Livro de estreia de Cecília Malan, Eu e histórias maternas reúne relatos de 21 mulheres entrevistadas pela jornalista. Com escuta atenta e olhar sensível, Cecília constrói um mosaico de vivências da maternidade real.
Quando Cecília Malan postou em sua rede social uma foto em que aparecia apresentando um telejornal ao vivo com a filha Olimpia abraçada a suas pernas, recebeu mais de mil mensagens de mulheres. Elas diziam como haviam se identificado com o retrato de uma mãe equilibrando o trabalho e o cuidado com a filha.
A partir desses comentários, que representavam tantas histórias de vida, Cecília percebeu que era necessário dar voz a algumas dessas pessoas, que tinham tanto a dizer, e assim nasceu a ideia deste livro.
Em Eu e histórias maternas, a jornalista dialoga com mulheres de vários lugares do Brasil sobre o que significa a maternidade para cada uma delas. São vivências sozinhas ou com rede de apoio; trabalhando fora de casa ou não; com ou sem estabilidade financeira; casadas ou solteiras; com ou sem filhos.
Presente de igual para igual e com uma escrita delicada e sucinta, Cecília conduz as conversas de maneira a tornar cada uma dessas mães, filhas, netas e madrastas a protagonista da própria história. Os depoimentos tocantes retratam toda a complexidade e a variedade de sentimentos e experiências que a maternidade deslancha.
Eu e histórias maternas é uma obra sensível, mas realista, com a qual o leitor se identifica, seja pela própria vida ou pela vida das pessoas que o cercam. É um livro sobre mães, mas não apenas para mã é para todos aqueles que vivem a maternidade em suas diversas formas.
“Uma leitura que conforta e provoca, que legitima nossas questões mais profundas e celebra a coragem silenciosa do cotidiano, tantas vezes invisível.” – Renata Formoso, escritora
Li com a minha mãe e foi uma experiência muito boa que eu recomendo.
Eu amo livros que a escrita é fluida, sem muita enrolação, direto ao ponto. E é exatamente isso o que a Cecília Malan faz. Traz ao leitor o que ele precisa ler sobre aquela mãe e o que agrega naquela história.
A ideia não é ser um livro longo, mas sim trazer a perspectiva de várias mães que no fundo se conectam com o mesmo pensamento de que a maternidade é difícil, é cansativa, é solitária, mas é real e vale a pena.
Para as filhas, o livro mostra que realmente só entenderemos esse mundo quando formos mães e, enquanto isso, podemos ajudar e ser apoio para aquelas que estão passando por isso agora ou só dar um abraço na nossa mãe e pedir desculpas pelos momentos que achamos que elas estavam sendo duras demais, mas no fundo só estavam tentando fazer dar certo.
“ ‘… porque sabia que, se eu não estivesse bem, ninguém estaria.’ Isso sempre me impressionou — como o estado de espírito de uma mãe contagia quem está perto. O poder que o bem-estar materno, ou a falta dele, exerce nos outros. É como se a família compartilhasse um único sistema nervoso central.”
Eu preferiria que ao invés de 21 histórias curtíssimas a gente tivesse tido a oportunidade de se aprofundar em 5-6 histórias. Cada mãe com uma vivencia tão diferente e ao mesmo tempo tão semelhante, mas que com um relato de ~4 páginas faz parecer tão menos/menor do que é, achei superficial por esse motivo.
E agora algo bem pessoal: achei normalizado e até um pouco romantizado a mãe ser a pessoa sobrecarregada. E obviamente nesses casos, me refiro as que tem o pai dos filhos presente.