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Os amantes sem dinheiro e outros poemas
Nos poemas de Eugénio de Andrade, cuja produção vai da década de 1940 a 2001, o desejo ocupa espaço central. É como se o erotismo, no sentido mais amplo da palavra, fosse sua maneira de compreender e de se relacionar com o mundo: o sorriso é o convite, a entrega que torna todas as coisas possíveis, e o oposto disso seria o desprezo, a mudez, a falta de interesse. No poema “Quase epitáfio”, ele diz: “Amei o desejo/ com o corpo todo.// Ah, tapai-me depressa./ A terra me basta./ Ou o lodo.”
Esta edição é uma oportunidade para se conhecer uma das vozes mais fascinantes da literatura de língua portuguesa, até então pouco difundida entre os leitores brasileiros. Ao abordar a fragilidade, o desejo homoerótico e o arrebatamento provocado pela paixão, o poeta trata também da solidão e do significado de estar vivo. “Da beleza, da bárbara/ orgulhosa beleza, quem sabe defender-se/ sem medo do coração lhe rebentar?”
Esta edição é uma oportunidade para se conhecer uma das vozes mais fascinantes da literatura de língua portuguesa, até então pouco difundida entre os leitores brasileiros. Ao abordar a fragilidade, o desejo homoerótico e o arrebatamento provocado pela paixão, o poeta trata também da solidão e do significado de estar vivo. “Da beleza, da bárbara/ orgulhosa beleza, quem sabe defender-se/ sem medo do coração lhe rebentar?”
- GenresPoetry
320 pages, Paperback
Published February 24, 2026
About the author
Eugénio de Andrade
127 books93 followersThe Portuguese poet Eugénio de Andrade, pseudonym of José Fontinhas, is revered as one of the leading names in contemporary Portuguese poetry.
His poetry is most striking for the depth of his short poems. One of Eugénio de Andrade's most known poems is his Poem to Mother.
In 2001, he received the Portuguese award Prémio Camões.
His poetry is most striking for the depth of his short poems. One of Eugénio de Andrade's most known poems is his Poem to Mother.
In 2001, he received the Portuguese award Prémio Camões.
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Community Reviews
Displaying 1 - 3 of 3 reviews
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April 22, 2026A eternidade não pode ser senão assim: pombos e crianças a fazerem da luz incomparável da manhã o lugar inocente do poema.
April 18, 2026
Cansado de ser homem durante o dia inteiro
chego à noite com os olhos rasos de água.
Posso então deitar-me ao pé do teu retrato,
entrar dentro de ti como um bosque.
É a hora de fazer milagres:
posso ressuscitar os mortos e trazê-los
a este quarto branco e despovoado,
onde entro sempre pela primeira vez,
para falarmos das grandes searas de trigo
afogadas na luz do amanhecer.
Posso prometer uma viagem ao paraíso
a quem se estender ao pé de mim,
ou deixar uma lágrima nos meus olhos
ser toda a nostalgia das areias.
É a hora de adormecer na tua boca,
como um marinheiro num barco naufragado,
o vento na margem das espigas
[Os olhos rasos de água]
Homoerotismo na sua melhor forma. Lindo demais. Uma delícia conhecer este poeta, que priorizou antes de tudo, o olhar para o que é belo na vida.
April 28, 2026
Mais um poeta português. Gostei bastante do Eugénio, mas preciso comentar, que seleção inconsistente de poemas. Não sou muito fã do Eucanaã Ferraz como organizador, como escritor de prefácios menos ainda, é um grande nada sobre nada. Mesmo assim, ainda dá pra achar umas boas pérolas aqui, poesia boa pra valer. Não amei os poemas em prosa/crônicas poéticas, que são para mim o ponto mais fraco do livro, até por ocuparem boa parte dele. O Eugénio me lembra a Sophia, não só pelo estilo limpo mas também pelas obsessões de cada um deles. Prefiro ela, entretanto ele não fica muito atrás, não. Imagens lindas mais homoerotismo de alto nível, adorei.
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