Muitas histórias aconteceram durante a pandemia de Covid 19, de memória tão recente e estranhamente tão distante. Foi um período único, terrível e extraordinário em que o gênero humano, de alguma forma, teve que se reinventar para sobreviver. Focado nesse deprimente momento histórico que suspendeu no ar muitas esperanças e disparou angústias e medos inesperados, o novo romance de Milly Lacombe põe na berlinda um casal hetero de alta combustão: Marina e Otavio. Capítulo a capítulo, Marina e Otavio vão marchando no mesmo compasso diário do resto da humanidade, de um cômodo a outro, trancados em casa e dentro de si, cada um na sua e ao mesmo tempo de olho no outro, lavando roupa suja, discutindo a relação sem fim, bebendo do desespero e comendo da desilusão para reencontrar um lugar ao sol – nem que seja um raiozinho inexpressivo – que possa banhar e iluminar uma relação em frangalhos, na qual o afeto parece submerso, mas, veja bem, ainda não está morto. “Eu te amo, cretino” é uma tragédia da vida privada por força das circunstâncias, mas também é uma comédia atualíssima, na qual se esconde a mais antiga das linguagens: a do amor.
Nasceu no Rio em 1967, trabalhou como comentarista esportiva na Globo e na Record e como colaboradora da Folha de S. Paulo em Los Angeles e do UOL em Nova York. Foi diretora de redação da Revista Tpm e roteirista do programa Amor&Sexo, na Globo, e Bem Juntinhos, no GNT. É colunista das revistas Trip e do portal UOL. Mora na roça mineira cercada de oito cachorros hiperativos
Acredito que foi o destino quem fez o encontro entre eu e esse livro no final de 2025. Após ler "Como arruinar um casamento", fiquei orfã de livros com protagonistas mulheres fortes, falhas e humanas, em uma leitura com um toque de humor.
Com isso em mente, procurando por uma leitura leve para o recesso de Natal e Ano Novo, encontrei esse livro exposto nas estantes da Martins Fontes. Diferente do que imaginava pelo nome da autora, folheando as primeiras páginas, vi que se tratava de um livro nacional e me surpreendi mais quando vi que se tratava de um livro sobre um relacionamento no período do Covid-19.
Comprei pelo humor das primeiras páginas e pela curiosidade de saber o desfecho da história. Porém, ao continuar a leitura em casa, percebi que ia além de uma mera "fofoca" sobre um casal que enfrentava problemas no relacionamento.
O livro traz diálogos extremamente ricos e reais sobre diversos temas sociais. Protagonizado por Marina, mulher-feminista, com a qual eu me vi em cada palavra, é uma leitura majoritariamente de diálogos entre o casal, embora com a riqueza da escrita da Milly consiga ver cada cena.
Eu ri muito, refleti, aprendi, me identifiquei. Foi uma bela companhia para o final de 2025.
Um romance sobre relacionamentos e como eles de fato são. Problemáticos, com crises, de altos e baixos. Achei bem honesto. Um pouco angustiante as vezes e, embora tenha sido um final bacana para o casal, a autora não fez disso um final feliz de conto de fadas. Trouxe muitos pontos importantes sobre a luta feminista mas sem o interesse em ser didática. Adoro a Milly, sou um ouvinte e leitor atento.
Sinto que as conversas com a Milly devem ser as melhores e mais preenchedoras do mundo. Assim como “o ano em que morri em nova iorque”, ela nos traz que é sim preciso se perder pra se encontrar. num tempo bem mais curto e com personagens completamente diferentes, mostrando os dois de tempos em tempos, não me deixou dormir e me fez ficar pregada no ritmo da escrita. queria que fosse ainda maior e mais famoso.