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Agarrar a Faca pelo Gume

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UM ROMANCE DE ESTREIA SOBRE O QUE É SER MULHER NUM MUNDO AGRESTE, SOBRE CORPOS E OLHARES, DESEJO E LUTO, FAMÍLIA E REINVENÇÃO

Numa casa sem homens, três gerações de mulheres partilham espaços, dificuldades, agravos e as arestas cortantes da vida. Desse improvável gineceu, emerge a personalidade singular da protagonista nunca nomeada deste romance: criança ruiva que não conheceu o pai, carrega as marcas da impunidade masculina, e faz‑se ao mundo com a desfaçatez de quem atravessa uma tempestade para se colocar no olho do furacão.
Eis uma existência contada de vislumbre em vislumbre, com desassombro e lucidez, em espelhos de vários tamanhos, onde a realidade não cabe inteira.

«Abri a conta e mantive‑a privada. Um arquivo de quadrados. Uma manta de retalhos do meu corpo. Um mosaico que mostrasse não o reflexo que vejo ao espelho mas a imagem que tenho de mim. Como se fosse preciso ver‑me em fragmentos para me conseguir ver toda.»

112 pages, Hardcover

Published February 19, 2026

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About the author

Inês Bernardo

6 books2 followers

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5 stars
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Displaying 1 - 16 of 16 reviews
Profile Image for Ana.
Author 14 books218 followers
March 22, 2026
Gostei muito deste livro. A escrita é moderna e contemporânea. Direta, por vezes quase telegráfica, mas com uma simplicidade que guarda uma profundidade inesperada. Adorei a forma como a autora escreve.

Senti-me muitas vezes intensamente ligada à personagem principal. As suas memórias e experiências tocaram as minhas e as de quem me é próximo. É uma personagem muito bem construída, com uma narrativa forte e profundamente pessoal.

Fiquei agradavelmente surpreendida com esta nova autora que é "nossa". Ainda assim, não chegou às cinco estrelas, embora tenha ficado perto. A certa altura, o laço que tinha criado com a personagem começou a afrouxar. Quando cheguei ao fim, tinha-se desfeito por completo. Dei por mim distante da história, sem perceber quando nem porquê me afastei.

Ainda assim, recomendo. Foi uma leitura que me ofereceu uma belíssima experiência.
Profile Image for Andreia Machado.
233 reviews22 followers
Review of advance copy received from Publisher
February 11, 2026
“Agarrar a Faca pelo Gume” foi uma leitura rápida, mas longe de ser simples. A escrita fragmentada de Inês Bernardo obriga o leitor a participar ativamente na construção da história, recebemos pequenos retalhos da vida da protagonista, saltos no tempo, memórias dispersas que, aos poucos, se encaixam como uma manta costurada com dor e resistência.

Em alguns momentos confesso que me senti desorientada, mas essa sensação parece intencional. No final, percebe-se que mais do que narrar uma história linear, a autora quer mostrar o que significa crescer num mundo injusto e desigual. E o título não podia ser mais certeiro. “Agarrar a faca pelo gume” é escolher segurar a parte que fere, assumir a dor, o risco, a violência da experiência, em vez de fugir dela. É um gesto de coragem.

A protagonista cresce num ambiente emocionalmente complexo, marcado por ausências, silêncios e heranças difíceis. Entre gerações de mulheres atravessadas por abuso, abandono e pobreza, surgem também os momentos de descoberta do corpo, da identidade e da própria força.

Com uma atmosfera algo surreal e uma estrutura pouco convencional, o livro sublinha as fragilidades e, sobretudo, a resistência da condição feminina, perante o luto, a cultura do corpo ideal, a impunidade masculina e as cicatrizes que atravessam gerações.

Gostei bastante deste pequeno, mas poderoso livro! É uma leitura rápida, porque os capítulos são curtíssimos, mas ainda assim, exige um certo grau de atenção.

