Neste livro, o professor, político e ativista Marcelo Freixo revela sua trajetória marcada por confrontos com o crime organizado, a corrupção e a violência no Rio de Janeiro. Das negociações tensas dentro de presídios até a investigação do brutal assassinato de Marielle Franco, ex-acessora de seu gabinete político e companheira de lutas, Freixo desvenda os bastidores de uma cidade dominada pelas milícias, pelo tráfico e atingida pelo desgoverno de um Estado em colapso.
Com narrativa impactante, ele expõe como o Rio se tornou o laboratório de um modelo político perverso, que hoje se espelha pelo país – especialmente após a ascensão do bolsonarismo. Mas também aponta um se foi no Rio que essa máquina de destruição nasceu, é de lá que pode surgir a resistência capaz de mudar o Brasil.
Eu sempre gosto de reler sobre a história do Rio, até porque os personagens são muitos e relacionados, e também porque é uma história que vem se desenrolando nos bastidores da minha vida e na de quem mora aqui, com períodos de maior e menor consciência das tretas político-econômicas. Apesar de acusarem o Freixo de falar só pra classe média, acho (e ele reconhece) que esse é um fenômeno que a esquerda como um todo ainda não conseguiu resolver. E acho inspirador conhecer melhor a trajetória de pessoas que foram se dedicando a atividades que foram parecendo fazer mais sentido a cada momento. O livro tem uma linguagem fácil e com certeza é uma tentativa de redesenhar uma imagem política, tentativa essa que eu apoio totalmente, porque é um político em quem acredito. Acredito também que precisamos acreditar em políticos porque a antipolítica deu no que deu, todas as vezes, e o jeito só pode ser conhecer cada vez mais o que acontece por baixo e por cima dos panos.