Rita Preta, caixa num supermercado e mãe de três rapazes, vê a sua vida virada do avesso quando Cid, o mais velho, foge de casa depois de uma discussão acalorada e não volta a ser visto na comunidade. Inicialmente convencida de que se tratou apenas de um desentendimento passageiro, Rita acabará por perceber que o que aconteceu a Cid foi muito mais grave e que terá de ser ela a agir para recuperar o primogénito, mesmo correndo o risco de perder o emprego, o amante e até a vida, ameaçada por grupos violentos envolvidos no desaparecimento de muitos jovens em Salvador e também pela própria Polícia. Mas Rita descende diretamente de algumas personagens da fazenda Água Negra, onde decorria a ação de Torto Arado, e é como elas forte e obstinada, não desistirá. Assim, enquanto tenta lidar com uma culpa que carrega desde a infância, Rita lutará até ao fim pela justiça e pela verdade – e fará história, a mesma que um dia escreverá Cainho, o seu filho do meio, uma espécie de alter-ego do autor, que descobre nas histórias do seu povo a matéria-prima da criação literária. O mais recente romance de um autor cujo sucesso começou em Portugal e se espalhou depois a todo o mundo, com numerosos prémios, traduções e mais de um milhão de exemplares vendidos.
Itamar Vieira Junior (Salvador, 1979) é um escritor brasileiro. Formou-se em Geografia na Universidade Federal da Bahia, onde também concluiu mestrado. É doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia com estudo sobre a formação de comunidades quilombolas no interior do Nordeste brasileiro. Em 2018, venceu o Prémio LeYa, com o romance “Torto Arado”.
4,5* mais uma baita obra do Itamar, e agora concluindo essa saga q estarreceu o Brasil. no começo eu senti um pouco de repetição na "fórmula" dessa trilogia. o tom geral e a escrita desses livros se parecem e, pq ouvi o audiobook narrado pelo autor assim como com SALVAR O FOGO, talvez isso tenha contribuído pra essa sensação. porém isso logo passou e o livro me agradou bem mais do q o anterior.
a narrativa é bem mais focada e instigante e, eu diria, mais séria e urgente. me perdi um pouco nas idas e vindas de alucinações, sonhos e viagens ao passado, mas vou culpar o audiobook novamente KKKKK na fase distraída em q estou é fácil me dispersar. o terço final é incrível, de cortar o coração e impressionar com as passagens marcantes e difícieis de ler (ou ouvir).
é louvável oq o Itamar buscou abordar e escancarar com essa trilogia. histórias de legado, abandono, estagnação e força q refletem a jornada de muita gente no nosso país, contadas de um jeito sensível, digno e complexo.
Pensei que seria interessante uma história contemporânea do Itamar na capital baiana. Mas o livro demora demais a engrenar, e quando pega o ritmo entra em muitos temas ao mesmo tempo. Infelizmente é o mais fraco da trilogia, perdendo muito do que tinha antes.
Aí, Itamar… mais uma vez você me deixou com o coração na mão. Fez-me torcer, gritar, chorar com esses personagens que carregam mais verdade do que consigo expressar.
Este livro encerra a trilogia da terra. Aqui acompanhamos a história de Rita Preta — filha de Maze, neta de Carmelita e bisneta de Donana Chapéu Grande. Vivendo em Salvador, na cidade grande, ela cria seus três filhos até que, após uma discussão, o mais velho, Cid, desaparece. A partir daí se inicia uma verdadeira epopeia: a busca desesperada de Rita para descobrir o que aconteceu com seu menino. Uma jornada dura, atual, quase inacreditável, se não fosse tão atual. Aconteceu ontem e acontece hoje também.
Itamar, mais uma vez, sacode nossas vidas. Revolta, emociona, marca. Que presente de livro.
Que fim lindo para essa trilogia. Itamar Viera Junior nos dá um livro perturbador, mas ao mesmo tempo extremamente sensível e tocante. Algumas partes foram difíceis de lidar. Você sente a dor dos personagens e como é dura a realidade para muitos brasileiros. Obra primorosa!
Minha nossa! Que pedrada!! Uma leitura angustiante, triste, cruel e real. Itamar fecha a trilogia de forma potente e impactante, caprichando nas palavras. Salvar o Fogo ainda é meu favorito, mas é este o que tem uns trechos mas lindos. Em alguns momentos fica meio arrastado, mas a vontade de saber o que aconteceu é tão grande que é impossível parar de ler.
LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOKO DEMAIS. AQUI É O UNBOXING DA TRISTEZA, INJUSTIÇA E POBREZA. TUDO DÁ ERRADO E CERTO AO MESMO TEMPO, MAS TÁ TUDO ERRADO. MEIO POLICIAL, MEIO DECOLONIAL. TEM ENCHEÇÃO DE LINGUIÇA, MAS COM ESTILO. A LINGUIÇA É CARA. MELHOR QUE "SALVAR O FOGO". AMEI.
“a vida, de uma maneira bela, não se finda, segue sendo contada, passa adiante, se fixa em seu íntimo e nos de muitos outros. Sua vida é a continuação de muitas outras vidas, algumas das quais jamais irá conhecer, mas que mesmo assim se encontram inscritas na memória de seu corpo, nos códigos genéticos, nos traços remotos a nos constituírem humanos, nas paisagens que habitamos — as árvores plantadas e as retiradas; as construções revelando as camadas de tempo de uma cidade; a terra arada, revolvida, exaurida, de onde vem o metal, o minério, de onde vem o alimento a nos manter de pé; a terra e o asfalto onde correm o sangue, mas também onde brota a vida."
Belo fechamento da trilogia! Dilacerador, a história se repete, nossa sociedade está doente, e a cura é resistência!
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Na minha singela opinião, Coração Sem Medo é o melhor da Trilogia da Terra de Itamar Vieira Junior. Sei da importância de Torto Arado, mas é impossível não se envolver e se emocionar com essa história! "Viver pode ser maravilhoso, precisa acreditar..."
prosa muito fácil e fluída; dimensão urbana do universo literário "da terra" construído nos dois títulos anteriores; abordagem à violência urbana desde a perspectiva de suas maiores vítimas
O 3o livro desta trilogia é uma leitura cativante, que termina de forma decepcionante. A narrativa é profunda e incisiva ao detalhar o peso e a herança histórica de ser uma pessoa preta no Brasil, expondo a persistente fragilidade dessa condição em qualquer ambiente social e econômico, do campo à cidade, no passado e no presente. o autor se revelar um otimista, usando seus personagens para projetar a educação como a grande força capaz de superar a discriminação e a inferioridade social.
Infelizmente, essa potência narrativa se esvai no desfecho. O autor faz uma péssima escolha de finalização, que parece beber da fonte dos melodramas televisivos. A inclusão repentina de uma 'nova personagem' busca justificar toda a dor e insignificância da existência individual pela simples 'preservação da espécie'. Essa guinada enfraquece a tese central e desmerece a densidade histórica construída até então.
Me fez lembrar Schopenhauer em sua tese que “A Natureza (a Vontade) não se importa com a felicidade ou o sofrimento do indivíduo; ela só se importa que a cadeia da vida continue.”
Foi com certeza uma leitura extremamente densa. A história é extremamente real, e por isso, nos traz um peso emocional muito difícil de carregar durante todo o livro. A escrita do Itamar é perfeita nesse sentido, pois conseguimos sentir quase como se a situação estivesse acontecendo com a gente. Ou seja, é uma leitura travada, e não por um enredo engessado, mas por um sentimentalismo palpável e gritante. Diversas vezes precisei parar de ler para respirar. A leitura realmente me pegou.
Entretanto, ao longo do livro, me surgiram algumas críticas pontuais com relação ao estilo de escrita que o Itamar escolheu adotar neste livro. Essas críticas se fundamentam na experiência que eu tive com a escrita do autor em seu livro "Salvar o Fogo", em que também é abordado uma história sensível e de extrema importância, com o mesmo peso emocional de "Coração Sem Medo". Assim, durante a leitura, notei que o autor optou pelo uso desenfreado de incisos e hipérbatos, o que, na minha opinião, torna a leitura mais complicada. Em diversos momentos, a ordem das frases era rearranjada sem um motivo explícito, ou então, novas informações eram adicionadas no meio das frases sem muita filtragem do que era o não necessário para o entendimento completo do leitor acerca dos personagens e da história. Essas questões me incomodaram ao longo da leitura tendo em vista o quão real são as circunstâncias em que o livro está inserido. A violência policial em periferias é algo que acontece mais do que imaginamos. Está presente no dia a dia de diversas pessoas. E sabemos que essas pessoas são as mais distantes da literatura, são as que menos possuem oportunidades e acesso à livros. Por isso, acredito que tornar a escrita de uma história tão real e que gera identificação em algo de difícil compreensão me incomoda muito, especialmente para esta parcela da população brasileira.
