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Meridiana

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Sair da favela e ingressar na vida de classe média era o grande sonho de Aurora e Ernesto. Esse propósito era alimentado pelo amor e pelo desejo de criar filhos "prósperos, exemplares e respeitados pela melhor sociedade". Deu certo.

Com sua prosa leve e, ao mesmo tempo, precisa, Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa engenhosa sobre o processo de ascensão social de uma família negra. Cada personagem — a mãe, o pai, os filhos e a filha — conta a própria história em primeira pessoa. São testemunhos de uma travessia que nunca é igual para ninguém. Ao explorar a pluralidade de vozes, a autora alcança a complexidade que dá ao processo sua fisionomia particular.

Em tempos de desigualdades agudas e divisões de toda sorte, é fundamental olhar a realidade sob diferentes ângulos, explorar nuances e identificar caminhos que nos permitam criar um terreno comum de diálogo. Meridiana faz jus ao nome, conecta polos no espaço e no tempo e nos ensina como passar adiante as conquistas que acumulamos, garantindo que as gerações futuras não se percam e sigam ancoradas no chão da vida.

Três gerações de um Brasil negro e desigual que, apesar da dor e do trauma, mostra que tem, sim, caminho. Um baita romance, escrito em seis vozes. Um caleidoscópio imperdível!  — Bianca Santana

Identificação e compreensão imediata. Foi assim que Meridiana me chegou. Os dilemas da ascensão social são retratados em detalhes tão particulares e íntimos que pareceram uma memória viva de minha casa. Questões comumente enfrentadas por uma pessoa preta ao adentrar novos círculos sociais surgem de um modo tão fiel que até arrepia. É o tipo de livro que dá vontade de economizar páginas, pra ficar lendo mais tempo. — Lázaro Ramos

184 pages, Paperback

First published October 1, 2025

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About the author

Eliana Alves Cruz

15 books148 followers
Jornalista por formação, Eliana Alves S. Cruz nasceu no Rio de Janeiro, onde atua como chefe do Departamento de Imprensa da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos, sendo também vice-presidente do Comitê de Mídia da Federação Internacional de Natação – FINA. Nesse campo de trabalho, visitou dezenas de países e participou de três Olimpíadas, vinte Campeonatos Mundiais e inúmeros eventos nacionais ligados ao esporte aquático, sendo também responsável pelo site www.blacksportclub.com.br, voltado para o resgate da presença negra no esporte.

Como escritora, vem se destacando na ficção, inicialmente com o romance Água de barrela, fruto de cinco anos de pesquisa sobre a história de sua família desde os tempos da escravidão. Em 2015, o livro foi contemplado em primeiro lugar no Prêmio Oliveira Silveira, concurso promovido pela Fundação Cultural Palmares, que o publicou no ano seguinte. E uma nova edição já se encontra disponível pela Malê Editora. Para a antropóloga Ana Maria da Costa Souza,

A profundidade dos personagens e a verossimilhança das situações por eles vividas são os pontos chave deste romance baseado em 3 séculos de história real de uma família negra no Brasil. Não há como não ser tocado por emoções intensas diante de muitos momentos do texto. A força da narrativa reside, precisamente, na riqueza de detalhes que conferem densidade e vigor à história.

Em 2016, integrou a edição 39 da série Cadernos Negros, com poemas de sua autoria. E, no ano seguinte, contribuiu com dois contos para a 40ª edição dos Cadernos, entre eles a narrativa de ficção científica intitulada “Oitenta e oito”. Neste mesmo ano, participou também da premiada antologia Novos poetas.

Empenhada no resgate da memória social e cultural afro-brasileira, seu mais novo romance – O crime do cais do Valongo – figura como romance histórico e policial, com uma instigante narrativa que se inicia em Moçambique e chega até o Rio de Janeiro.

A influência que a autora teve para escrever sobre o Valongo, foi a descoberta dos objetos encontrados em escavações recentes. Entre o período de 1811 a 1831 muitos escravos chegaram ao Brasil por esse cais, todos os artefatos despertaram a criatividade da autora, possibilitando assim o começo da escrita do seu livro, que é feito de inúmeras memorias dos ancestrais que foram escravizados e mortos no cais, - diz autora em entrevista a Médium Books(https://medium.com/blooks/entrevista-...-).

