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Meridiana

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Sair da favela e ingressar na vida de classe média era o grande sonho de Aurora e Ernesto. Esse propósito era alimentado pelo amor e pelo desejo de criar filhos "prósperos, exemplares e respeitados pela melhor sociedade". Deu certo.

Com sua prosa leve e, ao mesmo tempo, precisa, Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa engenhosa sobre o processo de ascensão social de uma família negra. Cada personagem — a mãe, o pai, os filhos e a filha — conta a própria história em primeira pessoa. São testemunhos de uma travessia que nunca é igual para ninguém. Ao explorar a pluralidade de vozes, a autora alcança a complexidade que dá ao processo sua fisionomia particular.

Em tempos de desigualdades agudas e divisões de toda sorte, é fundamental olhar a realidade sob diferentes ângulos, explorar nuances e identificar caminhos que nos permitam criar um terreno comum de diálogo. Meridiana faz jus ao nome, conecta polos no espaço e no tempo e nos ensina como passar adiante as conquistas que acumulamos, garantindo que as gerações futuras não se percam e sigam ancoradas no chão da vida.

Três gerações de um Brasil negro e desigual que, apesar da dor e do trauma, mostra que tem, sim, caminho. Um baita romance, escrito em seis vozes. Um caleidoscópio imperdível!  — Bianca Santana

Identificação e compreensão imediata. Foi assim que Meridiana me chegou. Os dilemas da ascensão social são retratados em detalhes tão particulares e íntimos que pareceram uma memória viva de minha casa. Questões comumente enfrentadas por uma pessoa preta ao adentrar novos círculos sociais surgem de um modo tão fiel que até arrepia. É o tipo de livro que dá vontade de economizar páginas, pra ficar lendo mais tempo. — Lázaro Ramos

184 pages, Paperback

First published October 1, 2025

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About the author

Eliana Alves Cruz

16 books159 followers
Jornalista por formação, Eliana Alves S. Cruz nasceu no Rio de Janeiro, onde atua como chefe do Departamento de Imprensa da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos, sendo também vice-presidente do Comitê de Mídia da Federação Internacional de Natação – FINA. Nesse campo de trabalho, visitou dezenas de países e participou de três Olimpíadas, vinte Campeonatos Mundiais e inúmeros eventos nacionais ligados ao esporte aquático, sendo também responsável pelo site www.blacksportclub.com.br, voltado para o resgate da presença negra no esporte.

Como escritora, vem se destacando na ficção, inicialmente com o romance Água de barrela, fruto de cinco anos de pesquisa sobre a história de sua família desde os tempos da escravidão. Em 2015, o livro foi contemplado em primeiro lugar no Prêmio Oliveira Silveira, concurso promovido pela Fundação Cultural Palmares, que o publicou no ano seguinte. E uma nova edição já se encontra disponível pela Malê Editora. Para a antropóloga Ana Maria da Costa Souza,

A profundidade dos personagens e a verossimilhança das situações por eles vividas são os pontos chave deste romance baseado em 3 séculos de história real de uma família negra no Brasil. Não há como não ser tocado por emoções intensas diante de muitos momentos do texto. A força da narrativa reside, precisamente, na riqueza de detalhes que conferem densidade e vigor à história.

Em 2016, integrou a edição 39 da série Cadernos Negros, com poemas de sua autoria. E, no ano seguinte, contribuiu com dois contos para a 40ª edição dos Cadernos, entre eles a narrativa de ficção científica intitulada “Oitenta e oito”. Neste mesmo ano, participou também da premiada antologia Novos poetas.

Empenhada no resgate da memória social e cultural afro-brasileira, seu mais novo romance – O crime do cais do Valongo – figura como romance histórico e policial, com uma instigante narrativa que se inicia em Moçambique e chega até o Rio de Janeiro.

A influência que a autora teve para escrever sobre o Valongo, foi a descoberta dos objetos encontrados em escavações recentes. Entre o período de 1811 a 1831 muitos escravos chegaram ao Brasil por esse cais, todos os artefatos despertaram a criatividade da autora, possibilitando assim o começo da escrita do seu livro, que é feito de inúmeras memorias dos ancestrais que foram escravizados e mortos no cais, - diz autora em entrevista a Médium Books(https://medium.com/blooks/entrevista-...-).

