Com uma prosa que se equilibra entre a melancolia, a estranheza e o humor, Vida doçura é um romance avassalador sobre a elaboração do luto, as lacunas da infância, as tramas difusas que compõem a memória e a matéria-prima da solidão.
Jocasta é uma escritora que leva uma vida isolada e desregrada em um apartamento bagunçado no centro de São Paulo. Enquanto tenta se dedicar a escrever seu novo livro de contos, mergulha nas lembranças provocadas pelo trauma de ter perdido a mãe aos sete anos.
Ao longo desse processo dolorido e caótico, desenvolve uma compulsão nada óbvia pelos vídeos de Jovana, uma youtuber que apresenta sua rotina perfumada, organizada e alegre, em um estereótipo de como a vida deveria ser.
Ao se deparar com o oposto radical de sua própria existência, a protagonista se vê atormentada pela solidão em uma trama a um só tempo comovente e tragicômica, com toques de suspense policial.
mãe: um fantasma anêmico, como o lobo vestido de vovó. você vê as fronteiras evidentes, você vê o lobo, você vê a avó. você vê sem medo de ser uma armadilha. você cai na armadilha. você vê o truque, o artifício, o que está exposto, mesmo assim há um estranhamento. um susto, um engano. ficção e realidade.
Li todas as páginas sentindo aquele gosto que fica no fundo da xícara de café com muito açúcar. O doce caramelizado pegando na garganta, enjoativo, mas familiar e cheio de ternura. Bonito, bonito mesmo. Ninguém escreve assim