A mensagem que a autora deixa para os seus leitores em entrevista a Médium Books é “Brasil, se olhe no espelho, enxergue quem você realmente é se ame. A história e o conhecimento do povo negro são tesouros riquíssimos que precisam ser descobertos e aproveitados por toda a nação”. Assim é possível observar o resgate da memória e a preservação da identidade cultural negra almejado pela escritora.

Eliana Alves Cruz é também autora do blog www.flordacor.blogspot.com com textos voltados para a apreciação do trabalho de mulheres negras brasileiras em diversos campos de atuação.

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Displaying 1 - 30 of 40 reviews
Profile Image for Gabrielle Cunha.
435 reviews117 followers
January 10, 2026
Eliana, que escritora você é!!! As mudanças de vozes narrativas são perfeitas. A narrativa, tão bem escrita, carrega tanto. O racismo, a solidão dentro do próprio seio familiar, as batalhas que cada personagem carrega, os temas abordados, as nuances das situações apresentadas. Nossa! Genial. Forte. Impactante.
Profile Image for Diana Passy.
145 reviews321 followers
Read
December 24, 2025
“Era só o que faltava, a gente brigando entre a gente. Um país todinho fodido desses, e a gente nessa! Eu hein… E lá do outro lado, no lado dos bacanas, geral tá tranquilaça, só curtindo a vida”, disse Tonho.
“Mas e quem tá no meio do caminho entre aqui e lá? Como é que fica?”
Tonho me olhou com um ar divertido.
“Quem tá no meio é fodidaço igual a nós, mas finge que não sabe disso.”

* * *

Eu tinha me condicionado para a decepção, estava me preparando mentalmente para ela desde o momento em que terminei a última questão daquela prova. A mãe, inclusive, já havia começado a me consolar, me aconselhou a ir na dona Juca Benzedeira, disse que agora eu podia tentar conciliar um ano de cursinho com algum trabalho.
Até ali, dona Feliciana fez tudo o que pode para me dar condições mínimas para que eu não precisasse deixar a escola. O que ela não conseguiu foi me oferecer ferramentas para eu lidar emocional e psicologicamente com a realidade de ser bem-sucedido. Ela não sabia o que era ter êxito, essa sensação fazia sua estreia tanto em mim quanto nela.

* * *

E eu estava cansando daquela vida em que uma conta puxava outra: o terno que sugeria a gravata; a comida que harmonizava com um vinho específico; a visita que pedia a mobília da moda; o cargo que pedia um carro… que eu não podia pagar.
Eu havia escolhido trabalhar no banco de maneira muito consciente, para ter segurança financeira, estabilidade, para construir um patrimônio. Portanto, não foi o banco que me escolheu, não recebi dele nenhum chamado em meus sonhos, a decisão de estar lá foi fruto da necessidade. E se eu tivesse dinheiro suficiente para me manter? No que eu trabalharia com prazer o resto da minha vida? Descobri que eu nunca tinha pensado sobre qual seria o meu real talento, e pensar nisso foi como voltar à juventude, para aquela fase da vida em que vamos definir nossos rumos.

* * *

Pode parecer incrível, mas de certa maneira era mais fácil quando morávamos na Matadouro. Nossos filhos eram menores, estudavam aqui, nós também trabalhávamos no centro, mas eu tinha perto de mim Zuleica, minha mãe, dona Feliciana, dona Juca Benzedeira e vizinhas que, quando era preciso, uma ficava com o filho da outra. Todo mundo era mãe e tia de todo mundo. Quando nos mudamos para o centro, passamos a ter muito mais recursos materiais do que naquela época, mas muito menos recursos afetivos e de suporte. Não há dinheiro que compre um “Tua mãe não tá aqui, então eu sou a lei”; “Não apronta, porque quando ela chegar vou contar tudo”; “Arrume as coisas com calma, filha, deixa os garotos brincando no meu quintal”.

* * *

A minha implicância com o retorno do Ernesto à Matadouro é porque eu também quero voltar, mas não para um lugar concreto. Tenho uma saudade profunda do que nos levou a unir nossa vida, do que sonhávamos juntos para nós não apenas materialmente. Ele acha que precisa pisar ali para conseguir se lembrar de quem ele era, mas eu não.