A mensagem que a autora deixa para os seus leitores em entrevista a Médium Books é “Brasil, se olhe no espelho, enxergue quem você realmente é se ame. A história e o conhecimento do povo negro são tesouros riquíssimos que precisam ser descobertos e aproveitados por toda a nação”. Assim é possível observar o resgate da memória e a preservação da identidade cultural negra almejado pela escritora.

Eliana Alves Cruz é também autora do blog www.flordacor.blogspot.com com textos voltados para a apreciação do trabalho de mulheres negras brasileiras em diversos campos de atuação.

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Displaying 1 - 30 of 103 reviews
Profile Image for Gabrielle Cunha.
448 reviews122 followers
January 10, 2026
Eliana, que escritora você é!!! As mudanças de vozes narrativas são perfeitas. A narrativa, tão bem escrita, carrega tanto. O racismo, a solidão dentro do próprio seio familiar, as batalhas que cada personagem carrega, os temas abordados, as nuances das situações apresentadas. Nossa! Genial. Forte. Impactante.
Profile Image for Luciana.
529 reviews172 followers
April 26, 2026
Se, como diz a protagonista, que “aprendemos muito sobre nós a partir da visão que os outros tem da gente”, Meridiana é o retrato de um país e sociedade que meio ao progresso carrega os traumas, violências e desigualdades do passado.

Ao narrar a ascensão de uma família negra, a escritora, por meio de sua protagonista, deixa visível o preço e a marca invisível que não pode ser apagada da solidão, da injustiça e do racismo diariamente perpetrado, em um bom romance que certamente conversará com muitos leitores.
36 reviews3 followers
February 7, 2026
Não entendi como uma autora que escreveu Solitária, anos depois publica um romance tão superficial, quase infantil, cheio de vícios de linguagem. Esse fui até o fim por esperar que, em algum momento, eu fosse ser surpreendida. Mas não.
Profile Image for Diana Passy.
147 reviews318 followers
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December 24, 2025
“Era só o que faltava, a gente brigando entre a gente. Um país todinho fodido desses, e a gente nessa! Eu hein… E lá do outro lado, no lado dos bacanas, geral tá tranquilaça, só curtindo a vida”, disse Tonho.
“Mas e quem tá no meio do caminho entre aqui e lá? Como é que fica?”
Tonho me olhou com um ar divertido.
“Quem tá no meio é fodidaço igual a nós, mas finge que não sabe disso.”

* * *

Eu tinha me condicionado para a decepção, estava me preparando mentalmente para ela desde o momento em que terminei a última questão daquela prova. A mãe, inclusive, já havia começado a me consolar, me aconselhou a ir na dona Juca Benzedeira, disse que agora eu podia tentar conciliar um ano de cursinho com algum trabalho.
Até ali, dona Feliciana fez tudo o que pode para me dar condições mínimas para que eu não precisasse deixar a escola. O que ela não conseguiu foi me oferecer ferramentas para eu lidar emocional e psicologicamente com a realidade de ser bem-sucedido. Ela não sabia o que era ter êxito, essa sensação fazia sua estreia tanto em mim quanto nela.

* * *

E eu estava cansando daquela vida em que uma conta puxava outra: o terno que sugeria a gravata; a comida que harmonizava com um vinho específico; a visita que pedia a mobília da moda; o cargo que pedia um carro… que eu não podia pagar.
Eu havia escolhido trabalhar no banco de maneira muito consciente, para ter segurança financeira, estabilidade, para construir um patrimônio. Portanto, não foi o banco que me escolheu, não recebi dele nenhum chamado em meus sonhos, a decisão de estar lá foi fruto da necessidade. E se eu tivesse dinheiro suficiente para me manter? No que eu trabalharia com prazer o resto da minha vida? Descobri que eu nunca tinha pensado sobre qual seria o meu real talento, e pensar nisso foi como voltar à juventude, para aquela fase da vida em que vamos definir nossos rumos.

