Quando o toque se torna mortal, o que resta da humanidade? Num mundo que já se habituou à indiferença, um som impossível ecoa do céu e da terra e, num instante, tudo muda. Depois dele, surge uma nova verdade, tão simples quanto devastadora: o toque mata. Milhares sucumbem. As regras da convivência e do amor são reescritas e a sociedade renasce sob um novo pacto — o da distância. Mas como continuar a ser gente num mundo onde o afeto é proibido? Serão a liberdade e a justiça um preço que estamos dispostos a pagar para sobreviver? Cinco desconhecidos — duas mulheres, dois homens e uma criança surda — embarcam numa jornada perigosa rumo a um refúgio remoto, onde acreditam existir uma cura. Entre a esperança e a manipulação, eles tornam-se heróis improváveis de uma epopeia distópica que reflete, com inquietante precisão, o mundo em que vivemos. Uma história sobre o medo, a coragem e o poder devastador — e redentor — do contacto humano.
Nasceu em Lisboa em 1982. Licenciada em Teatro/Encenação pela Escola Superior de Teatro e Cinema, desde 2005, concluiu também outros cursos e formações relacionados com o teatro, tais como o curso de interpretação da Escola Profissional de Teatro de Cascais. Estreia-se em 2000, como atriz, no Teatro Nacional D. Maria II, e desde então tem trabalhado em inúmeros projetos, tanto como atriz como encenadora.
Como atriz trabalhou com os encenadores Carlos Avilez e Rogério de Carvalho e como encenadora destacam-se os espetáculos, Marx na Baixa, no teatro a Barraca, A Última Viagem de Lenin, no teatro da Trindade, Homem Morto não Chora, no teatro A Comuna, Simão e o Livro Mágico, no teatro Villaret e Lusitânia Comedy Club – O Porquê da Coisa, no Tivoli e Auditório dos Oceanos.
Em 2009 começa a escrever para teatro destacando-se os espetáculos, À Espera de Gorete, Teatro da Trindade, Simão e o Livro Mágico, Teatro Villaret, Alice no País das Maravilhas no Gelo, Feiticeiro de Oz no Gelo, Aladino no Gelo, a adaptação do texto para o espetáculo Dois+Dois, Teatro Villaret, A Companhia, TeatroEsfera
Guionista de televisão inicia o seu percurso no programa, 5 para a meia Noite, com apresentação de Nuno Markl.
É autora dos livros, Conta-me, Escuridão, Do Outro Lado, Enquanto Fim Não Vem, Aquilo que o Sono Esconde, Terra Estreita, editados pela Penguin, chancela da Penguin Random House e de A História do Coco que Aprendeu a Ser Ovo, editado pela Minotauro, chancela da Almedina.
Dá aulas de Teatro desde 2013 no Teatroesfera, e faz dobragem de voz para de filmes e séries de animação, bem como locução de filmes e publicidade.
Sou suspeito, dada a amizade que me une à Mafalda há bons anos. Mas esta criativa fervilhante que conheci e com quem trabalhei como endiabrada comediante, voltou a surpreender-me com este épico desavergonhadamente viciante, capaz de cruzar uma alegoria de que o Saramago de Ensaio Sobre a Cegueira não desdenharia, com uma voracidade narrativa apocalíptica do John Carpenter de Eles Vivem ou Nova Iorque 1997, e momentos de uma poesia muito dela (a sequência da matilha de cães viverá na minha mente para sempre sem pagar renda). Um dia alguém fará um bom filme ou uma boa série de Terra Estreita. Mas não é preciso que alguma fez o façam - ver esta história enquanto a lemos é superprodução suficiente.
«Gostei especialmente de como desenvolveu os temas da desumanização — cria aqui a figura dos “excedentes”, pessoas que não têm nacionalidade e são forçadas a regressar aos seus países de origem — e da facilidade que o ser humano tem de se adaptar a novas regras (mesmo que não concorde com elas).»
Como será viver numa realidade distópica onde o toque deixou de existir? A ausência de contacto físico parece um detalhe, até deixarmos de o ter. Este livro parte dessa premissa inquietante para explorar algo muito mais profundo.
Já vivi com medo do toque, a evitá-lo como se fosse uma ameaça. Por isso, as perguntas que a narrativa levanta não me são estranhas: como sobrevivem as relações sem contacto? Pode o amor existir apenas na distância? O que acontece ao corpo quando lhe negam o gesto mais básico de afeto?
À primeira vista, poderá parecer uma leitura rápida e fluida. Mas, na minha opinião, essa fluidez deve ser evitada. A escrita exige pausa, exige introspeção. Não é um livro que se devore; é um livro que nos obriga a sentir o desconforto, a solidão e a fragilidade de uma sociedade em queda.
