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L'art d'aimer un avatar

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Comment le désir et l’amour sont-ils vécus au temps des applications de rencontre et de l’intelligence artificielle ? Confronté à la question alors qu’il se réveille nouvellement célibataire à quarante ans passés, Martin Desrosiers mène une enquête philosophique sur les pour et les contre de la technologisation de notre vie sexuelle et sentimentale. Qu’est-ce que le pouvoir des algorithmes change à nos envies, à nos attentes, à notre rapport à l’autre ? Que reste-t-il de nos amours, une fois que les robots se mettent à devancer nos désirs et à jouer les cupidons ?

Avec l’acuité intellectuelle, l’élégance stylistique et l’humour pince-sans-rire qu’on lui connaît, l’auteur livre le récit captivant de son voyage au bout des applis.

Paperback

Published April 1, 2026

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Martin Desrosiers

2 books8 followers

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9 reviews
March 9, 2026
« C'est une maladie exotique que contractent ceux et celles ayant trop longtemps séjourné au pays des applis : non pas une propension à l'idéalisation, mais une incapacité à idéaliser. »

le genre d'essai qui risque de résonner longtemps en moi — on continue d'espérer
Profile Image for Nuno Mendonça.
106 reviews9 followers
October 2, 2026
O amor não sobreviverá à sua tinderização.

A Arte de Amar um Avatar é um daqueles livros que aparecem no momento exacto em que estamos preparados para os ler. Martin Desrosiers tem 42 anos, está solteiro, sem filhos e descobre-se lançado num mercado amoroso organizado por aplicações, algoritmos, fotografias, prompts, swipes e pequenas decisões tomadas em fracções de segundo. O que poderia facilmente transformar-se num ensaio reaccionário sobre como antigamente é que era bom torna-se uma coisa muito mais interessante: uma investigação sobre aquilo que acontece ao desejo quando começamos a organizá-lo segundo a lógica de um mercado.

E talvez seja precisamente a palavra mercado que mais me tenha ficado deste livro.

Seduzir, nas aplicações, aproxima-se perigosamente de fazer a nossa própria promoção. Escolhemos fotografias, aperfeiçoamos a descrição, eliminamos características pouco competitivas, destacamos outras, percebemos aquilo que funciona e tentamos apresentar uma versão de nós que responda às expectativas da procura. Do outro lado fazemos exactamente o mesmo movimento, mas enquanto consumidores. Avaliamos. Comparamos. Descartamos. Guardamos para mais tarde. Perante cada pessoa surge uma decisão quase instantânea, sim ou não, e é difícil passar tempo suficiente neste sistema sem que qualquer coisa na percepção do outro comece a mudar.

Uso dating apps e reconheci-me demasiado bem em várias páginas deste livro. Sobretudo naquela sensação estranha que aparece depois de demasiado tempo a fazer swipe. A certa altura os rostos deixam quase de representar pessoas. Tornam-se possibilidades. Depois opções. Depois estímulos. Depois qualquer coisa entre o passatempo e a promessa de satisfação de uma necessidade afectiva. Fazemos binge swipe da mesma maneira que percorremos um catálogo e, após dezenas ou centenas de perfis, a complexidade humana torna-se um inconveniente que a interface cuidadosamente esconde.

É talvez essa a violência mais subtil das aplicações: ninguém cabe verdadeiramente num perfil, mas comportamo-nos como se coubesse.

Há uma passagem particularmente certeira em que Desrosiers pensa nas mulheres que amou e se pergunta se teria sentido interesse por elas caso, antes de as conhecer, tivesse recebido apenas uma lista das suas características e qualidades. A pergunta parece simples, mas destrói uma parte importante da lógica destas plataformas. Quantas pessoas por quem nos apaixonámos na vida teriam sobrevivido ao nosso filtro de três fotografias, profissão, altura, gosto musical e uma frase espirituosa? Quantas teríamos rejeitado antes de ouvir a voz, conhecer o humor, reparar numa maneira de olhar, perceber uma inteligência que demora tempo a revelar-se?