* * *

Pode parecer incrível, mas de certa maneira era mais fácil quando morávamos na Matadouro. Nossos filhos eram menores, estudavam aqui, nós também trabalhávamos no centro, mas eu tinha perto de mim Zuleica, minha mãe, dona Feliciana, dona Juca Benzedeira e vizinhas que, quando era preciso, uma ficava com o filho da outra. Todo mundo era mãe e tia de todo mundo. Quando nos mudamos para o centro, passamos a ter muito mais recursos materiais do que naquela época, mas muito menos recursos afetivos e de suporte. Não há dinheiro que compre um “Tua mãe não tá aqui, então eu sou a lei”; “Não apronta, porque quando ela chegar vou contar tudo”; “Arrume as coisas com calma, filha, deixa os garotos brincando no meu quintal”.

* * *

A minha implicância com o retorno do Ernesto à Matadouro é porque eu também quero voltar, mas não para um lugar concreto. Tenho uma saudade profunda do que nos levou a unir nossa vida, do que sonhávamos juntos para nós não apenas materialmente. Ele acha que precisa pisar ali para conseguir se lembrar de quem ele era, mas eu não.

* * *

Quando contei para Zuleica, ela disse:
“Ah, é um nome diferente, bem coisa do Ernesto mesmo. Pelo menos vai tirar a menina da mesmice de Lucianas, Marias, Cláudias, Márcias…”
“O que vocês dois têm contra o que é comum?! Esses nomes que você falou são lindos. Também é bonito ser igual a todo mundo. Que mal tem ser apenas mais um no meio da multidão?

* * *

Ter me tornado imigrante me fez olhar para a minha casa de maneira diferente e me fez menos duro, menos dono da verdade, menos julgador. À medida que eu ia criando novas relações, via que esse negócio de construir outras referências não é tão fácil. No fim, eu estava sempre tentando atender a alguma expectativa que não era minha, e me perdia de mim.

* * *

Voltei à carga mais tarde, mas não tomaram nenhuma providência prática e ainda tive que ouvir um “coisa de criança, não se preocupe”.
“Coisa de criança ensinada a ser racista!”’
Quando são menores é coisa de criança. Quando são jovens, estão repetindo o que aprendem em casa. Quando são adultos, ou estão reproduzindo a estrutura, ou têm questões psiquiátricas. E quando são velhos estão senis. É esse o ciclo das desculpas irresponsáveis pelo crime.

* * *

Priscila estava tendo com Nandi uma atitude parecida com a que minha mãe teve comigo, ou seja, achava que protegia a filha modificando-a. A diferença brutal entre elas eram os egos: um inflado e o outro quebrado. Minha cunhada, diferentemente da minha mãe, queria fazer da filha a sua imagem e semelhança. Já minha mãe queria fazer de mim a imagem e semelhança de mulheres iguais à minha cunhada.

* * *

Força, Nandi, eu te pedi, quando você tinha oito anos! Te pedi porque também fui muito exigida nessa mesma idade. Força, autocontrole para não reagir com raiva, polidez nos gestos e na voz, aceitar, sorrir, gostar e me moldar a uma imagem que não era a minha.
Alguns fatos vão me ocorrendo apenas agora, enquanto escrevo. O Augusto e eu brigávamos demais porque ele adorava dizer que eu tinha inveja da sua mãe, e não é que ele estava certo? Ele só errava na causa desse meu sentimento, que não tinha nada a ver com a aparência da Priscila, mas com a liberdade que ela desfrutava de ser o que bem quisesse, do jeito que achasse melhor, de falar o que bem entendesse. Ela não precisava dessa tal “força” que viviam querendo que eu tivesse.
Profile Image for Luciana Betenson.
290 reviews1 follower
April 27, 2026