No centro desse colapso, emerge um grupo improvável que age em uníssono, sustentado por um ímpeto quase heroico. E é precisamente aí que Mafalda Santos demonstra a sua força enquanto autora: na capacidade de nos deixar inquietos e perdidos nas páginas.
Arrisco a dizer que Mafalda Santos é das autoras portuguesas contemporâneas mais originais e fora da caixa que temos!
"Terra Estreita" vem, mais uma vez, provar esta minha teoria. Que livraço! Que história bem delineada, com muitas questões, revestidas de uma distopia muito original.
E se, após todo o planeta ouvir um som estridente, sem origem conhecida, todos os seres humanos perdessem a possibilidade de se tocarem? Se assim que o fizerem, morrem de imediato? Que sociedade seria esta, face a uma nova realidade?
É isto que Mafalda vai explorar ao longo deste livro, usando um núcleo de personagens que se conhecem devido a este fenómeno e cujo instinto de sobrevivência os tornou próximos. Será através deles que vamos conhecer um novo modo de vida, as adaptações necessárias para contornar a impossibilidade do toque, com recurso à mais sofisticada tecnologia. Mas também será com eles que iremos entender o quanto o toque humano é importante e essencial à saúde mental de todos.
Uma descoberta, anos mais tarde, irá voltar a juntar este grupo formado do acaso e serão eles, entre outros, as vozes que procurarão ir contra uma série de "prisões" que entretanto se foram formando.
Como referi, este livro levanta muitas questões ao leitor, explorando, por um lado, a questão da ausência do toque, um sentido tão importante, e, por outro, a forma como a sociedade aguilhotina à primeira brecha.
Adorei este livro, é altamente viciante, impossível de parar de ler. Uma mente brilhante a desta autora!
Em Terra Estreita, Mafalda Santos constrói uma distopia profundamente inquietante ao imaginar um mundo onde o toque deixa de existir.
O mais perturbador é precisamente isso: o toque é algo tão humano que parece impossível conceber a sua ausência. Ainda assim, a autora consegue fazê-lo de forma assustadora e brilhante. Ao retirar o contacto físico da equação, expõe a fragilidade das relações e a carência silenciosa que molda comportamentos e emoções.
Uma leitura reflexiva, desconfortável no melhor sentido, e uma distopia muito bem construída que nos faz valorizar aquilo que tantas vezes tomamos como garantido.
Ainda estou a tentar encontrar palavras à altura do que senti ao ler este livro. Estou absolutamente maravilhada.
Já li outros livros da Mafalda, mas com este sinto que posso dizer, sem hesitação, que se tornou a minha autora portuguesa preferida. Há qualquer coisa de raro na forma como escreve: uma combinação de imaginação, ritmo e intensidade emocional que nos prende desde a primeira página.
Parecia que estava a acompanhar cada cena como se fosse uma série com uma produção incrível: daquelas que nos fazem dizer “só mais um episódio” até ser impossível parar. A narrativa é tão vívida, tão cinematográfica, que nunca tive a sensação de estar apenas a ler um livro. Estava completamente dentro da história, a visualizar tudo com uma nitidez impressionante, sempre com uma enorme vontade de saber o que vinha a seguir.
Sinceramente, Terra Estreita daria uma adaptação espetacular. É daqueles livros que pedem mesmo para ganhar vida no ecrã.
Cinco estrelas, sem dúvida nenhuma. E, acima de tudo, fica a vontade enorme de encontrar mais livros que me façam sentir isto outra vez.
"A vida é uma coisa muito viva para a vivermos sem viver"
Começando pelo bom: ADORO a escrita da Mafalda, a premissa do livro é genial e um motor de arranque excelente para esta história, e a leitura é muito fluida e viciante.
O menos bom: embora o livro seja sobre a Terra Estreita, só as últimas 100/150 páginas (+/-) são passadas na Terra Estreita. Sinto que passei demasiado tempo a ler uma sucessão de acontecimentos e problemas chocantes que se solucionavam com um estalar de dedos ou com a passagem repentina de um vasto período de tempo, “roubando-nos” da profundidade que mereciam ter tido. Julgo que teria sido uma escolha mais prudente incluir somente 1 ou 2 destes acontecimentos e dar-lhes a atenção devida.
Em suma: Eu gostei do livro, acho que tem um problema de ritmo e de edição, mas ainda assim considero-o uma leitura que vale a pena por nos obrigar a reflectir sobre a importância do toque e do crucial que é no formular da nossa humanidade. Também foi uma leitura rápida e um excelente entretenimento!
