Alma e Meia é um livro feito de pequenos lampejos de emoção, de beleza e de humanidade. Há uma sensibilidade muito bonita na forma como a história nos relembra que os detalhes mais discretos da vida são, muitas vezes, os que verdadeiramente importam. O romance fala-nos sobre não tomarmos os pequenos momentos de felicidade como garantidos e sobre como, por vezes, eles são tudo o que temos.
As relações entre as personagens e os acontecimentos que as envolvem são extremamente reais. Há uma concretização muito forte nas dinâmicas emocionais, o que torna a leitura íntima e reconhecível.
Gabriel é, talvez, a personagem que mais me marcou: um homem envolto numa melancolia permanente, com uma solidão que parece fazer parte da sua própria estrutura. Gostava, no entanto, de ter conhecido ainda mais do seu passado, de compreender mais profundamente as raízes dessa dor, para que a empatia pudesse ser ainda mais intensa.
Também é interessante a perspetiva de alguém que, teoricamente, tem tudo para ser feliz mas cuja felicidade surge apenas em momentos breves, quase fugazes, porque a tristeza acumulada acaba sempre por ganhar espaço. Essa dualidade está muito bem conseguida.
Ainda assim, senti falta de uma maior expansão da “alma” da personagem principal. Queria mergulhar mais fundo, perceber melhor as suas camadas internas. O ambiente algo fechado da narrativa e o facto de tudo acontecer num espaço temporal relativamente curto reforçaram essa sensação. Fiquei com vontade de mais: mais passado, mais contexto, mais mundo à volta destas personagens que parecem viver numa solidão partilhada.
O final, porém, foi maravilhoso e fez total sentido dentro da proposta da história. Há uma coerência bonita na forma como tudo se encerra.
Alma e Meia é um livro introspectivo e emocional, centrado sobretudo no estado psicológico do protagonista, mais do que numa narrativa de ação. Ao longo da história, a personagem principal vive numa procura constante pela felicidade, marcada por sentimentos de culpa e solidão.
Não é uma leitura leve, tem pouca ação e um tom bastante melancólico ao longo de toda a história. Ainda assim, leva-nos a refletir sobre a vida e o que realmente procuramos.
Não considero que seja um mau livro, mas não corresponde muito ao meu gosto pessoal. Por ser tão introspectivo, senti que a repetição constante do nome da personagem principal foi desnecessária, já que é sempre claro quem está a "falar". Isso acabou por se tornar cansativo e, por vezes, fez-me perder o foco. Infelizmente, não foi uma leitura que me prendesse como esperava.
Este foi um livro difícil. Difícil porque me fez chorar, porque tem personagens que não poderiam ser mais reais, porque me representou em certos momentos e me revoltou noutros, e porque ronda um tema que por si só já é difícil - a dor e a solidão.
O nosso Gabriel vive afogado em dor Deixou que a dor tomasse conta de tudo, todas as outras emoções eram descartadas, mas a exclusão que sentia era, muitas vezes, consequência dos seus próprios atos. Isolou-se porque a dor era demasiada, e ao fazê-lo afastou pessoas que o queriam bem e pôs o orgulho à frente de tudo. Porque é isso que acontece quando deixamos os traumas dominar a nossa vida, quando vivemos presos ao passado e recusamos um novo futuro, quando tudo o que conhecemos é dor é difícil aceitar outra coisa.
Porque, na verdade, os amigos continuaram lá, os pais continuaram a ligar, até o irmão que o abandonou outrora estava agora presente, mas Gabriel sentia-se tão revoltado e triste com os traumas que carregava que não conseguia ver nada disto, pois deixava a dor ser o farol da sua vida.
Mas penso que esta "revolta" que sinto com a recusa do Gabriel de aceitar ajuda vem do facto de eu ter conseguido ultrapassar a solidão e a dor que carregava dos meus próprios traumas do passado. Uma conclusão a que o Gabriel chegou, já mais no fim, e foi essa aceitação o primeiro passo para melhorar.
Adorei a escrita do autor, é preciso uma certa habilidade para escrever personagens tão humanos, tão vulneráveis e tão reais, que acabam por nos representar a todos em algum ponto das nossas vidas.
Alma e Meia apresenta-nos Gabriel Oliveira, um homem que carrega dentro de si um peso difícil de explicar. Preso a dias que parecem repetir-se e a uma sensação de vazio, Gabriel procura a resposta a uma pergunta que, em algum momento da vida, todos nós já fizemos: o que significa, afinal, ser feliz?
Ao longo da narrativa, o autor conduz-nos por um percurso profundamente introspectivo, convidando-nos a olhar com atenção para os pequenos detalhes que tantas vezes ignoramos no quotidiano, os gestos, as emoções que escondemos, as palavras que ficam por dizer… e, sobretudo, os silêncios, que por vezes dizem mais do que qualquer discurso.
