A cidade do nosso tempo se transformou em um território de medo e insegurança. Por isso mesmo, a arquitetura das metrópoles tornou-se defensiva: bairros fechados, grades, muros e uma série de mecanismos que restringem o contato com o outro. O resultado disso é um espaço urbano que promove a segregação, e não o encontro de diferenças - marca das grandes cidades em sua origem. O desafio dos pensadores e políticos contemporâneos, segundo o brilhante sociólogo Zygmunt Bauman, é recuperar a dimensão comunitária do espaço público, como forma de aprender a arte de uma coexistência segura, pacífica e amigável.
Zygmunt Bauman was a world-renowned Polish sociologist and philosopher, and Emeritus Professor of Sociology at the University of Leeds. He was one of the world's most eminent social theorists, writing on issues as diverse as modernity and the Holocaust, postmodern consumerism and liquid modernity and one of the creators of the concept of “postmodernism”.
Bauman, mais do que um observador da modernidade, é aquele que encontra no espaço físico os problemas teóricos da humanidade, fez isso em suas outras dezenas de obras e o fez aqui também. De forma clara e concisa expõe ao leitor o campo de batalha e de repressão que as cidades se tornaram, já que é nelas onde se concentram a função primordial do capitalismo e também é o objeto concreto do fluxo e redistribuição de renda, de modo que, se tornou no epicentro das transformações em curso, bem como "se transformaram em depósitos de problemas causados pela globalização."
Partindo da ideia de que em seu substrato a cidade nasce vertical, onde a concentração de capital ocorre por um lado, valorizando os bairros centrais, enquanto as demais áreas em torno são corroídas e se tornam marginais, é nesse cenário de dinamismo estrutural que se nasce a tensão que dilacera a todos e faz daqueles que "especulam com o medo, a base de uma política de controle e repressão" tensionando cada vez mais o tecido social que se rompe e nos coloca presos dentro de um grande espaço social, isto é, a cidade moderna, nos isolando, diminuindo a tolerância com o outsider e reconhecendo no migrante, a causa do aumento de nossa insegurança.
Nos informando que "desde o início, o Estado moderno teve de enfrentar a tarefa desencorajadora de administrar o medo", o sociólogo desencadeia uma série de argumentos remontando ao século passado, para descortinar a insegurança do hoje, em especial quanto a perca da solidariedade humana e ao grande individualismo moderno, abrindo espaço para a xenofobia, para a mixofóbia, isolamento e claro, inquietação atual, em mais um brilhante copilado de suas ideias. Falar mais que isso implicaria em um artigo, o que não é meu desejo, portanto, paro aqui, sendo a mim, uma excelente e instrutiva leitura, como sempre o é quando leio Bauman.
Livro pequeno de alcance imenso e leitura agradabilíssima. Uma ótima contribuição para percebermos melhor o nosso mundo global. E como sempre digo, fechar os olhos ao outro, é fechar-se em si e em sua torre de marfim. Não traz resultados. Abrir-se ao outro é descobrir inclusive novas possibilidades e oportunidades. Uma leitura muito necessária!
Depois dos ataques terroristas no dia 13 de Novembro de 2015, depois da chegada de milhares de refugiados ao espaço europeu, muita é a agitação na cidade, tanto no território quanto no meio virtual. Por isso, tenho investido algum do meu tempo a reflectir sobre o que se tem escrito e dito sobre o assunto: o que deveremos fazer? Devemos acolher os refugiados ou reenviá-los para os seus países de origem? E qual a reacção mais apropriada, perante a ameaça terrorista? Terá a chegada de refugiados à Europa criado condições propícias à chegada simultânea de terroristas? Com este Confiança e Medo na Cidade, pude articular algumas conclusões em que já tinha pensado mas que Zygmunt Bauman apresenta de forma sistematizada. Os temas mais significativos são a relação com o "outro", com o estrangeiro, a organização e planeamento do território da cidade e a vigilância permanente.
Livro surpreendentemente otimista. Tocando em tópicos diversos como imigração, concentração e crise do capital, o cansaço do modelo capitalista em sua fase neoliberal, em relação as cidades e indivíduos, Bauman toca em vários temas de forma direta, simples e de boa compreensão. Leitura rápida mas que convida ao pensamento, especialmente para quem vive em algum bairro altamente populoso. Por vezes, o tom é muito europeu. A forma com que se fala dos estrangeiros, mesmo em seu significado mais amplo, é um eurocentrista pra dizer o mínimo. Entretanto, ainda considero uma leitura valida. Didático para os fascinados europeus médios.
Tres conferencias y artículos breves sobre la situación urbana actual, en la cual nos enfrentamos constantemente a "los extranjeros" como amenazantes. Los barrios cerrados, la seguridad privada, son aspectos del mismo temor. Bauman analiza cómo lo ciudad pasó de representar la esperanza y la ilusión de lo nuevo, lo excitante, para transformarse en un núcleo de temores ante lo desconocido. No profundiza mucho en el tema, lógicamente por la situación "conferencia".
Dois pequenos ensaios e a transcrição de uma conferência compõem esse volume modesto - são menos de 100 páginas. E os três textos acabam sendo redundantes, em vez de complementares. Ainda assim a mensagem é importante.
Bauman analisa a cultura do medo gestada nas grandes cidades - seja pela desigualdade social (vamos pensar nas metrópoles brasileiras, campeãs absolutas de muros, blindagens e arquitetura hostil), seja pelo influxo de imigrantes, refugiados e outros "forasteiros".
Da decomposição do Estado Social à desintegração da vida comunitária, Bauman propõe uma reflexão concisa sobre o crescente isolamento de grupos abastados em "ilhas de identidade", impermeáveis à alteridade.
É um excelente ponto de partida para quem se interessa por dinâmicas urbanas e discussões sobre centro e periferia.
Bauman aborda, em pouco mais de nova páginas, as causas e consequências do medo generalizado nas grandes cidades. A xenofobia, o horror ao diferente, o separatismo, as sociedades obcecadas com segurança, o despejo de "classes perigosas" ou de uma assepsia antiglobalizante de condomínios fechados e de muros cada vez mais altos são tentativas de autopreservação, de "estar-no-mundo" ou de manter singularidades, bem como de "decomposição do Estado social".
Livro interessante para (re)pensar a dinâmica das cidades e das sociedades no mundo globalizado, em especial após a onda crescente de migrações, xenofobia e de ataques "terroristas" aos países ocidentais nos últimos tempos.