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Por onde o tempo passa
"Por onde o tempo passa" reúne 39 crônicas de Leticia Wierzchowski que foram publicadas no jornal Zero Hora em uma seleção inédita feita pelo escritor Luís Henrique Pellanda. Neste livro, Leticia transforma episódios da vida familiar em retratos de uma infância à beira-mar, das contradições do envelhecer e dos vínculos que atravessam gerações. O avô polonês que chegou sozinho ao Brasil, a mãe bordadeira, o pai inventivo, os filhos pequenos e até vizinhos e desconhecidos compõem um painel íntimo em que o tempo aparece não como inimigo, mas como parte da matéria viva da memória. Em vários de seus relatos, Leticia reencena o passado como quem costura com delicadeza e intenção pequenos gestos e lugares que insistem em permanecer.
104 pages, Paperback
Published June 1, 2025
About the author
Leticia Wierzchowski
36 books55 followersLeticia Wierzchowski nasceu em Porto Alegre, RS, em 1972, e estreou na literatura em 1998 com o romance O anjo e o resto de nós. A autora é considerada uma das maiores revelações da literatura nacional do início do século XXI. Uma das raras escritoras a perceber e a traduzir, em palavras, a personalidade, o sentido e o poder de ação de personagens e cenários brasileiros. Em 2003 o romance A casa das sete mulheres foi adaptado pela Rede Globo em uma série de 50 capítulos. Desde então, a produção televisiva já foi veiculada em quase 30 países, e a obra de Leticia ganhou caminhos internacionais. Ela tem livros editados na Espanha, Portugal, Grécia, Itália e Sérvia-Montenegro.
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Displaying 1 - 2 of 2 reviews
January 28, 2026
“Certas coisas não acabam dentro da gente”, constata Leticia Wierzschowski. E, por ser assim, a famosa autora de “A casa das sete mulheres” usa a crônica como uma espécie de registro dos tempos idos, só que sem a nostalgia dos que acham que antigamente era melhor: é ainda no presente que as suas memórias ressoam.
Leticia usa a crônica para reviver pessoas e afetos. Começa com as histórias do avô Jan, imigrante da Polônia, passa às do pai e, quando se vê, já estamos imersos em suas memórias domésticas em geral. São tesouros particulares que ela apresenta, quando passa à crônica o que seu inconsciente já lhe manifestava em sonhos.
Uma parte de Leticia estará sempre na casa de verão da sua infância, por mais que ela não exista mais. Tudo o que ela viveu nessa época não faz parte de um passado longínquo e inacessível, mas continua a influenciar o seu comportamento adulto. Nesse sentido, escrever é realmente trazer essas motivações à consciência.
Suas crônicas estão profundamente ligadas à noção de tempo. Por mais que Leticia constate que “dá pena ver o tempo passar”, ela também é capaz de admitir que a vida é maravilhosa e assustadora “simplesmente porque não para”. Isso significa que, por vezes, a vida se renova – é quando a cronista une as duas pontas da vida.
Afinal, ela também escreve sobre quem está começando a sua jornada temporal. Seus filhos, por exemplo: a singela agenda do caçula, ou a terrível doença do outro filho aos 5 anos. Também fala de suas sobrinhas e afilhadas. É quando a cronista, em geral mais expositiva, permite a si mesma algumas construções mais líricas.
Ao pensar nas crianças com que convive, porém, é muito natural que a cronista faça comparações com a sua própria infância. Ela percebe, e aceita, que as crianças de hoje terão uma infância muito diversa daquela que ela teve (e que ainda vive dentro dela, pronto a se manifestar simplesmente quando fecha os olhos e dorme).
Outro sugestivo ponto de contato com o “início do tempo” é quando a cronista olha pela janela do seu apartamento e consegue enxergar outras moradias, e em uma delas há dois berços, onde gêmeos são aguardados. A crônica gerou respostas dos leitores, incentivando uma nova crônica em que se noticia o nascimento dos bebês.
A cronista percebe que “o mundo anda cheio de opiniões” e confessa que gosta mais de “sugerir pessoas”. Uma das que ela melhor sugere é o seu jardineiro, que é o marcante personagem de algumas crônicas chamadas por ela de “interlúdios botânicos”, quando comenta aspectos do jardim existente em sua casa de praia.