* * *

Quando contei para Zuleica, ela disse:
“Ah, é um nome diferente, bem coisa do Ernesto mesmo. Pelo menos vai tirar a menina da mesmice de Lucianas, Marias, Cláudias, Márcias…”
“O que vocês dois têm contra o que é comum?! Esses nomes que você falou são lindos. Também é bonito ser igual a todo mundo. Que mal tem ser apenas mais um no meio da multidão?

* * *

Ter me tornado imigrante me fez olhar para a minha casa de maneira diferente e me fez menos duro, menos dono da verdade, menos julgador. À medida que eu ia criando novas relações, via que esse negócio de construir outras referências não é tão fácil. No fim, eu estava sempre tentando atender a alguma expectativa que não era minha, e me perdia de mim.

* * *

Voltei à carga mais tarde, mas não tomaram nenhuma providência prática e ainda tive que ouvir um “coisa de criança, não se preocupe”.
“Coisa de criança ensinada a ser racista!”’
Quando são menores é coisa de criança. Quando são jovens, estão repetindo o que aprendem em casa. Quando são adultos, ou estão reproduzindo a estrutura, ou têm questões psiquiátricas. E quando são velhos estão senis. É esse o ciclo das desculpas irresponsáveis pelo crime.

* * *

Priscila estava tendo com Nandi uma atitude parecida com a que minha mãe teve comigo, ou seja, achava que protegia a filha modificando-a. A diferença brutal entre elas eram os egos: um inflado e o outro quebrado. Minha cunhada, diferentemente da minha mãe, queria fazer da filha a sua imagem e semelhança. Já minha mãe queria fazer de mim a imagem e semelhança de mulheres iguais à minha cunhada.

* * *

Força, Nandi, eu te pedi, quando você tinha oito anos! Te pedi porque também fui muito exigida nessa mesma idade. Força, autocontrole para não reagir com raiva, polidez nos gestos e na voz, aceitar, sorrir, gostar e me moldar a uma imagem que não era a minha.
Alguns fatos vão me ocorrendo apenas agora, enquanto escrevo. O Augusto e eu brigávamos demais porque ele adorava dizer que eu tinha inveja da sua mãe, e não é que ele estava certo? Ele só errava na causa desse meu sentimento, que não tinha nada a ver com a aparência da Priscila, mas com a liberdade que ela desfrutava de ser o que bem quisesse, do jeito que achasse melhor, de falar o que bem entendesse. Ela não precisava dessa tal “força” que viviam querendo que eu tivesse.
Profile Image for Andre Aguiar.
479 reviews117 followers
Read
September 5, 2025
criamos espaços que não são nem lá e nem cá. estranho ser imigrante sem sair de casa, mas, por incrível que pareça, a gente se acostuma com o desencaixe. e, pior, transmite a mesma ideia para quem vem depois.
Profile Image for Déborah de Oliveira .
5 reviews1 follower
October 19, 2025
A escrita de Eliane Alves Cruz é simplesmente genial. Adorei a história, o desenvolvimento dos personagens.

“É fácil voltar quando você precisa do que ficou para trás para prosseguir.”
Profile Image for Andrezza Guanabara.
43 reviews
December 2, 2025
Terminei de ler Meridiana e, sério, o livro me pegou. Denso, bonito e cheio de reflexões.
Algumas partes até puxaram memória da infância: aquelas “brincadeirinhas” na escola que todo mundo fingia que eram só zoeira, mas carregavam um racismo pesado. E a escola? Silenciava. Fingiam que nada estava acontecendo.

A história da sobrinha da Meridiana então… dolorosa. O que ela passou, o que a própria Meridiana viveu, e todo o peso que a família carregava tentando “proteger” — mas, no fim, só ensinando a se encolher. A se esconder pra caber no que esperavam delas.