Já ouvi gente dizer que está "cansada de ler livros sobre racismo". Pois eu acho que ainda não lemos o suficiente. Falta muita leitura, muito chão, para que pessoas brancas, em especial privilegiadas, possam pelo menos tentar se colocar um pouco que seja no lugar de uma pessoa negra que cresceu e vive no Brasil. Já tinha lido e gostado bastante do Água de Barrela da mesma autora. Mas este livro, Meridiana, é tão bom quanto. A linguagem é muito simples. Os diálogos, enxutos. Mas a emoção vem das situações vividas pelos personagens desta família do Ernesto e da Aurora, que sonhava em "pertencer"... E tem gente que acha que não tem racismo no Brasil, que passa pano e minimiza várias questões. Este livro mostra bem onde a coisa pega. Quando uma pessoa negra se insere no mundo, no contexto das pessoas brancas. Na escola, quando tira a nota melhor, quando seu time vence o campeonato do clube. Quando aquele cara negro fica com a menina que o cara branco gosta, quando a menina negra consegue o emprego que a colega branca queria. A Eliana mostra, com a história dessa família, como o racismo estrutural funciona no Brasil. Chorei em mais de uma ocasião com essa leitura. Tem que ler, tem que pensar a respeito, tem que sentir.
Profile Image for liv ✶.
286 reviews24 followers
April 25, 2026
meridiana, de eliana alves cruz, acompanha a trajetória de uma família negra brasileira ao longo de gerações, mostrando sua ascensão social e tudo que vem com ela. mas não é uma história de vencedores num sentido simples. é uma história sobre o preço que se paga, sobre o que o racismo faz com cada pessoa de um jeito diferente, sobre como ele adoece, molda escolhas, cria medos que passam de geração em geração sem que a gente perceba de onde vieram.
eliana constrói cada personagem com uma profundidade que te obriga a entender antes de julgar. cada perspectiva carrega sua própria lógica, sua própria dor, seu próprio modo de sobreviver num mundo que nunca foi feito pra recebê-los de verdade. o livro não simplifica nada, não resolve nada com facilidade. ele mostra, com honestidade e com muito afeto, o que é ser uma família negra no brasil.

comecei sem saber muita coisa sobre o que me esperava e saí completamente tomada.

acompanhar essa família é conseguir se colocar no lugar de cada um deles, entender a geração, entender as escolhas que parecem erradas até você entender de onde vieram. você quer gritar com alguns personagens, sente raiva em vários momentos, mas acima de tudo sente um carinho imenso, uma vontade de abraçar cada um deles e dizer que entende aquela dor, entende aquele medo, entende aquela ação. a empatia que o livro provoca é tão forte que é impossível sair ilesa.

e tem algo que poucos livros conseguem fazer que meridiana fez comigo: me ver dentro dos personagens. não só eu, mas a minha família. tantas outras famílias que eu conheço. eliana não escreveu sobre uma família fictícia, ela escreveu sobre muitas famílias brasileiras reais. ela escreveu sobre mim.

sigo tocada. sigo emocionada. sigo pensando em meridiana todos os dias desde que terminei. sigo sentindo raiva do racismo estrutural e de quem o mantém. sigo sentindo a solidão de não ver meus iguais em tantos espaços. mas mais do que tudo isso, sigo sentindo força pra ocupar todos os lugares.

obrigada, eliana. obrigada, meridiana.
Profile Image for Andre Aguiar.
503 reviews134 followers
Read
September 5, 2025
criamos espaços que não são nem lá e nem cá. estranho ser imigrante sem sair de casa, mas, por incrível que pareça, a gente se acostuma com o desencaixe. e, pior, transmite a mesma ideia para quem vem depois.
Profile Image for Leticia.
9 reviews1 follower
May 2, 2026
Li uma opinião aqui de uma pessoa que só queria dar um abraço na Meridiana, e é exatamente isto o que estou sentindo ao terminar o livro.

O jeito que a Eliana tem de mostrar tão claramente o ponto de vista de cada personagem me deixou fascinada. O drama familiar é retratado de forma incrível. Aquele eterno drama do 'e se...' de quem vive pendurado ao passado.

