Quando Salete morre, Henrique perde o seu único porto seguro. Órfão de pais desconhecidos e com o coração ferido por uma separação recente, ele regressa à Ilha da Madeira para se despedir da avó e enfrentar o vazio que a sua partida deixou. Mas nas gavetas da casa antiga, entre fotografias a sépia e bilhetes enigmáticos, Henrique encontra o fio de uma história que lhe foi negada. A sua busca leva-o até à misteriosa Casa das Malvas, um lugar onde o tempo parece ter estagnado e no qual as mulheres da família Lanchas guardam segredos tão profundos como as raízes das flores que dão nome à casa. Aí, vive Matilde, uma coveira que enterra as dores dos outros para não sentir as suas; Maria Manuela, uma curandeira que carrega a culpa nos ombros; e Mariana, uma figura inocente que o destino tentou apagar.
Nasceu no Funchal, perto do Natal de 1988. Licenciada em Direito e mestre em Ciências Jurídico-Criminais, com formação profissional em Maus-tratos infantis. Autora de Distúrbio (Ed. Estronho, 2011), A Morte é uma Serial Killer (Ed. Estronho, 2012) e Os Loucos também dançam (FlyBooks Editora, 2017). Co-autora em mais de vinte antologias portuguesas e brasileiras. Organizadora da coletânea Insonho - Durma bem! (Ed. Estronho, 2015). Vencedora de prémios literários nacionais e internacionais. Tem o conto Mena, ou tantos outros (Ed. Illuminare, 2015) traduzido e editado na Argentina. Dinamizadora do Projeto Escrita Fantástica, desde 2013. Feminista e vegan.
Gostei tanto desta Casa das Malvas! Foi a minha estreia com a autora Valentina Silva Ferreira e será, certamente, para continuar a acompanhar. Gostei muito da forma como esta história foi construída, das personagens, das surpresas constantes, ainda que todos os dados sejam lançados desde o início.
Henrique retorna à sua aldeia para ir ao funeral da sua querida avó. Ele sempre soube que esta avó o adoptou, ainda que não sejam do mesmo sangue e sempre foi o seu porto de abrigo. Agora, com esta perda, percebe que precisa de saber mais sobre as suas origens e é nesta busca que vai conhecer Matilde, uma das habitantes da Casa das Malvas e coveira da aldeia.
Na Casa das Malvas vivem quatro mulheres, Matilde, a sua mãe, a sua tia e uma prima com um atraso intelectual. A dinâmica entre elas é algo que desperta a curiosidade da população, mas também é muitas vezes a elas que recorrem quando precisam de ajuda, principalmente à mãe Maria Manuela.
Ao longo das páginas deste livro, vamos acompanhar Henrique na sua busca pela verdade, ao mesmo tempo que conhecemos melhor estas mulheres e o seu passado.
É um livro muito rico em termos de personagens, muito bem construídas e ainda melhor entregues ao leitor, que tem o tempo que precisa para as ir interiorizando e compreendendo, nas suas caracteristicas e acções. E o desenrolar dos acontecimentos é realmente surpreendente!
Gostei muito desta narrativa, fiquei presa à história desde o primeiro momento e quero muito ler mais da autora!
4,5⭐ Quando era miúda, adorava passar tardes a folhear os álbuns de fotografias antigas em casa dos meus avós. Por ser neta única, nem sempre tinha companhia e havia algo de mágico naquela sensação de espreitar o passado. E foi exatamente essa sensação que esta leitura despertou em mim! Nunca tinha lido nada da autora (grande falha!) e não sabia bem o que esperar. Acabei por me surpreender e deixei-me levar por esta história familiar tão marcada pelo misticismo e pelos simbolismos. “A Casa das Malvas” e as suas personagens femininas são o verdadeiro eixo emotivo do livro. Na teia que une estas personagens, cada mulher da família carrega a sua dor e revela a sua força de forma muito própria, sempre com o amor e a ternura a sustentar cada fio deste novelo de segredos. São mulheres fortes e a sua força é feita tanto de resistência como de silêncios e dores guardadas. O que mais gostei foi a forma como a autora retrata o poder das mulheres naquela comunidade e de como mostra o peso os silêncios podem ter nas gerações seguintes. Com uma escrita sensível, simbólica e muito envolvente, esta é uma história que nos prende, e fica connosco depois de terminarmos a leitura. Recomendo!
«Outro pormenor que achei muito bem desenvolvido foi o papel que as malvas têm no meio disto tudo. São mais do que as flores que envolvem esta casa, estão presentes na vida destas mulheres e acabam por ter um papel de observação de tudo o que se passa à volta — adoro livros que dão esta força e este papel a personagens não-humanas.»