Profile Image for Vera Sopa.
773 reviews73 followers
February 22, 2026
Este é um daqueles romances que se estranha mas que entranha. A escrita apurada em fragmentos que, se colam para compor um mosaico de uma mulher com uma história de vida acompanhada de outras três mulheres e tanto que nos toca e ao qual se refere. O corpo, o desejo, a agressão, o abandono, a doença e a morte. Desassombro sem desamparo e encantamento. Breve mas impactante. Não é alegre ou leve. Gostei muito.
62 reviews73 followers
February 25, 2026
Comecei por gostar muito, mas depois houve qualquer coisa que se perdeu e que não sei bem explicar o que foi. Talvez uma certa desconexão entre capítulos, uma certa perda de fio condutor. De todo o modo, está muito bem escrito e encontrei algumas semelhanças com “A Gorda”, de Isabela Figueiredo (o que, para mim, é um elogio). Em ambos os livros as protagonistas observam-se sem piedade, e apontam o dedo a uma sociedade que privilegia a mulher padronizada, magra, bonita, apresentável aos outros. Também aqui, como n’A Gorda, há uma entrega a vários corpos como forma de saciedade de desejo mas também de abandono, de desistência.
Neste “Agarrar a faca pelo gume”, há três gerações de mulheres (duas avós, uma mãe e uma filha/neta) que vivem juntas, mas onde dominam os silêncios, a crítica, o julgamento, o não dito. Uma casa sem homens, e onde a protagonista vai ter de aprender essa linguagem masculina, por sua conta, e a reinventar-se na solidão.
Profile Image for João Mendes.
307 reviews20 followers
February 7, 2026
Como é que é possível um romance de estreia já ser tão bom. Inês Bernardo you’re a one to Watch
Profile Image for Rita.
117 reviews7 followers
March 11, 2026
" Conseguia ver pela abertura do teu decote, a fronteira que separava o seio da auréola. Um castanho claro, topo de café com leite. Senti-me remexer na cadeira e logo alguém, atrás, me pediu que parasse quieta. Não consegui mais concentrar-me no concerto. A sala imensa, a madeira a cobrir as paredes. Era a primeira vez que entrava num lugar assim. Quando o sugeriste para primeiro encontro, não sabia o que esperar. O cheiro a casa antiga, a alcatifas aspiradas, o pó que se levanta e paira no ar, para voltar a cair no mesmo sítio, nas mesmas cerdas de lã. A mulher à minha esquerda cheirava ao armário da Avó. Naftalina e lavanda, vim a saber nomear, anos mais tarde. Para mim cheirava a tempo, apenas. Por muitos anos pensei que, quando fosse mais velha, também cheiraria assim. Que era da natureza do ser humano ter aquele cheiro ao envelhecer. A pele a amachucar-se. Os sulcos a aprofundarem-se, de dia para dia. Fendas como leitos de rio, transportando o caudal da vida que passa, cada vez mais depressa na pele. Olho para a direita novamente. A tua pele não era amachucada ainda. Lisa e macia. De uma maciez que, até então, desconhecia existir. Os meus dedos, demasiado ásperos. Pedindo sempre desculpas por tocá-la e sempre ávidos de a descobrir."

Romance de estreia da autora que segue as vidas de três gerações diferentes de mulheres, profundamente marcadas exatamente por essa condição... Ser mulher. Num mundo que nos vê, ou como inferiores ou como ameaça. A escrita é sublime e for particularmente interessante ler este livro no mês em que mais se discute o papel das mulheres na sociedade. Mais um tiro em cheio do Clube da Tinta da China.
Profile Image for rita rodrigues ♡.
109 reviews7 followers
March 1, 2026
‘Havia três quartos em nossa casa. Eu tinha um quarto só para mim. A Avó e a Mãe dormiam noutro quarto e, ao fundo do corredor, a Outra Avó ocupava o terceiro. Como não me deixavam entrar nesse quarto, a proibição tornou-se um desafio e um mistério.’
Profile Image for [Ana] Cláudia Pais.
7 reviews
March 3, 2026
Pode ser ingrato ler um livro escrito por uma amiga. E se não gostares? Há quem consiga fingir paixão por leituras tal como finge orgasmos, mas são duas habilidades que não me assistem. Claro que com a Inês Bernardo o risco era quase nulo e eu eu sabia-o. Sei bem a mulher talentosa que é e que nada, nunca, é feito pela rama. No dia em que recebi o livro li duas páginas em apneia e escrevi-lhe logo:

«Isto é real. Pode ser por estar com o período. Pode ser por saber que as palavras foram escritas por ti. Mas li as duas primeiras páginas do teu livro agora mesmo e fiquei arrepiada.»

«Agarrar a faca pelo gume» (que bom que lutaste por este título) é um livro pequeno em tamanho, mas enorme em significados. É profundo sem nunca cair em sentimentalismos. A história é-nos dada a conhecer em fragmentos. A visão é a de alguém que não anda aqui só a ver a vida a passar. A Inês anda muito atenta e isso reflete-se na forma como consegue captar aqueles pensamentos e sentimentos que estão tão cá dentro de nós que nos causa espanto descobrir que, afinal, não eram apanágio só nosso.

Tão orgulhosa de ti, amiga 🤍
Que este seja o primeiro de muitos!

Aos restantes que me estão a ler: ‘bora tornar este livro num bestseller?

………………………………………………………………………………….

«Às vezes não dizíamos nada. Ele punha uma música a tocar e eu abria a janela. Quando o cigarro terminava, quando não tínhamos mais como nos evitar, ele fazia-me erguer da cadeira e deitávamo-nos como se nos amássemos. Ele por cima de mim, o seu corpo abandonando-se. E, de repente, reconhecia-lhe o cheiro e a textura. Ele era meu e eu dele. Como se fizéssemos sempre aquilo. Como se não fosse um apontamento nas nossas vidas.»

«São longas as horas que passo a olhar para a Mãe, enquanto se contorce. Geme, com a cara de encontro à grade da cama articulada. Procura um conforto primordial, talvez o útero materno que a expulsou já tarde, muito além do tempo de gestação.
Dez meses que aguentei a tua mãe cá dentro, não se cansava de me dizer a Avó. Quando um filho ama a mãe, quer ficar dentro dela, sabias, com o dedo indicador em riste, como uma acusação, um atestado de incompetência amorosa da minha parte, que saí cedo demais.»
Profile Image for Trocadoporlivros .
47 reviews3 followers
March 10, 2026
"A mulher à minha esquerda cheirava ao armário da Avó. Naftalina e lavanda, vim a saber nomear, anos mais tarde. Para mim cheirava a tempo, apenas. Por muitos anos pensei que, quando fosse mais velha, também cheiraria assim. Que era da natureza do ser humano ter aquele cheiro ao envelhecer. A pele a amachucar-se. Os sulcos a aprofundarem-se, de dia para dia. Fendas como leitos de rio, transportando o caudal da vida que passa, cada vez mais depressa na pele. Olho para a direita, novamente. A tua pele não era amachucada ainda. Lisa e macia. De uma maciez que, até então, desconhecia existir. Os meus dedos, demasiado ásperos. Pedindo sempre desculpas por tocá-la e sempre ávidos de a descobrir."

A Inês anda a habituar-me mal. Quando a leio não espero que ela me conte histórias em jeito de relato ou em modo telegráfico. A Inês demora-se nos pormenores e nas descrições - abençoada - saboreia as imagens e a humanidade, salteando poesia em tudo. Bolas, e ela está lá, em tudo! Este excerto é tão mas tão bonito: o tempo numa ilustração, a linguagem usada para desenhar como se fosse uma fotografia, um retrato com uma lente de alta resolução através da escrita, que nos permite ver o que sustenta tudo e não só o que está à superfície.