É um livro realista que derruba o mito do 'querer é poder'. Mostra uma sociedade que prefere julgar quem ocupa espaços 'inesperados' em vez de aplaudir àqueles que lutam para mudar seu destino. Mas, acima de tudo, destaco a doçura das personagens, que brilha mesmo em meio a tanta crueza.
Profile Image for sami freire.
43 reviews
February 28, 2026
meridiana variante de JESUS CRISTO sofreu mais que ele. sei que todo o ponto do livro é começar logo no primeiro apagamento da meridiana e seguir com tudo girando ao redor dela mas sem ela ser o centro (meridiana dã) porque ela é sustentação de tudo MAS não consigo não sentir falta de conhecer mais minha diva gente 💔💔 ela entrega a vida inteira cuidando e cuidando enquanto o Augusto, por exemplo, é o classico Reconhece as violências que ele sofre enquanto homem negro... mas as mulheres negras?? safoda elas™ many such cases. a ambição, a possibilidade de viver desde cedo a sexualidades, ser cuidada, ser egoísta, nada disso permitido aos outros personagens é pemitido a ela. tudo que sabemos da meridiana é que ela muito se dói por tudo e muito cuida, e todo mundo se apoia nela. mas não porque ela não tem personalidade, é porque ela não pode se dar lugar. quando lemos na perspectiva dela, a gente vê que ela tem tanta raiva quanto tem cuidado. isso é lindo, é uma brecha pra dentro dela. tenho muito carinho por histórias de amor que não são românticas e isso da meridiana se reconhecer na sobrinha é tão bonito.  se ela fosse mãe (tadinha, hadn't meridiana suffered enough) talvez fosse menos, seria outra vez a projeção dos desejos de alguém que alcançasse pra você a humanidade e boa vida que não teve (projeção de seu ernesto e dona aurora e o apagamento total de augusto e priscila....), mas elas se reconhecem na solidão. a escrita como saída dessa solidão... lindo. 

A última página me quebrou de vez. "Eu tinha ido atrás de uma interrupção da minha infância, achei um futuro muito adiante de mim". É fácil voltar quando você precisa do que ficou pra trás pra prosseguir, então vamos lá saber quais as novas o futuro tem para me contar!!!
Profile Image for Matheus.
50 reviews4 followers
January 19, 2026
Uma das escritas mais fluidas que já tive o prazer de ler. A mesma história é contada por várias personagens e isso torna tudo mais interessante, inclusive lembrei do This is Us, com as idas e vindas no tempo. Ninguém é perfeito, todos os com os seus problemas e motivos explicados ao longo da história.

A dor do racismo é dilacerante e o livro mostra claramente as dificuldades monumentais existem para pertencer, trabalhar e se relacionar.

Fico imaginando quando eu tiver 50 ou 60 anos e rever minha trajetória e da minha família, como será: as escolhas, os acertos, erros, teimosias e

Alguns destaques:
"Mas, sim, minha mãe tinha razão. Competência, carisma, qualquer virtude era insuficiente se não jogassemos para baixo o que em nós teve a audácia de nascer e crescer para cima. 'E um dia canso resolver esse nariz, ajeitar essa boca, fechar o espaço entre esses dentes...' ".

"A minha implicância com o retorno do Ernesto à Matadouro é porque eu também quero voltar, mas não para um lugar concreto. tenho uma saudade profunda do que nos levou a unir nossa vida, do que sonha anos juntos para nós não apenas materialmente. Ele acha que precisa pisar ali para conseguir se lembrar de quem era, mas eu não."

"Não é bom precisar abrir os olhos antes da hora, estar à frente do relógio. Até hoje não suporto crianças prodígio, tenho muita pena desses gênios à frente do seu tempo. acho que a precocidade adoece, não há ninguém que se adiante ao tempo e não sofra com isso."

"Para nós naquela época, Hyldon, Tim Maia e Cassiano eram a santíssima trindade."