O algoritmo promete ajudar-nos a escolher melhor precisamente num território em que talvez escolhamos pior quanto mais critérios temos.

Desrosiers dedica também bastante atenção à solidão, sobretudo à solidão masculina, e aí o livro toca num problema que ultrapassa largamente as aplicações. Nas últimas décadas, o número de homens sem amigos próximos aumentou de forma brutal e a percentagem dos que dizem ter seis ou mais amigos próximos caiu para cerca de metade. Eu próprio reconheço essa dificuldade de fazer amigos em adulto. E isto interessa porque talvez estejamos a exigir às relações amorosas que resolvam um vazio que antes estava distribuído por várias formas de intimidade. Queremos amante, melhor amigo, confidente, companheiro de viagens, parceiro intelectual, apoio emocional e família concentrados na mesma pessoa.

Queremos uma hiperfamiliaridade absoluta.

E depois descobrimos o paradoxo: uma relação precisa de intimidade, mas talvez também precise de alguma distância. Queremos conhecer completamente o outro e simultaneamente queremos continuar a desejá-lo. Queremos segurança e surpresa, familiaridade e mistério, estabilidade e novidade. É uma contradição profundamente humana, e as aplicações introduzem nela uma nova tentação: quando o mistério desaparece numa relação, há sempre centenas de novos mistérios a alguns centímetros do nosso polegar.

Também achei fascinante a diferença entre homens e mulheres dentro destas plataformas. Desrosiers cita um estudo em que as mulheres manifestavam interesse em apenas 4,5% dos perfis masculinos apresentados, enquanto os homens o faziam em 61,9% dos perfis femininos. É uma diferença tão absurda que merece mais do que a explicação fácil de que as mulheres são simplesmente mais selectivas.

A própria arquitectura do mercado produz parte dessa selectividade. Se um grupo recebe muito mais atenção, pode escolher mais. Se recebe mais mensagens indesejadas, abordagens sexuais, insistência e comportamentos que implicam risco, aprende também a filtrar mais cedo e mais agressivamente. Do outro lado, quem recebe muito menos atenção aprende rapidamente a distribuir mais likes na esperança de aumentar a probabilidade de um match. Cria-se então um ciclo perverso: quanto mais indiscriminadamente os homens escolhem, mais motivos as mulheres têm para seleccionar; quanto mais as mulheres seleccionam, mais os homens sentem necessidade de aumentar o número de tentativas.

A aplicação não se limita a revelar comportamentos masculinos e femininos. Também os amplifica.

Talvez isso ajude a explicar outra observação particularmente boa do livro: a brutalidade de os homens serem reduzidos à aparência física. As mulheres conhecem essa redução há séculos. Para muitos homens, porém, a experiência de entrar num espaço em que podem ser avaliados em segundos, ignorados sem explicação e descartados quase exclusivamente através de uma fotografia é relativamente nova. Não me parece absurdo pensar que alguma da raiva masculina contemporânea encontre combustível aqui. Um homem pode passar dias a distribuir interesse e receber em troca silêncio suficiente para começar a interpretar uma dinâmica de plataforma como um julgamento sobre o seu próprio valor.

E há poucas formas de rejeição tão corrosivas como aquela que não explica sequer que houve uma rejeição.

No mundo offline alguém podia dizer não. Podia haver desconforto, embaraço, uma frase desajeitada. Havia pelo menos um acontecimento. Nas aplicações existe frequentemente apenas ausência. Um match deixa de responder. Uma conversa desaparece. Uma pessoa deixa de existir. Ficamos sozinhos perante o silêncio e a produzir teorias sobre ele.

O que tenho de errado?

É aqui que concordo profundamente com Desrosiers: uma recusa clara pode doer muito, mas a indiferença opaca consegue ser ainda mais cruel porque nos obriga a inventar a explicação que o outro não deu.

