango. Em 1960, mudou-se para o Recife, a fim de lecionar teatro na Escola de Belas Artes. Nessa época passou a registrar em diário suas intensas relações sexuais com homens no central Recife Antigo, origem do livro Orgia, editado no Brasil em 1968, que destacou também ideias compartilhadas com os dramaturgos Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho sobre pan-latino-americanismo a partir de raízes indígenas e negras. Carella também escreveu livro importante (analisado na biografia) sobre o tango e seus "compadritos", em diálogo à distância com Jorge Luís Borges.
A obra ilumina, ainda, o pano de fundo de Orgia, traçando um mapa sociológico do Recife às vésperas da instauração da ditadura civil-militar de 1964. De um lado, o leitor se depara com os membros das Ligas Camponesas desfilando descalços nas ruas – munidos de facões – e o teatro levado às periferias da cidade pelo Movimento de Cultura Popular (MCP); de outro, encontra contingentes militares, a elite acadêmica e os “grãos-senhores do Nordeste”, apavorados com governos do socialista Miguel Arraes e com a Revolução Cubana. Em março de 1961, identificado erroneamente pela polícia como “traficante de armas de Cuba para uma revolução local”, o argentino acabou por ser preso, torturado e deportado para seu país.
Primeira biografia do dramaturgo, poeta e crítico argentino Tulio Carella (1912-79), que iniciou carreira como dramaturgo em 1933, após caminhar cem quilômetros até Buenos Aires para conhecer Federico García Lorca, com quem manteve uma relação amorosa. Alcançou o sucesso nessa capital a partir de 1940, com farsas embasadas no barroco espanhol e nas comédias do italiano Carlo Goldoni, e depois se dedicou a representar tipos à margem da sociedade, como moradores de cortiços, cafetinas e ladrões. Em paralelo, examinou elementos da cultura popular, como gírias da malandragem e o tango. Em 1960, mudou-se para o Recife, a fim de lecionar teatro na Escola de Belas Artes. Nessa época passou a registrar em diário suas intensas relações sexuais com homens no central Recife Antigo, origem do livro Orgia, editado no Brasil em 1968, que destacou também ideias compartilhadas com os dramaturgos Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho sobre pan-latino-americanismo a partir de raízes indígenas e negras. Carella também escreveu livro importante (analisado na biografia) sobre o tango e seus "compadritos", em diálogo à distância com Jorge Luís Borges.
A obra ilumina, ainda, o pano de fundo de Orgia, traçando um mapa sociológico do Recife às vésperas da instauração da ditadura civil-militar de 1964. De um lado, o leitor se depara com os membros das Ligas Camponesas desfilando descalços nas ruas – munidos de facões – e o teatro levado às periferias da cidade pelo Movimento de Cultura Popular (MCP); de outro, encontra contingentes militares, a elite acadêmica e os “grãos-senhores do Nordeste”, apavorados com governos do socialista Miguel Arraes e com a Revolução Cubana. Em março de 1961, identificado erroneamente pela polícia como “traficante de armas de Cuba para uma revolução local”, o argentino acabou por ser preso, torturado e deportado para seu país.
368 pages, Paperback
Published July 20, 2017
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Community Reviews
Displaying 1 - 1 of 1 review
February 20, 2026
Carella teve uma vida interessante e deve ter sido um baita figura. Mas, na forma como organizaram a cronologia e as (muitas!) citações e referências, o livro ficou chato e criou uma atmosfera burguesa demais, o que foi se tornando desinteressante ao longo das páginas. Vale a leitura se você se interessa por histórias de pessoas homossexuais latinas, nordeste brasileiro durante a ditadura e teatro.
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