...por Bernard Venables neste fascinante relato sobre os actuais baleeiros dos Açores: as suas vidas, os seus costumes, a sua excitante perseguição ao grande cachalote. Descendentes directos no corpo e na alma dos antigos marinheiros portugueses que embarcavam nos navios baleeiros americanos nos seus dias de glória, os açorianos actuais continuam a desprezar o moderno armamento e a caçar o cachalote com arpões e lanças de arremesso manual. Até a linguagem que empregam na faina encontra raízes na Nova Inglaterra: aos botes baleeiros chamam "canoas"; e gritam vivos "blós" (corruptela de "blows") ao avistarem um sopro de cachalote.
Venables faz-nos entrar no círculo dos baleeiros, enquanto preguiçam ao sol nos seus pequenos "cafés" e trocam histórias de baleias assassinas, lulas gigantes, tempestades e desgraças, na expectativa tensa do rebentar do "bombão" por sobre as rochas e do grito "Baleia!" que os porá a correr e a arriar os botes de boca aberta para a caçada no vasto oceano. Venables assinou um "Termo de Res- ponsabilidade" — um documento que o tornou no único responsável pela sua própria segurança — e só assim foi autorizado a acompanhar os baleeiros na caçada. Neste relato em primeira mão, pleno de vitalidade, ele consegue capturar todo o terror ancestral, toda a rudeza e o heroísmo da fatídica batalha, entre o homem e o leviatão, que culmina na morte de dois enormes cachalotes.
Ao longo de toda a obra, Venables procura compreender a necessidade primitiva, quase mística, que leva este povo amistoso e dócil a perseguir a grande baleia. Acaba por descobrir que, na sua maneira de ser apaixonada e sorridente, os açorianos parecem reflectir as próprias ilhas, serenas e no entanto intensamente vulcânicas, isoladas e remotas, em que decorre a sua existência.
Com mais de quarenta excelentes desenhos e fotografias do autor, estamos perante uma evocação maravilhosa da atmosfera dos Açores, do carácter dos seus ilhéus, das suas tradições, dos seus costumes. Acima de tudo, trata-se da revelação fascinante de um dos mais extraordinários anacronismos do nosso tempo: a sobrevivência da baleação artesanal no século vinte.
Nascido em 1907, Bernard Venables foi escritor, jornalista, projectista, tipógrafo, pintor, escultor e naturalista. Talvez mais conhecido pelos seus livros sobre a pesca desportiva, foi também responsável pela captura, em 1959, ao largo da Madeira, do maior tubarão até então apanhado no hemisfério norte, com cerca de 725 kg. Quando não se encontra em viagem de recolha de material para os seus livros, dedica-se à jardinagem numa pequena aldeia de Wiltshire, Inglaterra.*
*Nota do Tradutor: Esta pequena nota biográfica acompanhava a edição original da obra, em 1968. O autor faleceu em 2001.
Bernard Venables was an artist, angler, journalist and author. He co-founded the Angling Times in 1953, was founder editor of Creel magazine in 1963, and wrote over 20 books. He was an early environmentalist and his love of the natural world inspired many of today's British anglers, and he is remembered as one of the great and influential anglers of the 20th Century.
From information about one of Venables' books on Wikipedia