No Brasil, as pessoas nascem. Mas só passam a existir quando definem um destino e um caráter, escolhendo um time. Quando passei a existir, em 66 ou 67, o Flamengo era um time que perdia. Não escolhi o Flamengo por causa de um grande craque ou de um título heroico. Escolhi o Flamengo por causa da Torcida. Por sua imensidão. Entrei na torcida do Flamengo, e senti que era o Nada, sendo parte do Todo. Só quem é Flamengo sabe o que significa isso.
Quem lê a antologia Era uma vez: Flamengo, organizada por André Salviano, que também assina um dos contos, percebe nesses escritores o mesmo sentimento, uma identidade de espírito, que é mais ontológica que circunstancial. Aqui, o protagonista é o torcedor. É o filho da Nação ― caso único em que o filho escolhe a mãe.
Como em muitas coletâneas de contos, inéditos ou não, Era uma vez: Flamengo, tem seus altos e baixos.
Na verdade eu deveria dizer que, como o próprio Flamengo, a coletânea de 22 contos inéditos, tem seus momentos e campanhas excelentes, mas também tem aqueles que muitos torcedores não gostam nem de lembrar...
Apesar disso, é um livro sobre o Flamengo, então, pode ter certeza que, se você for torcedor do Mengão, vai adorar conhecer ou lembrar muitos momentos valiosos da história do clube com a maior torcida do mundo e com o manto mais sagrado de todos!
De urubus a ataques cardíacos, entre golaços e narrações de jogos inesquecíveis, passando por conhecimento histórico sobre as mulheres que queriam, mas não podiam jogar futebol, com certeza você vai ser mexido por alguma das histórias.
Uma coisa é certa, do mesmo jeito que o Flamengo mexe com você, seja no campo do Amor ou do seu oposto, esse livro vai deixar alguma marca em você.
Uma vez ______________ Flamengo, sempre _____________ Flamengo.