É um livro que deixa marcas. Daqueles que cutucam pontos que a gente achou que tinha esquecido.
Profile Image for Tami Lima.
18 reviews2 followers
January 5, 2026
Cada parte da história é contata por um personagem diferente, como a história se entrelaça e as cenas vão se complementando é lindo. Uma leitura deliciosa.
Profile Image for Daiana.
85 reviews4 followers
January 18, 2026
Primeiro livro que li da Eliana e já vou buscar outros. Livro maravilhoso, ótima cadência e com passagens emblemáticas sobre mobilidade social, racismo e envelhecimento. Recomendo muito.
Profile Image for Marcelo.
320 reviews2 followers
November 16, 2025
“não somos ricos, mas vivemos bem. estou em crise é com a definição do que é viver bem…”
Profile Image for Um mar de fogueirinhas.
2,208 reviews22 followers
November 6, 2025
Gostoso de ler apesar do tema espinhento, me lembrou o livro da Odette de Barros Mott que eu li dez vezes (e agora?).
Profile Image for Felipe Lima.
635 reviews
January 5, 2026
★★★★½
Meridiana, da Eliane Alves Cruz, abriu meu ano literário com uma força silenciosa, dessas que vão se entranhando na pele sem pressa, mas com absoluta precisão. É um romance que pulsa memória, afeto e pertencimento — e que me envolveu desde as primeiras páginas com uma escrita que parece respirar junto da gente.
Eliane tem um talento raro para transformar lembranças em matéria viva. Logo no início, quando a narradora diz que “nunca conheci a miséria no estômago, mas ela sempre me foi íntima”, eu já sabia que estava diante de uma autora que entende profundamente o peso das heranças emocionais. Essa presença fantasmática da pobreza, convocada pelo pai como uma forma de manter os pés da família no chão, é uma das imagens mais bonitas e dolorosas do livro.
A narrativa é atravessada por silêncios — silêncios que ferem, que protegem, que dizem mais do que qualquer diálogo. “Desde uma discussão que tivemos na casa antiga, nos comunicávamos por silêncios” é uma frase que me acompanhou por toda a leitura, porque sintetiza perfeitamente a delicadeza com que Eliane retrata as fissuras familiares.
E há também a Matadouro, esse lugar que funciona como raiz, porto e fantasma. Nos momentos de inquietação, a narradora se volta para lá, como quem busca no passado uma bússola para o presente. Essa relação com o território é construída com uma sensibilidade que me tocou profundamente.
Mas talvez o trecho que mais me emocionou tenha sido aquele em que ela diz que gostava de posar com um livro no colo só para sentir o olhar carinhoso da mãe. A leitura como gesto de amor, como forma de ser visto, como afeto. É impossível não se reconhecer ali.
Meridiana é um romance afetivo, luminoso, escrito com uma elegância que nunca se impõe — ela apenas acontece. Eliane Alves Cruz entrega uma história que honra memórias, corpos e trajetórias, sem nunca perder a ternura.
Começar o ano com esse livro foi um presente.
Quatro estrelas e meia, com o coração cheio.
Profile Image for Neylane Naually.
302 reviews11 followers
November 20, 2025
“Quando são menores [racismo] é coisa de criança. Quando são jovens, estão repetindo o que aprendem em casa. Quando são adultos, ou estão reproduzindo a estrutura, ou têm questões psiquiátricas. E quando são velhos estão senis. É esse o ciclo das desculpas irresponsáveis pelo crime.”

A ascensão de uma família negra que sai da favela para um bairro chique após o pai passar no concurso do Banco do Brasil é o cenário de Meridiana, novo livro da autora brasileira Eliana Alves Cruz, lançado recentemente pela Companhia das Letras. No livro, cada personagem narra no seu ponto de vista como foi cruzar essa fronteira social, começando lá nos anos 80 até os dias atuais, pois é uma fronteira que parece se esticar infinitamente, e a travessia nunca consegue ser 100% feita, sempre tem algo que puxa pra trás, ou mais ainda, algo que impede o avanço.

O livro mostra os racismos no Brasil, desde o racismo estrutural, as micro agressões diárias, os olhares de não-pertencimento, a luta constante pela aceitação num ambiente predominantemente branco, os rótulos, a autoconsciência e a auto aceitação até o mais escancarado: os xingamentos, o bullying, a depreciação, a violência, o linchamento. Cada pessoa da família passa por uma Odisseia própria, mas todos sem exceção precisam lutar muito para permanecer num lugar que os quer longe, sempre longe.