"Qualquer treinamento para a violência começa na violência que nos foi inflingida."
Profile Image for Juliana Nemezio.
252 reviews30 followers
February 1, 2026
"engraçado que fui morar no estrangeiro, me casei com um estrangeiro, falava com fluência um idioma estrangeiro, me formei, fiz laços profissionais e de amizade em ambientes e instituições distantes, para voltar e ser confundido com meu próprio pai na antiga Favela do Matadouro. a gente não consegue mesmo fugir do que é."

dar 2,5/5 me corta o coração, pq amo a escrita da eliana e gosto muito de como ela aborda certas questões em seus livros, mas sei lá, algo nesse livro me incomodou. percebi os pensamentos diferentes dos personagens, mas a voz que guiava a narração de cada um deles nos capítulos me soava muito parecido; tbm acho que o capítulo da meridiana deveria ser o mais potente, e estava gostando do paralelo entre ela e a nandi, pelo fato de que mais de quarenta anos separam elas e nada mudou, a nandi ainda sofre as mesmas coisas que a meri sofreu, mas aquela carta que tomou o final inteiro, só repetindo tudo o que já lemos nas mais de cem páginas anteriores, me irritou; e tbm o epílogo, trazendo uma personagem nova com quem a meri brincava... tipo, ela poderia ter sido introduzida antes, talvez teria tido um impacto maior esse reencontro. entendo que a autora, provavelmente, quis trazer uma visão daqueles que ficam e daqueles que vão, mas não senti isso, foi bem jogado, além de que ela poderia ter colocado essa perspectiva dentro da história da aurora e da zuleica. mas enfim, de qualquer forma sempre vou recomendar eliana alves cruz!
Profile Image for tabata mickaelle.
108 reviews2 followers
January 23, 2026
li em uma sentada tanto pelo tema quanto pela escrita que é extremamente fluida. confesso que me tocou muito mais do que esperava e me fez pensar muito em assuntos (e pessoas rs) que as vezes eu tento evitar pensar, mas é isso aí. talvez um dos meus favoritos do ano logo de cara.
Profile Image for brunakoelln.
76 reviews2 followers
March 3, 2026
“seu ernesto dizia para a minha irmã que quem volta nunca mais será a mesma pessoa que foi. eu acho que, além disso, essa pessoa também vai encontrar, na volta, um lugar e pessoas que não são mais aquelas de quando ele partiu.”

são histórias contadas a partir de fragmentos, que tem suas camadas desvendadas ao longo do livro, na visão de cada personagem envolvido. gostei muito da construção do livro e a escrita é fluída; importantíssimo para entender tantos aspectos que não são tão aparentes quando se fala nas possibilidades de ascensão social ou discutidos quando se fala de racismo. esse desencaixe, esse não pertencimento a lugar nenhum. poderia ter aprofundado um pouco mais cada personagem e suas conexões, para que o texto abraçasse melhor quando havia alguma explicação mais elaborada de algo; como os capítulos eram curtos, esses pedaços ficavam um pouco deslocados. mas entendo a escolha da autora, que procurou o meio, o meridiano.

“e não é que a gente tenha que ficar preso nesse passado de onde viemos, mas é importante que não nos esqueçamos dele, exatamente para que tenhamos a liberdade de caminhar e encontrar outras casas”


-
e de bônus uma citação que como imigrante eu mesma, me tocou diretamente,
“ter me tornado imigrante me fez olhar para a minha casa de maneira diferente e me fez menos duro, menos dono da verdade, menos julgador. à medida que eu ia criando novas relações, via que esse negócio de construir outras referências não é tão fácil. no fim, eu estava tentando atender a alguma expectativa que não era minha, e me perdia de mim.”
Profile Image for Gabrielle Alves.
118 reviews7 followers
May 1, 2026
Meridiana é sobre uma família tentando encontrar seu lugar num mundo que prometeram que seria o melhor, sem problemas. Apesar de terem o conforto, a estrutura e os recursos que pareciam ser os requisitos para a felicidade, ainda assim faltam a comunidade, o pertencimento e o amor.

O que acontece quando uma criança negra é levada a alisar os cabelos para se encaixar na melhor escola? A fazer ballet mesmo quando não gosta? E quando o bullying se torna racismo? O que leva um pai a revistar a casa do bairro pobre onde morava? O que o faz se sentir mal mesmo tendo passado no concurso público que mudou a história de sua família?