O Gabriel foi a personagem que mais me marcou. A sua melancolia constante e a solidão que parece acompanhá-lo tornaram impossível não sentir empatia por ele. Houve momentos em que senti que estava ali, ao seu lado, a acompanhar os seus pensamentos, com vontade de lhe dizer que não estava sozinho.
Também senti uma forte ligação com outras personagens que o rodeiam, especialmente a Catarina, que me pareceu ter uma profundidade emocional especial e de quem gostaria de ter conhecido um bocadinho mais. Os primos Pedro e Henrique, assim como o amigo Duarte, ajudam a construir o universo humano que envolve Gabriel. Já a Diana deixou-me sentimentos ambivalentes, não criei com ela a mesma ligação.
Houve um momento da história que me apanhou de surpresa. Ao longo da leitura, imaginei um determinado desfecho mas a história seguiu um caminho diferente. Ainda assim, fiquei com a sensação de que, no final, o Gabriel encontrou uma certa leveza, quase como se tivesse finalmente conseguido respirar depois de tanto peso acumulado.
Uma das cenas que mais me custou foi o funeral do pai do Gabriel. Foi um momento triste e humano, daqueles em que sentimos a dor da personagem quase como se fosse nossa.
Este é um livro que nos lembra da importância de falar sobre saúde mental. Muitas pessoas vivem exatamente como o Gabriel, presas aos próprios pensamentos, com a sensação de que ninguém compreende verdadeiramente o que sentem... e talvez seja por isso que esta história toca tanto. Porque o Gabriel poderia ser alguém que conhecemos. Poderia ser qualquer um de nós.
Com uma escrita honesta, sensível e sem artifícios, o autor construiu uma narrativa profundamente humana sobre fragilidade, perda, empatia e sobre a complexidade de existir.
Alma e Meia é, acima de tudo, um livro que nos lembra que cada pessoa carrega dentro de si uma história. Uma leitura bonita, emotiva e necessária.
Gostei muito! Em determinados momentos, senti-me perdida e envolta na melancolia do Gabriel. A solidão parece ser parte dele, como mais um órgão do corpo humano.
Falhou, para mim, de certa forma a causa de toda a sua dor. Precisava que fosse mais esmiuçado. Ainda assim, foi intenso e duro. Muito duro.
Este é um livro sobre fragmentos. Sobre a beleza da vida e da humanidade. Sobre a crueldade e os estilhaços que todos temos e somos.
Sobre alguém que tem tudo para ser feliz e ainda assim não consegue atingir um ponto de felicidade constante. Que a encontra apenas em momentos fugazes.
Foi muito forte emocionalmente e por isso devorado em pouco mais de 24 horas. Gostei mesmo muito!
Alma E Meia é um livro que nos conta uma história simples, sobre o dia-a-dia mas que nos marca profundamente pelos temas que aborda. Nesta história vamos acompanhando Gabriel, uma personagem solitária, com um olhar muito próprio sobre a vida. Ao longo do livro, percebemos o peso dos seus pensamentos, muitas vezes ligados à tristeza, à solidão e à falta de rumo. Apesar disso, é também alguém com um bom coração, que procura a felicidade e um sentido para a vida. Como todos nós.
O livro aborda a saúde mental, um tema cada vez mais importante, de ser falado, nos dias de hoje. Sem exageros, sem romantizar… mostra-nos como mesmo, quando tudo parece estar bem, podemos sentir-nos perdidos ou sozinhos. Também toca em temas como o refúgio no álcool, a importância das relações (de amor e amizade) e a dificuldade em lidar com aquilo que sentimos. A escrita do autor é direta e honesta e é essa frontalidade e simplicidade que tornam a leitura envolvente. Foi um livro que me fez pensar nas escolhas que fazemos, no rumo que a nossa vida leva…fiquei bastante introspectiva após ter terminado. Aconselho muito a leitura…eu adorei!
A escrita do Miguel é tão bonita e fluída que quero ler tudo o que ele escrever.
Um Osamu Dazai Português ou um Haruki Murakami Ocidental?
‘Alma e Meia’ relata não só uma história sobre um homem comum como também do Homem Comum que se aventura na vida à procura do seu significado e do fundamento do que é ser feliz.