Deixem-me que vos diga que além da minha review deixo aqui uma partilha pessoal. Li este livro esta semana, semana esta em que partiu a minha Avó 👵🏽 e para quem não sabe, este livro arranca com o mote da morte de Salete, avó do nosso protagonista Henrique. Isto apenas para dizer, que os livros [também] nos salvam, e chegam às nossas mãos na altura exacta. Hoje li as últimas 20 páginas que deixei por ler na 5.ª feira à tarde, quando saí da beira da minha Zulmirinha. ✨✨
Bom, agora vamos falar deste maravilhoso com o qual me estreei na escrita da @valentinawriter e que eu amei! Um livro que nos traz ruralidade, ligações familiares, segredos que se vivem nas famílias, nas aldeias. Já me conquistou!
Tal como disse acima, começamos a história com Henrique que volta à Madeira para o funeral da sua avó Salete. Além de perdido com a morte da mulher que o criou, Henrique tinha se separado recentemente da sua namorada, então está completamente destruído. Quando está no cemitério, Henrique repara em Matilde, a coveira que o deixa bastante intrigado, o que leva uma mulher a fazer aquele trabalho?! Que histórias terá ela para contar?!
Matilde, a coveira e uma das habitantes da Casa das Malvas. Matilde vive com a mãe Maria Manuela que é a curandeira ali do sítio, com a sua Tia Maria Eugénia, irmã gémea de Maria Manuela e com Mariana, a prima que tem Trissomia 21. Dentro desta casa curam-se muitas dores e maleitas, mas também se escondem muitos segredos, alguns tão antigos que poderiam cheirar a mofo ou bafio.
Um final incrível, com uma reviravolta wow Adorei! Vou querer ler mais livros da Valentina, sem dúvida nenhuma. E vocês já leram este? Ficou favorito?
✍🏼 «A culpa é um bicho que aparece sempre com o luto - disse ela, desta vez sem me olhar. - Mas também é uma forma de o manter perto dela, não é? Se sente culpa, é porque ainda a ama. Mesmo depois do fim.»
A casa das malvas é uma casa cheia de segredos guardados há muito tempo… mas os segredos nem sempre querem permanecer segredos a vida inteira. Após a morte de Salete, avó de Henrique, os segredos escondidos toda a vida ameaçam vir à tona. De repente, a necessidade de saber mais sobre a avó e sobre quem é e de onde veio torna-se algo impossível de ignorar.
Mais ainda do que a história propriamente dita, do que mais gostei neste livro foi da escrita delicada e melancólica da Valentina, que já me tinha conquistado em «Vertigens» (falta-me ler «Um Lobo no Quarto»), e do início do livro, com reflexões incríveis e certeiras sobre o luto, que me prenderam imediatamente.
Casa das Malvas Valentina Silva Ferreira Oficina do Livro
Esta história fala-nos de uma teia familiar densa, marcada por segredos, perdas e pelo peso do que fica por dizer. Há algo de profundamente nostálgico nesta narrativa, como se estivéssemos a espreitar o passado através de memórias que não nos pertencem, mas que queremos conhecer. As protagonistas são as mulheres da Casa das Malvas e cada uma carrega a sua dor, os seus silêncios e a sua forma de resistir. Há uma forma muito própria na maneira como a autora constrói estas personagens, mostrando que a força também vive nas fragilidades. Não é fácil sobreviver aos obstáculos da vida nem assumir os erros e contar segredos escondidos. Este livro fala sobre segredos que atravessam gerações, o peso do passado e das escolhas feitas, o poder (e o silêncio) das mulheres e de identidade, pertença e aceitação. É uma leitura que convida à emoção e à reflexão. Apesar de não me ter envolvido totalmente na história, marcou-me pela forma como a autora evidencia o peso dos silêncios e de tudo o que fica por dizer ao longo das gerações. Leva-nos a pensar sobre as diferenças e a forma como lidamos com elas, mostrando também como os segredos que guardamos podem ter um impacto profundo na vida dos outros. Esta foi a minha estreia com a autora. Uma história para quem gosta de sagas familiares, ambientes carregados de simbolismo e histórias que mexem conosco por dentro.
"E ele, que era o presente, parecia ter desaparecido."
"Às vezes, o amor é isso: resistir às ausências."
"A culpa é um bicho que aparece sempre com o luto-disse ela, desta vez sem me olhar. Mas também é uma forma de o manter perto dela, não é? Se sente culpa, é porque ainda a ama. Mesmo depois do fim."