Eliana consegue construir múltiplos pontos de vista que se sobrepõem, desenham as dificuldades materiais e psíquicas da ascensão social de famílias negras e nos fazem sentir — e, no meu caso, me ver — em muitos daqueles conflitos. Meridiana é essa mulher que vive na fronteira, nem cá nem lá, mas que tenta existir como pode. E, pra mim, o epílogo foi o que mais me fez chorar. Precisamos de escritas assim, que denunciam, que nos abrem os olhos, mas que mostram que estamos caminhando também — que ainda é possível ter esperança e fé nas pequenas grandes mudanças que estamos construindo para um Brasil que precisa ser reinventado todo dia.
Profile Image for Babi Leitora &#x1f342;.
273 reviews1 follower
March 21, 2026
Ele poderia ter mais páginas? Sim poderia, mas não precisou.. conseguiu mexer, conseguiu tocar, conseguiu acertar!
Profile Image for Ana.
3 reviews
April 24, 2026
Sinceramente, preciso de um tempo pra digerir e conseguir dizer algo sobre ele
Profile Image for Cecília Reis.
19 reviews
January 19, 2026
Gostei muito desse livro. Acho que é uma leitura importante para quem é branco compreender um pouco do que significa ser negro no Brasil. Mesmo tendo ascendido financeiramente, a família Pena continuou sendo rejeitada em cada um dos novos espaços a que tinham acesso. Foi interessante também observar como os personagens lidavam com o racismo de forma diferente conforme as gerações. Apesar das variações, o problema essencial que é o racismo, porém, continuou presente da mesma forma.
Por fim, gostei de como a história é contada a partir do ponto de vista de cada um dos personagens. O Augusto é um personagem que eu detestava e jamais leria um livro escrito por um dos muitos Augustos que temos por aí, mas valeu a pena conhecer o ponto de vista dele. Infelizmente ele começa a entender o lugar dele no mundo muito depois que os irmãos e de uma forma muito cruel.
Enfim, uma leitura muito fluida e importante!
Profile Image for Déborah de Oliveira .
5 reviews1 follower
October 19, 2025
A escrita de Eliane Alves Cruz é simplesmente genial. Adorei a história, o desenvolvimento dos personagens.

“É fácil voltar quando você precisa do que ficou para trás para prosseguir.”
Profile Image for Eduardo Sá.
65 reviews
March 8, 2026
Eliana Alves Cruz tem um dom raro: o de fazer o leitor sentir dores que não lhe pertencem. Foi exatamente essa sensação que me acompanhou durante a leitura de Meridiana.

Trata-se de uma narrativa breve, concisa, sem qualquer excesso, que demonstra como um universo inteiro pode ser construído com poucas palavras. A história nos apresenta à família Pena, que busca uma forma de ascensão social em um mundo onde a cor da pele ainda funciona como um marcador silencioso, mas determinante, de posição hierárquica.

Um dos grandes acertos da autora está na escolha de narrar a história a partir da perspectiva dos cinco membros da família. Cada voz revela sonhos, frustrações e desafios próprios, enquanto acompanham a tentativa de deixar a favela para viver em um condomínio no centro da cidade. Nesse percurso surgem não apenas as tensões da desigualdade racial, mas também, para alguns personagens, conflitos ligados à orientação sexual e ao sentimento de deslocamento.

A leitura foi poderosa justamente porque me provocou desconforto em diversos momentos, e também um certo sentimento de culpa. Sendo branco, sei que jamais experimentarei na pele as dores cotidianas impostas pelo racismo. Ainda assim, Eliana consegue traduzir, mesmo que de forma apenas aproximada, essas experiências em palavras que tocam e inquietam. Há na obra um tom quase de conscientização, mas que também exige do leitor uma disposição sensível para que seja plenamente apreciada.

Meridiana e César foram, para mim, os eixos emocionais da narrativa. Talvez porque ambos lidem de forma mais evidente com a solidão, com as questões da sexualidade e com a sensação persistente de não pertencer completamente ao lugar onde estão.

É um livro belo e breve, mas com uma intensidade que faz parecer que convivemos com aquela família por muito mais tempo do que as páginas sugerem. Quando a história termina, fica uma espécie de silêncio, como se aquelas vidas continuassem existindo em algum lugar fora do livro, ainda tentando encontrar seu espaço, ainda carregando suas ausências.