É uma leitura bonita, que prende a gente e obviamente faz refletir sobre a nossa sociedade. Gosto muito do paralelo entre Meridiana e a sobrinha Nandi, ambas foram garotas negras num colégio predominantemente branco, mas com Nandi a luta seria feita de outra forma e traria outras respostas: “Eu tinha uma infinidade de lacunas na minha trajetória que fui largando pelo percurso porque, afinal, era preciso avançar. Os fatos podem até se repetir, mas não precisam gerar as mesmas consequências.”
Profile Image for Ingrid Mondoni Martins.
27 reviews
January 11, 2026
Meridiana foi uma leitura muito gostosa e tranquila, daquelas que fluem com naturalidade. O livro me conquistou principalmente pela forma como retrata as relações familiares — cheias de conflitos, afeto, silêncios e tentativas de pertencimento.

A história fala sobre uma família em movimento: que já não pertence mais ao lugar de onde veio, mas que também não se sente acolhida no lugar onde chegou. Existe essa sensação constante de estar no meio do caminho, e cada personagem vive esse deslocamento de um jeito próprio. Gostei muito de acompanhar a perspectiva de cada membro da família e de como, mesmo em meio às tensões e de terem que lidar com uma sociedade racista, os laços seguem carregados de emoção.

O final me tocou bastante. Apesar de ser um momento de despedida, senti uma reconexão: pais envelhecendo, filhos diferentes de quem foram, e a compreensão de que voltar não significa regressar ao que se era, mas acolher algo que ficou para trás. Como o próprio livro sugere, quando voltamos, já não somos mais os mesmos — e os outros também não.

A figura de Meridiana é central nesse processo: mesmo sendo um ponto de divisão pelo nome, ela se torna elo, ligação, costura entre os polos da família. E a chegada da nova geração reforça essa ideia de continuidade, mudança e recomeço.

Um livro delicado, humano e cheio de camadas, que fala sobre pertencimento, transformação e o que nos liga — mesmo quando tudo parece nos afastar.
Profile Image for Will Oliveira.
47 reviews2 followers
December 29, 2025
Eliana Alves Cruz segue na toada que deu origem a Solitária e que se dedica a registrar o momento histórico atual. Aqui, seu foco é uma narrativa sobre mobilidade social e o limbo em que se fica ao não se integrar totalmente ao novo lugar e, ao mesmo tempo, também não fazer mais parte de onde se veio. A autora é mestra em exteriorizar o que se passa no interior das personagens e hábil em conduzir narrativas de múltiplos personagens e pontos de vistas. A forma como narra a jornada através de 6 personagens diferentes é tocante em vários momentos e traz diversos questionamentos que estão na ordem do dia dos movimentos sociais, um grande registro do nosso tempo, nossos anseios e nossas angústias. Mas o grande destaque é realmente a humanidade presente em todas as personagens, com suas particularidades e contradições, sem saídas fáceis ou construções estereotipadas, arquetípicas ou maniqueístas.
Profile Image for Nathália .
928 reviews34 followers
December 16, 2025
Alivrão, livrão, livrão.


sobre uma família que "sobe na vida" e muda pra um condomínio melhor, escola melhor, vida melhor... mas será mesmo?

Sou muita fã da Eliana e este livro só corrobora.

A Eliana é jornalista e dá pra sentir, tanto na escrita boa, fluida e direta (ela precisa de poucas páginas pra dizer tudo), como na inclusão de histórias que vimos na mídia e nos tocam ainda mais por sabermos que são verdade (não tem como negar, sabe?)

Este livro é uma potência. Quero que vá muito longe. E volte.
Profile Image for Marília Lopez.
162 reviews2 followers
January 3, 2026
primeiro do ano, que leitura linda e arrebatadora! a escrita de eliana alves cruz é de uma sensibilidade e uma poesia tocante. a história é contada por seis personagens da mesma família, retratando sua ascensão social, marcada por seus dilemas, suas dificuldades e as marcas deixadas em cada um. o racismo também é um tema central, impossível de não ser mencionado, diante das estruturas, hábitos e costumes asquerosos da nossa sociedade.
é uma leitura viciante, me peguei evitando ler para que não acabasse, e ao mesmo tempo não conseguindo parar quando começava.
Profile Image for 4samirexss.
45 reviews
January 17, 2026
A travessia no chão da vida é cheia de atravessamentos e haverá um tempo, um lugar e pessoa para os quais precisamos retornar para seguir adiante. Os Porto Pena são tantos de nós e são nós mesmos em cada família brasileira que avança impulsionadas pelos estudos, pelo concurso, pelo trabalho. Em Meridiana, Eliana Alves Cruz não só descreve que nossos passos vem de longe, e que mesmo realizando os sonhos não vividos de nossos antepassados, as alegrias e as dores de cada pisada na mesma travessia pode ser diversa para cada geração.
Profile Image for Thaizi Ono.
134 reviews
November 12, 2025
Que leitura impressionante!

