"Existem vários jeitos de entrar em uma construção desmoronada", começa assim A solidão das aranhas, romance sensível e sutil sobre perdas. Gabriel cresceu com pavor de perder os pais. Quando recebe a notícia de suas mortes, viaja até o povoado de São Jorge do Pomar. O que ele encontra ao passar pelo limiar são ruínas agora ocupadas pelas aranhas, pacas e lagartixas, dentre várias criaturas misteriosas soltas pela mata. E também encontra Domingos, um jovem cientista de passagem pelo interior que captura e coleciona aranhas em caixas de fósforo. Gabriel e Domingos têm mais em comum do que pensam a princípio e desenvolvem uma nova intimidade enquanto desbravam juntos as terras do sítio, à procura de pistas e verdades na natureza que toma conta de tudo ao redor.
Diogo Bercito nasceu em São Paulo em 1988. Foi correspondente da Folha de S.Paulo em Jerusalém e em Madri. Sua HQ "Rasga-Mortalhas" foi finalista do prêmio Jabuti de 2017. Mestre em estudos árabes pela Universidade Georgetown, onde cursa o doutorado. Publicou em 2021 o livro "Brimos: Imigração sírio-libanesa no Brasil e seu caminho até a política". "Vou sumir quando a vela se apagar" é seu romance de estreia.
Existe uma relação entre o que está fora da gente e o que está dentro. Organizar os bichos era um jeito de organizar também sentimentos. Cada um dentro de uma caixinha, como os naturalistas do século passado.