Individualmente, não achei a leitura tão dificultosa como estou abordando, mas em diversos momentos precisei rele ruma frase ou outra para ter certeza que era aquilo mesmo. E acredito que este tipo de escrita mais afasta do que aproxima. Não estamos em um momento para tornar a leitura mais inacessível. Realmente acredito que isso seja um problema ao longo do livro, pois senti uma diferença gritante entre a escrita de um livro para o outro. E isso se relaciona com mais uma crítica que tenho do livro, a sua extrema falta de confiança no que está sendo exposto, tanto com relação à escrita do autor e com o entendimento do leitor. Por exemplo, em diversos momentos do livro, o autor tenta deixar algumas questões em aberto, dado a pouca informação que os personagens possuem aos determinados acontecimentos. A determinada situação é muito inteligente e interessante, exceto pelo fato do autor ficar repetindo as mesmas brechas narrativas deixadas em aberto, por ele mesmo, várias e várias vezes ao longo da história.
Por último, gostaria de falar sobre mais uma escolha feita pelo autor com relação à sua escrita que me gerou certo incômodo. Para isso, gostaria de retomar a minha última e única experiência com o autor, o livro "Salvar o Fogo". Neste, temos muito presente, durante toda a história, a crítica social sobre reforma agrária, dado que ambos os livros fazem parte da trilogia da terra, que giram em torno desta temática. No livro citado, é muito clara a crítica de Itamar sobre escritura e posse de terras, mesmo que feita de forma muito sútil, algo que me chamou muito a atenção durante a leitura. O oposto ocorre em "Coração Sem Medo". Itamar recorre à críticas expositivas demais, e ao fim do livro, quase repetitivas. O autor escolhe nos dar explicações que, ao meu ver, não eram necessárias e nem ao mesmo acrescentam para o núcleo principal do livro, em prol de uma crítica que já estava sendo feito e, acima de tudo, compreendida! É como diz o ditado: para bom entendedor, meia palavra basta. rsrsrs
Acho que estas frustrações tem uma relação direta com o fato de eu ter gostando MUITOOO do último livro dele, enquanto este aposta em um tipo de escrita e narrativa diferente, sendo mais explicativa. Mas num geral, o livro é muito bom. A construção da personagem principal é perfeita. A escrita, por mais que tenha me incomodado em alguns aspectos, é perfeita para nos fazer sentir a dor que Rita Preta está lidando. Além disso, gosto muito como Itamar aposta na ideia de que as dificuldades, dores, comemorações e belezas dos nossos antepassados ecoam em nós até hoje, de geração em geração, assim como acontece com a terra. É top. To com o Itamar até o fim.
Desgraçamento e desesperança. Se busca uma obra para se distrair escolha outra. Inobstante seja o livro que precisava ser escrito e Itamar o faz magistralmente, sem poupar dores, dissabores, tragédias. É o fim da saga iniciada em Água Negra ou muito antes…
Um livro duro, triste, real … e ao mesmo tempo especial. Eu chorei demais durante todo o livro. Nao tem como uma mae nao sentir empatia pela Rita Preta. Ele coroa com louvor a trilogia da terra! Leiam!
Que surpresa! Que triste. Que bonito. Que intenso.. Que junção perfeita do antes e agora. Que dúvida se eu visse o Itamar agora se havia de lhe chamar nomes ou de o abraçar durante uma hora seguida. Obrigada por todos as emoções colocadas cuidadosamente dentro destas 349 páginas.
Obrigada, Itamar Vieira Júnior, por mais uma grande obra! Um livro potente, triste e significativo que expõe a realidade e o medo de muitos brasileiros, um sistema cruel que perdura há muito tempo, marginaliza e aniquila aqueles que são mais vulneráveis.
um belíssimo encerramento para a trilogia. itamar ainda consegue nos surpreender com sua escrita poética. é dilacerante e encantador ao mesmo tempo. agora que encerrei este livro, estou pronta para reler a trilogia :)
Itamar conseguiu colocar em palavras, e numa delicadeza sem igual, todo o horror da violência que atinge meninos negros e suas familias nas favelas brasileiras.. Impossível não chorar
Mais um livro ótimo do Itamar Vieira Junior. Não tive como ignorar algumas relações com "Quarto de despejo", a descrição de cenas com ritmos intenso e, em outros momentos densos.