Jump to ratings and reviews
Rate this book

Lacan e as estruturas clínicas: Neurose, psicose e perversão

Rate this book
Expressões como “estrutura das psicoses”, “estrutura perversa”, “estrutura da neurose”, assim como referências à estrutura histérica, fóbica, obsessiva ou paranoica dominam o vocabulário lacaniano desde os primeiros seminários. [...] Para Lacan, mais além dos fenômenos clínicos que caracterizam neuroses, perversões e psicoses – o sintoma, a alucinação e o fetiche – a investigação freudiana abre caminho para a compreensão daquilo que condiciona tais fenômenos, dos mecanismos psíquicos dos quais eles são a expressão. [...] E embora o próprio Freud jamais tenha utilizado a expressão “estrutura clínica”, nem tenha descartado a necessidade da presença de fenômenos clínicos para o diagnóstico psicanalítico – conversões, para as histerias; compulsões, para as neuroses obsessivas; medos, para as fobias; alucinações e delírios, para psicoses; e fetiches, para as perversões – é da teoria freudiana que Lacan recolherá os conceitos que servirão para definir neuroses, psicoses e perversões enquanto estruturas clínicas. [...] Entretanto, ao retomar de Freud tais mecanismos, Lacan faz mais que simplesmente reordenar a psicopatologia freudiana. O modo como ele retoma de Freud cada um dos mecanismos de defesa, seu caráter estrutural, traz inovações clínicas tão valiosas, que é inevitável reconhecer, nessa retomada lacaniana de Freud, uma clínica propriamente lacaniana. [...] É Lacan, e não Freud, que separa neuroses, psicoses e perversões pelos mecanismos da Verdrängung, da Verleugnung e da Verwerfung, dando destaque a três tipos de funcionamento estrutural, definidos por cada um destes mecanismos.

Michele Roman Faria

178 pages, Paperback

Published January 1, 2025

Loading...
Loading...

About the author

Michele Roman Faria

5 books1 follower

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
4 (80%)
4 stars
1 (20%)
3 stars
0 (0%)
2 stars
0 (0%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Gabriel.
67 reviews6 followers
July 21, 2026
Leitura transformadora para todos psicanalistas

Venho aqui compartilhar minha experiência de leitura após a conclusão do livro da Michele hoje. Conheci sua obra a partir de uma amiga, que me falou bem do mesmo, através de uma postagem de rede social. O título despertou curiosidade. Na impossibilidade de ler "Lacan e as três estruturas" por seu esgotamento nas livrarias, resolvi começar por "Real, Simbólico e Imaginário" que gostei, por ter referências que pareciam sair da órbita usual dos psicanalistas autores. Depois de assistir algumas de suas aulas no Youtube, presenciei uma fala sua, quando veio à minha cidade. Na fala, comprei seu livro e, exultante, ganhei um autógrafo.

Michele se mostrou uma autora extremamente generosa e rigorosa com sua proposta de transmissão em "Lacan e as estruturas clínicas". Como se intitulou "Lacaniana raiz", na palestra que participei, no livro homônimo ela resgata a obra do psicanalista francês após tê-la percorrido no seu pós-doutorado e oferta a nós leitores uma chave de leitura diagnóstica e de manejo clínico que prescinde de atuais rótulos ofertados pela psiquiatria. Uma atitude direta e ousada, em tempos exegéticos com comentaristas que inclusive deixam sua marca nas versões oficiais dos seminários lacanianos (J. A. Miller). O primeiro ponto que a autora sustenta com elegância é a disjunção de psicose e loucura, neurose e normalidade, perversão e perversidade. Há "normalidade" em todas estruturas, bem como vícios e crises nas demais. Como se puxasse nosso tapete de repetidos chavões clínicos, nos encontramos num terreno muito mais interessante finda a leitura. Com capítulos dedicados a cada uma das estruturas elementares de diagnóstico do parlètre lacaniano - neurose (neurose obssessiva, histeria e fobia), psicose e perversão -, a autora conclui sua tarefa tecendo breves comentários sobre o manejo clínico do psicanalista em cada uma dessas particulares maneiras de habitar a linguagem e lidar com esse resto que se presentifica como desejo humano.

Além dos merecidos elogios, ficam questões. Por que não extender o texto e inserir nele vinhetas clínicas que ilustrem seu ponto? À parte das já consagradas histórias clínicas freudianas e alguns micro-excertos de exemplos dados por Lacan, o máximo que a autora nos apresenta são recortes fictícios de obras do cinema ocidental, que ela sumariza no final de cada capítulo. Existe uma aridez real em obras de muitos grandes teóricos psicanalistas e eu identifiquei esse problema também em Michele. Passagens ficam confusas, com excessos de citações e perdem seu momentum quando não articulada à casos verdadeiros, do chão de fábrica de todo psicanalista - a clínica. Falo isso com a humildade de quem ainda precisa se a ver com os fundamentos lógicos e semiológicos da interessante proposta lacaniana.

A parte disso, sei que o leitor especializado vai encontrar na obra de Michele um marco inspiracional para aprofundar algumas leituras do universo psicanalítico e colocar suas proposições radicais em prática!
Displaying 1 - 3 of 3 reviews