Terminei a leitura com a sensação de que algumas histórias não acabam de verdade. Elas apenas se afastam de nós devagar, deixando para trás um rastro de inquietação e uma pergunta que permanece. Talvez seja exatamente aí que reside a força de Eliana Alves Cruz.
Profile Image for Andrezza Guanabara.
43 reviews
December 2, 2025
Terminei de ler Meridiana e, sério, o livro me pegou. Denso, bonito e cheio de reflexões.
Algumas partes até puxaram memória da infância: aquelas “brincadeirinhas” na escola que todo mundo fingia que eram só zoeira, mas carregavam um racismo pesado. E a escola? Silenciava. Fingiam que nada estava acontecendo.

A história da sobrinha da Meridiana então… dolorosa. O que ela passou, o que a própria Meridiana viveu, e todo o peso que a família carregava tentando “proteger” — mas, no fim, só ensinando a se encolher. A se esconder pra caber no que esperavam delas.

É um livro que deixa marcas. Daqueles que cutucam pontos que a gente achou que tinha esquecido.
Profile Image for vitória cunha.
83 reviews2 followers
April 13, 2026
li esse atrasada pro clube do livro (e me arrependi de nao ter pego firme antes pra participar da discussão) e gostei muito!

história super sensível e com nuances diversas dentro do mesmo tema, tudo me deixou muito investida, me importei com cada personagem e cada ponto de vista foi muito legitimo dentro das complexidades do contexto.

a unica coisa que ficou um pouco fora do que eu esperava foi o finalzinho a partir da carta da meridiana pra sobrinha, mas fora isso, ótima experiência! quebrou com a sequencia de livros ruins que venho lendo de fevereiro pra cá
Profile Image for Amazonina.
93 reviews2 followers
February 27, 2026
Meridiana é um romance de identidade, pertencimento e sobre o que se perde no caminho quando se atravessam fronteiras sociais.
A ascensão de uma família negra à classe média traz o peso das expectativas, os silêncios familiares e a sensação de não pertencer completamente a lugar nenhum.
Um livro sensível, necessário e cheio de nuances muito bem escrito e construído a partir das vozes dos vários personagens.
Profile Image for 4samirexss.
45 reviews
January 17, 2026
A travessia no chão da vida é cheia de atravessamentos e haverá um tempo, um lugar e pessoa para os quais precisamos retornar para seguir adiante. Os Porto Pena são tantos de nós e são nós mesmos em cada família brasileira que avança impulsionadas pelos estudos, pelo concurso, pelo trabalho. Em Meridiana, Eliana Alves Cruz não só descreve que nossos passos vem de longe, e que mesmo realizando os sonhos não vividos de nossos antepassados, as alegrias e as dores de cada pisada na mesma travessia pode ser diversa para cada geração.
Profile Image for Luisa Martins.
14 reviews1 follower
February 13, 2026
gostei bastante, principalmente pela mudança rapida das vozes que narram e deixam a história ainda mais interessante. amei muito Solitária e esse não seria diferente - a leitura é muito fluida e a autora aborda temas tão importantes de uma maneira extremamente crua; é um retrato fiel da realidade de muitos brasileiros, além de um convite a desafiar a branquitude
Profile Image for Tami Lima.
18 reviews2 followers
January 5, 2026
Cada parte da história é contata por um personagem diferente, como a história se entrelaça e as cenas vão se complementando é lindo. Uma leitura deliciosa.
Profile Image for Daiana.
87 reviews4 followers
January 18, 2026
Primeiro livro que li da Eliana e já vou buscar outros. Livro maravilhoso, ótima cadência e com passagens emblemáticas sobre mobilidade social, racismo e envelhecimento. Recomendo muito.
Profile Image for Caroline Moreira.
53 reviews
January 21, 2026
Ridiculamente relacionável com milhões de coisas que eu vivi na minha infância e adolescência kkk queria que meus pais lessem esse também ❤️‍🩹
Profile Image for Quel.
4 reviews
March 29, 2026
Clube do Livro do podcast Sentadas na Janela + Café com Nat (:
Displaying 1 - 30 of 103 reviews