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Enquanto você está aqui
Como falar sobre a morte com quem amamos antes que seja tarde demais? Enquanto você está aqui, da roteirista e escritora Camila Appel, propõe uma resposta corajosa a essa questão. O livro abarca a longa pesquisa de Appel sobre o tema da morte, iniciada em 2014 com textos no blog Morte sem Tabu da Folha de S.Paulo, mas também uma necessidade pessoal e o desejo de se comunicar com a própria mãe sobre os processos de envelhecimento e o fim da vida.
A autora oferece diversos prismas, desde o funcionamento de necrotérios como rituais até luxuosos cemitérios verticais, expondo as engrenagens muitas vezes cruéis do sistema de saúde, através do relato emocionante sobre a morte de seu sogro, Orlando, e o prolongamento artificial e doloroso do morrer em hospitais. “A UTI foi concebida para a vida, não para a morte”, escreve, defendendo o contraponto da ortotanásia e dos cuidados paliativos como caminhos para um desfecho natural e humano.
Entre casos pessoais, depoimentos de médicos, pacientes, ativistas da eutanásia e donos de funerárias, o ensaio propõe ainda um questionário prático que incentiva famílias a discutirem desejos sobre cremação, doação de órgãos e rituais de despedida, transformando o tabu em um ato de cuidado.
Mescla de afeto e investigação escrita numa linguagem simples e direta, Appel abre portas para que o leitor possa se libertar de estereótipos e entender que, como diz Pedro Bial no texto de orelha à edição, “ao aceitarmos a morte, a vida ganha intensidade”.
Com posfácio de Ana Claudia Quintana Arantes, a obra é um convite para vivermos com mais presença, conscientes de que o acolhimento da finitude é, em última análise, um profundo respeito pela própria vida.
A autora oferece diversos prismas, desde o funcionamento de necrotérios como rituais até luxuosos cemitérios verticais, expondo as engrenagens muitas vezes cruéis do sistema de saúde, através do relato emocionante sobre a morte de seu sogro, Orlando, e o prolongamento artificial e doloroso do morrer em hospitais. “A UTI foi concebida para a vida, não para a morte”, escreve, defendendo o contraponto da ortotanásia e dos cuidados paliativos como caminhos para um desfecho natural e humano.
Entre casos pessoais, depoimentos de médicos, pacientes, ativistas da eutanásia e donos de funerárias, o ensaio propõe ainda um questionário prático que incentiva famílias a discutirem desejos sobre cremação, doação de órgãos e rituais de despedida, transformando o tabu em um ato de cuidado.
Mescla de afeto e investigação escrita numa linguagem simples e direta, Appel abre portas para que o leitor possa se libertar de estereótipos e entender que, como diz Pedro Bial no texto de orelha à edição, “ao aceitarmos a morte, a vida ganha intensidade”.
Com posfácio de Ana Claudia Quintana Arantes, a obra é um convite para vivermos com mais presença, conscientes de que o acolhimento da finitude é, em última análise, um profundo respeito pela própria vida.
199 pages, Kindle Edition
Published February 6, 2026
About the author
Camila Appel
3 books1 followerCamila Appel nasceu em São Paulo, em 1981. Foi roteirista dos programas Linha Direta e Conversa com Bial e das séries documentais Em nome de Deus e Xuxa: o documentário. Recebeu o prêmio Colpin de jornalismo pelo seu trabalho que revelou as denúncias contra João de Deus. É autora de peças teatrais, de um livro infantojuvenil e do blog Morte sem Tabu, da Folha de S.Paulo.
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Community Reviews
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
April 14, 2026
LOOOOOOOOOOOOOKO DEMAIS! Quando o livro é sério, a resenha não tem zoeira. A estrutura do livro tem sua fundação entre Camila Appel e sua mãe, a dramaturga Leilah Assumpção. A magia do livro está no formato que a autora adotou. Em vez de: "perder alguém amado dói muito", Appel nos entrega informações curiosas sobre como a medicina BR demorou para aceitar tratamentos paliativos, apresenta uma empresa norte-americana que utiliza as cinzas de alguém que partiu para fabricar vinis.