"À medida que a dor se dissipava, o que restava era um eco. O vazio transformava-se em silêncio, e possivelmente fosse isso o que sobrava do amor: um eco surdo, sem dono."
"Mas o amor, mesmo o verdadeiro, não sobrevive à prisão..... O que ela não sabia, talvez, era que o amor não deveria ser uma prisão, mas sim um porto seguro. E quando a confiança se quebrava, quando o espaço para ser quem se é era suprimido, até o amor mais forte comecava a desmoronar."
"Quis transformar Elodie na âncora que ele nunca tivera, e, ao fazê-lo, esqueceu-se de que ela era mar. O mar nunca se deixava prender. O mar mudava de forma, reinventava-se e, por mais que se desejasse, não era possível agarrá-lo por completo. O mar tinha a sua própria vontade..."
"As histórias de amor não morriam por falta de sentimento, mas por excesso de silêncio."
"Porque todas as histórias têm duas versões. E, às vezes, a verdade vive algures no meio nesse território movediço em que duas almas tentaram encontrar-se, mas estavam, desde o inicio, a caminhar em direçoes opostas."
"E naquele instante, percebi que, às vezes, as histórias não se contavam por palavras, mas pelo peso com que os olhares pousavam sobre o que não se dizia."
"E o silêncio, esse grande protagonista, ainda pairava na sala, em cada canto, como o que restava quando tudo o que era urgente já fora dito."
Neste livro fazemos uma viagem até à Madeira, onde acompanhamos a história de uma família marcada pelo mistério, pela dor e, sobretudo, pelo peso do passado.
A narrativa está muito bem construída e, à medida que avançamos nos capítulos, vão sendo revelados cada vez mais segredos, o que vai intensificando a carga emocional. A partir do meio da leitura, a curiosidade em perceber o que realmente se estava a passar tornou-se cada vez maior, prendendo-me ainda mais à história.
Gostei muito da forma como esta família de mulheres foi retratada e das relações que se vão descobrindo ao longo do livro. Destaco também as expressões madeirenses, que acrescentam um toque autêntico e tornam a leitura ainda mais envolvente.
No final, senti apenas falta de alguns capítulos mais conclusivos relativamente a certas personagens, sendo esse apenas um pequeno pormenor, já que recomendo totalmente este livro.
Tive o privilégio de ler antecipadamente este bonito livro e de entrar, antes dos outros, na Casa das Malvas. Com a sua prosa elegante e delicada, com a subtileza dos detalhes e a inteligência de um enredo que surpreende e convida a refletir sobre a diferença, confirma a Valentina como uma das melhores da sua geração. Adorei, recomendo, torço para que alcance o público e o sucesso que tanto merece.
Henrique, de regresso à Madeira depois da morte da sua avó, começa a procurar coisas sobre a sua vida, ele que nunca souber quem foram os seus pais, e vê-se sem muito chão depois de uma separação recente. Ao chegar a um lugar, Porto da Cruz, onde a sua avó tinha uma casa, descobre a Casa das Malvas, e uma coveira, Matilde, que ao saber o que procura, também desperta algumas perguntas sobre a sua vida dos quais nunca obteve respostas.
Leitura conjunta no Clube Leitura Manta Histórias e fico tão feliz por ter participado e revelado uma tão boa surpresa! embora a história tenha algumas pontas soltas e sem nexo, eu adorei a escrita da autora, super fora da minha zona de leitura e a qual me começo a identificar cada vez mais. estou adorar ler mais autores portugueses e quero ler ainda mais este ano. fiquei com o bichinho de ler mais livros da autora!
Simplesmente adorei. A história acontece na Ilha da Madeira e por isso tem um significado diferente. No início é um pouco confuso pois várias personagens narram a história mas só mais para a frente percebemos o porquê e em que contexto. O plot twist é incrível. Adorei
Este livro tinha tudo para resultar, mas infelizmente não funcionou para mim. A narrativa acabou por se tornar um emaranhado de situações inverosímeis e disparatadas, que comprometeram aquilo que poderia ter sido uma história bonita e envolvente.
Gostei do desenrolar desta história. Apesar de ser triste na maior parte dos momentos retratados, gostei da escrita e da forma como a autora nos prende em cada folhear da pagina. Recomendo
Este livro foi um mimo, recordar tempos antigos e histórias a serem contadas pelas avós. Com expressões e palavras madeirenses que nos enchem o coração. A escrita incrível da autora! Uau