E, apesar de tudo isto, continuamos ligeiramente embaraçados quando dizemos que conhecemos alguém numa aplicação. Também sinto isso. Há qualquer coisa curiosa na vontade de inventar uma origem mais cinematográfica para uma relação. Conhecemo-nos numa livraria. Num jantar de amigos. Num comboio. Num acaso qualquer que permita acreditar que o universo teve participação no assunto. "Fizemos match no Tinder" parece administrativo. Falta-lhe destino.

Talvez isso diga menos sobre as aplicações do que sobre aquilo que continuamos a querer do amor. Mesmo depois de entregarmos a escolha ao algoritmo, queremos acreditar que houve acaso.

O Bumble é um caso especialmente interessante. A sua grande promessa consistia em alterar uma das normas mais persistentes do corte heterossexual: caberia às mulheres iniciar a conversa. Entretanto, a própria aplicação foi flexibilizando esse princípio. E a pergunta é irresistível. A experiência encontrou uma resistência demasiado profunda nos nossos hábitos amorosos? Ou descobriu simplesmente que transformar uma norma social é mais difícil de rentabilizar do que anunciá-la?

Provavelmente as duas coisas estão demasiado misturadas para serem separadas. Uma aplicação pode apresentar-se como instrumento de transformação social, mas continua dependente de crescimento, retenção, utilização e subscrições. Se uma norma progressista produzir fricção suficiente para afastar utilizadores, essa norma deixa rapidamente de ser apenas uma convicção e transforma-se numa decisão de produto. Há qualquer coisa de extraordinariamente contemporâneo nisto: até a subversão dos papéis de género precisa de passar por testes A/B.

Nos últimos anos começaram também a surgir sinais de cansaço económico nas grandes aplicações. Menos utilizadores pagantes aqui, receitas em queda ali, empresas a tentar reinventar o swipe, enquanto outras plataformas crescem. Há quem veja nisso o princípio do fim das dating apps. Eu suspeito do contrário.

Talvez a era dourada das aplicações de encontros ainda nem tenha começado.

O que pode estar a envelhecer é esta primeira geração bastante rudimentar em que transformámos uma das experiências mais complexas da existência humana num catálogo infinito de fotografias. O problema talvez não seja haver tecnologia a mediar o encontro. Sempre houve mediação: famílias, bailes, bares, igrejas, universidades, empregos, amigos em comum. A tecnologia actual limita-se a fazê-lo de uma forma extraordinariamente eficiente e, precisamente por isso, expõe os seus próprios defeitos com enorme rapidez.

Imagino que as próximas aplicações tentarão fazer exactamente aquilo que as actuais fazem mal: introduzir contexto, limitar opções, desacelerar decisões, recuperar alguma imprevisibilidade, talvez até devolver algum atrito ao encontro. É estranho pensar que a próxima grande inovação tecnológica no amor possa consistir em tornar a tecnologia menos presente.

Porque o problema fundamental permanece por resolver. O ser humano é demasiado complexo para aquilo que estas interfaces lhe pedem. Queremos alguém que corresponda às nossas preferências e acabamos frequentemente apaixonados por alguém que nunca saberíamos descrever antecipadamente. Queremos escolher racionalmente e depois desejamos irracionalmente. Queremos conhecer tudo sobre uma pessoa e continuar a ser surpreendidos por ela. Queremos infinitas opções até ao momento em que desejamos que reste apenas uma.

Talvez seja por isso que A Arte de Amar um Avatar funciona tão bem. Desrosiers consegue escrever sobre Tinder, Bumble, solidão masculina, algoritmos, sexo, amizade, rejeição e inteligência artificial sem transformar o livro numa elegia por um passado amoroso que provavelmente nunca existiu. Há humor, inquietação e sobretudo uma rara disponibilidade para admitir que somos simultaneamente vítimas e cúmplices do sistema que criámos.
Profile Image for Caroline.
367 reviews16 followers
February 11, 2026
Très intéressant, documenté, avec des touches d'humour pleines d'esprit -- j'ai tellement ri quand il décrit sa poterie! ;) 3 étoiles parce que je n'ai pas appris grand chose, ayant déjà lu sur le sujet et vécu une période Tinder similaire.
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