De uma perspetiva formal, estamos perante uma escrita com uma estética sumptuosa em pormenores que muitas vezes ignoramos no nosso quotidiano. Há um cuidado minucioso na observação dos gestos banais, dos silêncios e das pequenas inquietações, transformando o ordinário em matéria literária intensa. A experiência de leitura torna-se quase tátil, marcada por emoções densas e uma sensorialidade contida, mas persistente. Se há romance intenso em pormenorizar o dia-a-dia, descritivo de um modo pouco exaustivo, e com personagens aliciantes e compreensíveis, é este. A considerada talvez fraqueza do herói do romance, que tem como objetivo encontrar um sentido para o seu nascimento, é vibrante e compreensível. O romance encontra força precisamente na aparente fragilidade do seu protagonista. A sua busca por um sentido no universo não se constrói como heroísmo épico, mas como um confronto íntimo e doloroso com a própria insuficiência. É essa vulnerabilidade que torna a narrativa vibrante e profundamente humana. Estamos perante um livro vigoroso e extremo, que não oferece lições morais claras nem consolos fáceis. Exige do leitor disponibilidade emocional e reflexão, recompensando-o com uma experiência literária intensa e desconfortável.
Termino esta pequena apreciação crítica com uma nota de cautela. 'Alma e Meia' não é para ler de ânimo leve. O seu prólogo trágico, entrelaçado com o seu final devastador, pinta em tons fortes a força de uma mente nublada onde sofrer é a condição imperativa a uma paz há muito procurada.
Há livros que não se limitam a contar uma história: obrigam-nos a olhar para dentro. Este é um deles.
Acompanhamos a “bolha” de Gabriel Oliveira, onde a felicidade surge como algo inalcançável, levando-nos a questionar: alguma vez fomos verdadeiramente felizes? Será a felicidade assim tão difícil de alcançar ou seremos nós a complicá-la? E se não passar de momentos e sensações fugazes que nos fazem sentir bem?
A narrativa coloca-nos perante uma mistura de lucidez e paranoia, refletindo sobre a dificuldade de compreender aquilo que sentimos. Recorda-nos que por vezes estamos tão absorvidos na nossa própria dor e desespero que nos esquecemos da dor das outras pessoas - um exemplo de como a nossa mente se pode tornar a nossa pior inimiga.
A escrita de Miguel Caras-Altas é sensível e quase poética - expõe com profundidade sentimentos e pensamentos comuns que nem sempre sabemos explicar. Não é uma leitura leve. Há momentos desconfortáveis, angustiantes e até polémicos, que abordam temas como saúde mental, solidão, luto, trauma, relações, abuso, vícios, perdão e desesperança - mostrando a complexidade do ser humano e as ambiguidades da zona cinzenta.
A minha reflexão final é que não existem respostas e talvez seja esse o verdadeiro propósito… E se o mais importante for aprender a viver com as perguntas?
É este tipo de livro que adoro ler: perspicaz e visceral.
Um livro que aborda todos aqueles tópicos difíceis de falar.
O que é ser feliz? Ser humano? O sofrimento de cada um e os demónios que nos assombram.
Um autor português, cheio de talento com uma escrita vibrante e simples. Devorei o livro em um dia, e no final fiquei a pedir mais.
Falamos de laços familiares e de amizade, da procura/promessa que se fizermos tudo bem seremos felizes. Mas será mesmo assim? E se o caminho que percorremos não nos diz nada, se, pelo o contrário, nos deixa apenas um vazio cada vez mais dentro de nós. Sentimos que assombram e que não partilhamos com ninguém com medo que ninguém os compreenda. E o outro? Será que são felizes?
Um livro cheio de valores e mensagens profundas, numa história real, dura e crua.
Terminei este livro com aquela sensação de ter levado um verdadeiro “murro no estômago”…
A história começa com o suicídio de um jovem, e esse acontecimento acompanhou-me ao longo de toda a narrativa. Dei por mim constantemente a tentar perceber quem seria esse jovem e quais as suas motivações.
Neste livro, o autor mergulha em temas profundos da mente humana e levanta questões que nos obrigam a parar e refletir: • Saúde mental • Solidão • Vazio emocional • Relações humanas • Felicidade …
Não é uma leitura leve — é um livro para sentir, mais do que simplesmente ler ✨
E, como se não bastasse, perto do final, conseguiu surpreender-me com aquele momento de: “Como assim???”
Criei uma empatia imediata com o Gabriel — com as suas dúvidas, incertezas e fragilidades… com a sua constante procura pela felicidade 🫶
Mas afinal… "o que é ser feliz, na verdade?"
Este livro foi gentilmente oferecido pelo autor! @caras.altas obrigada pela confiança 🤍
Esta obra acompanha a procura de um homem comum pelo sentido da vida, fazendo-nos refletir sobre a nossa própria jornada. Foi uma leitura agradável sobre um tema tão pesado, e a escrita de Miguel Caras-Altas consegue ser tão imersiva como real. Excelente!
Uma narrativa tocante e que me fez refletir sobre como a mente humana trabalha e como é capaz amplificar alguns sentimentos, chegando ao ponto de ferir e enganar.