Leio cada livro da Mafalda Santos sempre com uma certeza em mente: é brilhante a capacidade que a autora tem para criar mundos que nunca tínhamos imaginado antes. Cada livro consegue sempre transportar-me para algo novo e consigo quase sentir que sou uma espectadora dentro daquela história.
Apesar deste ser um livro incrivelmente bem escrito, senti que faltou qualquer coisa para me convencer de que aquelas personagens estavam mesmo a passar por todos aqueles desafios. Senti que ficaram algumas pontas soltas, e que tudo se desenvolveu muito rapidamente no final. Talvez seja por não estar habituada a ler distopias, ou então por estar influenciada pelo estilo bem diferente dos livros que li anteriormente: “Enquanto o fim não vem” e “Aquilo que o sono esconde”.
Que esta minha opinião não demova ninguém de ler este novo livro da Mafalda Santos, porque a autora escreve histórias magníficas e continua a ser uma das minhas autoras portuguesas preferidas.
Mafalda Santos parte de uma premissa radical para explorar aquilo que, paradoxalmente, nos mantém vivos: a necessidade de contacto. Mais do que uma distopia, é um romance sobre privação. Privação de pele, de proximidade, de afecto. A autora constrói um mundo regulado pelo medo e pela distância, mas o que verdadeiramente inquieta é o reconhecimento: depois de uma pandemia global, de relações mediadas por ecrãs e de vínculos cada vez mais frágeis, esta ficção soa menos a exagero e mais a espelho. A narrativa é tensa, contida, sem excessos melodramáticos. Há humanidade nas falhas das personagens e uma crítica subtil às estruturas de controlo que prosperam quando o medo governa. Terra Estreita lembra-nos que uma sociedade pode sobreviver sem toque, mas dificilmente permanece humana. Parabéns! Recomendo muito.
"Não deixa de ser fascinante a rapidez e a aptidão conm que os humanos se adaptam a uma realidade onde a violência se mistura com o absurdo, quando o que importa é sobreviver."
"A precisão das palavras nem sempre é necessária."
"O fim do mundo começa quando os Honmens se viram para dentro, cegos pelas suas dores particulares, inúteis nesse ato de as lamentar sem nenhuma ação altruísta que desencadeie a mudança."
"Teres de lembrar constantemente a outros que és humano, é em si a pior forma de desumanização."
"Quando a covardia nos é imposta, nada dá maior sensação de êxtase do que um ato de coragem."
"Sem toque não somos humanos, não estamos vivos sequer."
"O luto é um oceano de águas estagnadas."
"O exercício da nossa humanidade perde o valor se o usarmos como moeda de troca."
Não sei apontar o porquê, mas gostei mais dos dois livros anteriores da Mafalda. Nunca li "Do outro lado", a sua outra distopia, talvez este género não funcione tão bem comigo. O livro começa forte, nota-se a influência de Saramago e fiquei logo agarrada, mas depois a história tem um salto temporal que eu não esperava. Não é nada aborrecido, é bastante visual e teatral, apenas sou mais fã dos anteriores. Gostei do final de esperança em aberto. Não me fez falta que não tivesse uma resolução, embora fosse também bem-vinda.
Adorei este livro, a história já nos prende nos primeiros capítulos e é muito difícil parar de ler. Adorei a forma como tudo se desenvolve e como as intuições são abordadas e tratadas deixa muito mais humana a história. Recomendo!
“A vida é uma coisa muito viva para a vivermos sem viver.”
Terra Estreita tem uma ideia forte e original, com momentos marcantes que nos fazem pensar no valor do toque e da ligação humana.
No entanto, a partir de meio, senti que a história ficou mais acelerada e menos centrada nas personagens, o que me afastou um pouco.
Ainda assim, é uma leitura interessante e com uma mensagem importante.
“Sem toque não somos humanos, não estamos vivos sequer.”
“O fim do mundo começa quando os Homens se viram para dentro, cegos pelas suas dores particulares, inúteis nesse ato de as lamentar sem nenhuma ação altruísta que desencadeie a mudança.”
“O afeto é tecnologia da sobrevivência.”
“Teres de lembrar constantemente a outros que és humano, é em si a pior forma de desumanização.”
Quanto mais conheço as obras da Mafalda Santos, mais encantada fico com a sua escrita e com a mente brilhante por detrás de cada história. Já li todos os seus livros e continuo a querer sempre mais. Admiro profundamente a capacidade incrível que tem de, em cada obra, criar uma aventura completamente diferente e envolvente.
Em Terra Estreita, partimos de uma ideia diferente: o toque passa a ser mortal. A partir daí, vemos como algo tão simples e humano muda radicalmente o quotidiano das pessoas. Tudo muda e tudo se transforma, desde as emoções às relações e à forma como cada um vive o dia a dia.