Que descoberta, a Inês. Que escreva muito mais.

Trocado por livros.
Profile Image for Haidé (Nox Lectio).
246 reviews3 followers
March 4, 2026
Numa narrativa clara, simples e, muitas vezes, dura, a autora conta-nos a história de tantas de nós.

Preconceito, discriminação, abuso, coisas ouvidas que nunca deveriam ser ditas.

Este livro é um murro no estômago, e ao mesmo tempo onde nos sentimos em casa. Foi um ótimo livro para iniciar Março e não esquecer que há muito caminho a percorrer.

E que a mulher tem sempre de fazer um caminho mais sinuoso para alcançar os mesmos objetivos e ser tratada da mesma forma.

E mesmo assim, há sempre o preconceito de ser mulher.

"Uma mulher agarra sempre a faca pelo gume."
Profile Image for R.J. Miranda.
650 reviews42 followers
February 8, 2026
3⭐️ Interessante em conteúdo e forma, inegavelmente bem escrito mas curiosamente saturado de si mesmo. Um livro que tanto vai a todo o lado como vai a lado nenhum. Uma mensagem importante que se dilui um bocado demais em tanto que as poucas páginas suportam
Profile Image for Inês.
70 reviews1 follower
March 6, 2026
Para mim o único problema deste livro é não ser mais longo. <3
Profile Image for Hugo Manuel Correia.
18 reviews
March 22, 2026
“Agarrar a faca pelo gume” é a alegoria perfeita da condição feminina na viragem do século e na contemporaneidade partilhada com os leitores.

É uma história com um elenco de personagens que cabe nos dedos das mãos, a esmagadora maioria sem nome próprio — aliás, a própria protagonista é anónima — mas todas elas são revestidas por um sem-número de camadas que lhes conferem uma complexidade e um realismo com os quais é inevitável identificar-nos.

Afinal de contas, aquela “avó” e a “outra avó”, e até aquela mãe que parece estranhar a filha ruiva a que deu à luz, não serão muito diferentes de muitas das figuras femininas que povoam as nossas próprias árvores genealógicas, com que nos cruzamos ao longo da vida e que tanto tiveram de se esforçar para lidar com a acidez do mundo e aprender a sobreviver.

Este livro é uma homenagem à resiliência e a esse poder feminino de encarar as adversidades pelos colarinhos, de desenvolver uma pele densa para lidar com os espinhos do quotidiano, com a perda, o luto e a ausência…

É a história de alguém que, acima de tudo, transforma a adversidade numa força desmedida; de quem não tem de pedir licença ao mundo para ser feliz e para ser plenamente mulher, desfrutando do prazer feminino sem receios nem quaisquer preconceitos castradores.

Esta é uma narrativa que o leitor devora da primeira à última página, assemelhando-se a um caderno de memórias marcantes, numa escrita cristalina e sinestésica que espoleta sensações olfativas e nos permite viajar no tempo, acompanhando a protagonista por espaços que nos são estranhamente familiares.

Um romance que marca a estreia de Inês Bernardo, uma autora que vai dar muito que falar e que, seguramente, vai ter muitas histórias inéditas para nos contar.
Profile Image for Carlos Luís Ramalhão.
41 reviews3 followers
Review of advance copy received from Publisher
January 31, 2026
Um livro que agarra o leitor pelo peito. No jogo em que consiste a relação entre obra e leitor, somos levados pela mão, deixados num terreno baldio, na neblina, encontramo-nos, perdemo-nos, reencontramo-nos com alguém que já não somos, que nunca fomos, que sempre esteve lá.
869 reviews
Review of advance copy
February 16, 2026
Uma jovem mulher, com problemas de peso, descobre que tem uma irmã. Esta é a premissa de uma história que coloca o enfoque nas mulheres: para elas, tudo é risco, mas não podem recuar. E há muitos silêncios nas suas vidas.
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