May 24, 2026
“Quando você morrer, vou me debruçar na janela esperando o beija-flor todos os dias. Se der, combina comigo algum sinal, por favor.”
Adorei o capítulo sobre os obituários. O livro em si é ótimo, minha experiência de leitura que teve seus altos e baixos. Acho que não me tocou tanto quanto poderia.
Adorei o capítulo sobre os obituários. O livro em si é ótimo, minha experiência de leitura que teve seus altos e baixos. Acho que não me tocou tanto quanto poderia.
April 28, 2026
Uma leitura leve e acolhedora, mesmo ao tratar de um tema que costuma ser evitado: a morte.
A grande provocação do livro — e seu maior mérito — é nos convidar a olhar para a morte enquanto ainda estamos vivos. Não como algo distante ou assustador, mas como parte inevitável da vida.
Com uma escrita simples e sensível, a autora aborda a finitude com delicadeza e humanidade, tornando o tema menos pesado e mais possível. Ao longo das páginas, fica a sensação de que preparar-se para a ausência é, na verdade, uma das formas mais profundas de presença.
Falar sobre a morte talvez seja mesmo uma das expressões mais genuínas de amor — porque implica cuidado, consciência e intenção com o tempo que ainda existe.
A grande provocação do livro — e seu maior mérito — é nos convidar a olhar para a morte enquanto ainda estamos vivos. Não como algo distante ou assustador, mas como parte inevitável da vida.
Com uma escrita simples e sensível, a autora aborda a finitude com delicadeza e humanidade, tornando o tema menos pesado e mais possível. Ao longo das páginas, fica a sensação de que preparar-se para a ausência é, na verdade, uma das formas mais profundas de presença.
Falar sobre a morte talvez seja mesmo uma das expressões mais genuínas de amor — porque implica cuidado, consciência e intenção com o tempo que ainda existe.
July 4, 2026
Pra mim, uma das melhores leituras deste ano!
A autora usa o livro escrito por sua mae, a dramaturga Leilah Assumpção, como mote para dialogar com ela sobre a relação entre as duas e traz ainda neste diálogo os inúmeros conhecimentos que a escrita e a pesquisa frente ao blog Morte Sem Tabu lhe trouxe ao longo do tempo - coisas que admito nunca terem sido do meu conhecimento -.
Escrita leve, interessante e muito bem conduzida! Muitas vezes me comovi, e foram menos do que as que aprendi no curso das páginas.
A autora usa o livro escrito por sua mae, a dramaturga Leilah Assumpção, como mote para dialogar com ela sobre a relação entre as duas e traz ainda neste diálogo os inúmeros conhecimentos que a escrita e a pesquisa frente ao blog Morte Sem Tabu lhe trouxe ao longo do tempo - coisas que admito nunca terem sido do meu conhecimento -.
Escrita leve, interessante e muito bem conduzida! Muitas vezes me comovi, e foram menos do que as que aprendi no curso das páginas.
August 8, 2026
Falar sobre a morte é realmente um tabu para muitas pessoas e Camila fala de uma forma simples, sem firulas, sem metáforas desnecessárias. Ela mostra caminhos que são poucos falados, sobretudo para pessoas que não convivem com a proximidade da morte. Aborda temas como cuidados paliativos, eutanásia, velório, sempre com muito amor, conversando com a mãe, mas sobretudo conosco. Acho que esse livro pode ser considerado uma espécie de guia, pois da dicas, abre nossa visão e direciona caminhos que nem sabíamos que precisávamos. Daqueles livros que se tornam leitura obrigaria para todo adulto.
July 30, 2026
Magistral. Profundamente inteligente, subversivo e desafiador.
Repensar a morte nos devolve a vida.
Repensar a morte nos devolve a vida.
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