É um livro cheio de mensagens fortes que nos obriga a pensar. Ao longo da leitura, sente-se uma angústia constante e uma tensão emocional que não nos larga. Só queremos virar a página para perceber como é que tudo vai acabar.
Gostei muito de conhecer e acompanhar todas as personagens. São humanas, falham, hesitam e tomam decisões difíceis.
Acabei este livro com a sensação de ter vivido uma história intensa do início ao fim, daqueles que não se consegue largar. Agora é só esperar pelo próximo.
como já era de esperar, a Mafalda traz-nos outro livro impossível de largar, que espanta pela forma como a ação galopante não tira espaço à delicadeza e ao cuidado da escrita. a cada livro, a fasquia fica cada vez mais elevada! e que bom que é ter uma contadora destas histórias, que, além de entreterem (no seu horror), nos fazem pensar (no nosso).
Até ler este livro, não tinha dado a devida importância ao toque e ao quão fundamental ele é para nos moldar enquanto seres humanos. Obrigada por isso Mafalda. A única coisa que faltou para mim, que sou um ser curioso, foi perceber a origem deste fenómeno sobrenatural que levou a esta catástrofe humanitária. No entanto, a escrita está incrível e gostei muito de acompanhar este grupo de amigos.
Fiquei surpreendida, nunca pensei que fosse gostar tanto desta história. Suspense q.b., o desenvolvimento das personagens está muito bem construído e a história é completamente fora da caixa.
Este é o segundo livro que leio da Mafalda e catapultou-a para o meu top de autores portugueses. A originalidade “fora da caixa” é o ponto forte desta autora. Adoro distopias e esta está muito bem conseguida.
Não sendo as distopias o meu género de eleição, a verdade é que este livro apanhou-me completamente desprevenido, superando as minhas expectativas.
Li-o praticamente de um fôlego. Há qualquer coisa na forma como Mafalda Santos constrói esta história que nos agarra sem pedir licença. A escrita é fluida, quase cinematográfica, como se cada cena se desenrolasse diante dos nossos olhos, mas ao mesmo tempo há uma inquietação constante, uma sensação de desconforto que nos acompanha a cada página.
As personagens são, para mim, um dos pontos mais fortes, humanas, imperfeitas e tão reais. Ao longo da leitura vivi cada dúvida, cada medo, cada escolha difícil como se também fossem minhas. É impossível não pensar: “e se isto fosse real?”. Aliás, em muitos momentos, fui inevitavelmente transportado para memórias do distanciamento social que vivemos durante a pandemia.
Foi a minha estreia com esta autora e fiquei genuinamente surpreendido. Um livro intenso, impactante e impossível de ignorar. Uma reflexão muito crua sobre a sociedade e sobre aquilo que nos define enquanto humanos.
Uma distopia intensa sobre o medo, a coragem e o impacto profundo do contacto humano - mesmo quando ele deixa de ser possível.
De repente, um ruído intenso, electricidade vai abaixo, comunicações também e quando as pessoas se tocam, caiem mortas. Muitos sucumbem até chegarem à conclusão que não se podem tocar. Têm de arranjar formas para conseguirem fazer as coisas, ajudarem-se sem se tocarem. Como pegar num bebé? Como ajudar uma mãe dar à luz. O mundo muda completamente, começam a haver regras que não agradam a ninguém. No meio do caos surge uma esperança de recuperarem o toque, que todos anseiam. Nesta busca, descobrem muita maldade humana. Miguel, Diana, Leonardo, Paula e David, viajam em busca da Terra Estreita, onde existe a esperança do regresso do toque. Uma distopia muito bem construída.
Terra Estreita é mais uma prova do talento da Mafalda Santos para nos prender desde a primeira página. Sendo fã assumida dos seus livros, posso dizer que, mais uma vez, a autora consegue surpreender com uma história intensa e impossível de largar.
Neste livro, somos levados para o desenrolar de um acontecimento extremo que só poderia imaginar nos meus piores pesadelos, mas ao longo da leitura é impossível não fazer paralelos com acontecimentos e medos muito presentes na nossa realidade atual. É precisamente isso que torna a história tão inquietante: aquilo que parece ficção pode, infelizmente, não estar assim tão longe de acontecer.
A escrita é envolvente e direta, tornando a leitura fluida e emocional. A narrativa cria uma sensação constante de urgência, que nos faz virar páginas quase sem perceber. Foi uma leitura ansiosa e frenética, movida pela necessidade de descobrir como tudo iria terminar.
A única pena é mesmo o livro ter acabado tão depressa… voou literalmente das minhas mãos. Esta obra confirma Mafalda Santos como uma autora capaz de criar mundos duros, reflexivos e profundamente atuais, deixando-nos a pensar muito depois da última página.