Há ainda a relação com os objetos que nós mesmos fizemos e que tocamos, o que sempre evoca um pouco de nós. Em tudo, uma escrita sensível, correta, que com muita naturalidade conduz o leitor. Nota-se que as crônicas deste “Por onde o tempo passa” (Maralto, 2025) foram bem selecionadas por Luís Henrique Pellanda.
O que se lamenta é a crônica não tenha sido para Letícia mais do que um período no passado, em que escreveu para o jornal Zero Hora entre 2003 e 2014. Ela tem talento para mais. Que um dia a crônica regresse, com a força das boas memórias.
Leticia usa a crônica para reviver pessoas e afetos. Começa com as histórias do avô Jan, imigrante da Polônia, passa às do pai e, quando se vê, já estamos imersos em suas memórias domésticas em geral. São tesouros particulares que ela apresenta, quando passa à crônica o que seu inconsciente já lhe manifestava em sonhos.
Uma parte de Leticia estará sempre na casa de verão da sua infância, por mais que ela não exista mais. Tudo o que ela viveu nessa época não faz parte de um passado longínquo e inacessível, mas continua a influenciar o seu comportamento adulto. Nesse sentido, escrever é realmente trazer essas motivações à consciência.
Suas crônicas estão profundamente ligadas à noção de tempo. Por mais que Leticia constate que “dá pena ver o tempo passar”, ela também é capaz de admitir que a vida é maravilhosa e assustadora “simplesmente porque não para”. Isso significa que, por vezes, a vida se renova – é quando a cronista une as duas pontas da vida.
Afinal, ela também escreve sobre quem está começando a sua jornada temporal. Seus filhos, por exemplo: a singela agenda do caçula, ou a terrível doença do outro filho aos 5 anos. Também fala de suas sobrinhas e afilhadas. É quando a cronista, em geral mais expositiva, permite a si mesma algumas construções mais líricas.
Ao pensar nas crianças com que convive, porém, é muito natural que a cronista faça comparações com a sua própria infância. Ela percebe, e aceita, que as crianças de hoje terão uma infância muito diversa daquela que ela teve (e que ainda vive dentro dela, pronto a se manifestar simplesmente quando fecha os olhos e dorme).
Outro sugestivo ponto de contato com o “início do tempo” é quando a cronista olha pela janela do seu apartamento e consegue enxergar outras moradias, e em uma delas há dois berços, onde gêmeos são aguardados. A crônica gerou respostas dos leitores, incentivando uma nova crônica em que se noticia o nascimento dos bebês.
A cronista percebe que “o mundo anda cheio de opiniões” e confessa que gosta mais de “sugerir pessoas”. Uma das que ela melhor sugere é o seu jardineiro, que é o marcante personagem de algumas crônicas chamadas por ela de “interlúdios botânicos”, quando comenta aspectos do jardim existente em sua casa de praia.
Há ainda a relação com os objetos que nós mesmos fizemos e que tocamos, o que sempre evoca um pouco de nós. Em tudo, uma escrita sensível, correta, que com muita naturalidade conduz o leitor. Nota-se que as crônicas deste “Por onde o tempo passa” (Maralto, 2025) foram bem selecionadas por Luís Henrique Pellanda.
O que se lamenta é a crônica não tenha sido para Letícia mais do que um período no passado, em que escreveu para o jornal Zero Hora entre 2003 e 2014. Ela tem talento para mais. Que um dia a crônica regresse, com a força das boas memórias.
June 19, 2026
Honestamente, é um livro bom, uma experiência leve e alegre, mas que deve ser tomada devagar.
Se ler de uma fez (como eu fiz) pode ser tornar um pouco repetitivo e entediante.
São uma série de crônicas até que interessantes, com uma perspectiva otimista.
Uma leitura inesperada que vale a pena, não sei se chegaria a ler tudo novamente, mas talvez retomaria algumas crônicas
Se ler de uma fez (como eu fiz) pode ser tornar um pouco repetitivo e entediante.
São uma série de crônicas até que interessantes, com uma perspectiva otimista.
Uma leitura inesperada que vale a pena, não sei se chegaria a ler tudo novamente, mas talvez retomaria algumas crônicas
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