Com uma estrutura narrativa brilhante (vários pontos de vista de uma mesma família), "Meridiana" oferece a experiência do ponto de vista interno para quem está de fora, invertendo a ótica social.

É um retrato vívido da realidade e da experiência da negritude no Brasil, mostrando a luta de ascensão social e a permanente sensação de estar entre o mundo de origem e o mundo conquistado.
Profile Image for Samanta Silva.
10 reviews3 followers
January 10, 2026
Meridiana é um livro que se lê com cuidado, não pela dificuldade, mas pelo respeito que a história exige. Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa atravessada por silêncios, memórias e afetos que nem sempre encontram palavras, mas que ainda assim dizem muito.

Terminei a leitura com a sensação de ter sido atravessada pela história, não como espectadora, mas como alguém convidada a sentir junto. Um livro necessário, bonito e potente, que permanece mesmo depois da última página.
Profile Image for Leticia Ferreira.
36 reviews
January 13, 2026
lindo, super emocionante, tocante, sensível. adoro a escrita da sandra e ler esse livro foi uma experiência muito profunda. amei a forma que os capítulos intercalam o ponto de vista de cada personagem, nos aproximando e empatizando com cada um. a forma que os conflitos familiares, sociais e pessoais foram tratados foi excelente. a carta sobre solidão que a meridiana escreve me tocou num lugar muito íntimo.
incrível!
Profile Image for bru.
59 reviews
December 14, 2025
2.5 ☆
infelizmente esse não funcionou pra mim :/

acho que a história é muito importante e aborda muitos tópicos relevantes e críticos, mas achei a escrita um pouco maçante, senti que todos os personagens poderiam ter sido mais aprofundados, no final terminei achando que a história poderia ter sido muito mais aproveitada.
Profile Image for Jessica Gomes.
12 reviews
December 26, 2025
pois injetar a noção de culpa nas veias é uma arma eficaz para congelar uma vida.
_

criamos então espaços que não eram nem lá nem cá. estranho ser imigrante sem sair de casa, mas, por incrível que pareça, a gente se acostuma com o de-sencaixe.
_

é fácil voltar quando você precisa do que ficou para trás para prosseguir.
Profile Image for rhyszztin.
5 reviews
December 30, 2025
“pai, é mais fácil ir ou voltar”
“depende. é fácil voltar quando você precisa muito do que ficou para trás”

não consigo explicar o que essa leitura significou pra mim, meridiana é um livro que te incomoda, principalmente se você consegue se ver, mesmo que rapidamente nos personagens, meridiana eu te amo tanto e desde o prólogo eu já sabia que você seria a melhor personagem de todo o livro
3 reviews
January 4, 2026
Maravilhoso! Achei esse livro ouvindo o podcast café da manhã com uma entrevista à autora. A história é muita real pois conta a realidade de muitos brasileiro que vem da comunidade. Adorei a escrita de Eliana Alves e a estrutura do livro é demais! Com certeza vou ler mais livros dela
Profile Image for Thiago Reginato.
6 reviews
January 9, 2026
Narrativa envolvente e tocante, com o ponto de vista de diversos personagens, sobre como família negra e periférica chega a classe média e quebra barreiras de uma sociedade preconceituosa e elitista. E as marcas que a vida deixa nessas pessoas, que sao muitas.
Profile Image for Nicole Carolina.
13 reviews1 follower
November 8, 2025
todo perfeito impecavel todos os personagens todas as construções eu amei amei amei
Profile Image for Júlia Vaz.
8 reviews1 follower
November 18, 2025
Muitas camadas, muito bem escrito e num formato que não me deixou parar de ler. Maravilhoso
Profile Image for Fernanda.
17 reviews
November 29, 2025
uma mesma história narrada por cada membro da família. achei demais as diferentes visões e como cada um encarou a vida e todos seus desafios. além disso, a escrita é leve e uma delícia!
Displaying 1 - 30 of 40 reviews

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