Publicado em 1912, Eu seria o único livro de Augusto dos Anjos. Os 58 poemas aqui reunidos causaram enorme estranhamento no ambiente literário do início do século XX e permanecem ainda hoje como exemplares de uma poesia bastante insólita.
Frutos de uma singular aliança entre tendências literárias e filosóficas do período, os poemas de Eu são tributários do cientificismo positivista do século XIX, do formalismo parnasiano, do misticismo simbolista - vazado pelas doutrinas espirituais do Oriente, que o poeta empresta de Schopenhauer, junto do pessimismo a respeito das coisas humanas - e das ideias do Naturalismo, que reduzem o homem a seus aspectos biológicos e temperamentais. Anti-idealista, corrosiva e impiedosa na consideração dos destinos humanos, a poesia de Augusto dos Anjos, considerada doentia por muitos de seus contemporâneos, sobreviveu ao século XX muito melhor do que a de autores celebérrimos durante a vida do poeta, como Olavo Bilac e Raimundo Correa.
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos was a Brazilian poet and professor. His poems speak mostly of sickness and death, and are considered to forerun the Modernism in Brazil.
Único livro de Augusto dos Anjos publicado em vida, “Eu” é dominado por sonetos, quase todos muito bons. O que não é soneto também é ótimo. Pena ele ter morrido tão jovem, mas morrer deve ter sido interessante ao que muitos definem como o mais estranho poeta brasileiro.
10/10 Vermiforme! Já estava muito bom, porém os poemas finais garantiram-lhe minha nota máxima. Por vezes louvando o abismo e o nada, por vezes reconhecendo o vazio em que se colocou e achando pontas de esperança na beleza da Criação; do escárnio ao infinito ao pedido de redenção; da sujeira, do horrível, do escatológico! Do domínio último dos vermes à insignificância humana, da orgia e do hedonismo à vergonha sentida por seus atos, da loucura advinda do enclausuramento à contemplação do Sol!