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Aquilo que Vi no Escuro: Histórias sobre psicose

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126 pages, Kindle Edition

Published February 15, 2026

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Community Reviews

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Inesbirrento.
136 reviews15 followers
March 13, 2026
É muito relevante, mas este formato de livro parece-me sempre demasiado curto para a ambição temática das obras. Algumas funcionam bem apesar de curtas, mas neste caso fiquei com a sensação de que precisava de um maior aprofundamento.
Profile Image for Mariana.
42 reviews1 follower
March 8, 2026
Ao longo das páginas, somos confrontados com vidas atravessadas pela ruptura da realidade partilhada. O livro trata a psicose , como uma experiência profundamente humana marcada por perplexidade, medo e, sobretudo, solidão. Quando alguém vê ou ouve algo que mais ninguém percebe, instala-se um isolamento radical. Não apenas social, mas também ontológico em que a própria realidade deixa de ser um terreno comum.
Um dos méritos da obra é romper com o imaginário simplista que associa psicose apenas à esquizofrenia. O livro lembra que os episódios psicóticos pertencem a um espectro muito mais amplo e que podem surgir de forma estável, intermitente ou mesmo como um episódio único na vida de alguém.
Estas páginas refletem um retrato sensível da fragilidade humana quando a realidade se fragmenta. A sua força está na capacidade de provocar empatia, mostrando que a psicose é muitas vezes uma experiência profundamente solitária.
Profile Image for Joana Macieira.
238 reviews48 followers
March 13, 2026
É um livro que se lê rápido, bem fundamentado, bem escrito, interessante, acho que com informação acessível para quem não seja da área mas simultaneamente aprofundado qb. A minha realidade profissional faz-me desconhecer o contexto prisional, e achei essa parte bastante educativa, embora depressiva. Hesitei pelas quatro estrelas porque gostaria que tivesse sido um livro mais desenvolvido e mais consistente. De resto, e da realidade que eu conheço, pareceu-me bastante factual.
Profile Image for Nuno Mendonça.
68 reviews3 followers
March 14, 2026
Em média, 33 mil caixas de antidepressivos são vendidas diariamente em Portugal. Talvez este número devesse obrigar-nos a olhar com mais atenção para aquilo que preferimos não ver: a saúde mental e tudo o que a rodeia.

Em Aquilo que Vi no Escuro, Margarida David Cardoso conduz-nos precisamente para esse território invisível. O livro mergulha no sistema psiquiátrico e judicial português e revela um conjunto de histórias humanas que raramente chegam à superfície do debate público.

Desde os anos 70 que a investigação científica tem sido relativamente consensual numa constatação desconfortável: a esquizofrenia surge com maior prevalência nas classes sociais mais baixas. O livro não apresenta esta realidade como estatística fria, mas como biografias concretas — vidas atravessadas pela pobreza, pelo abandono institucional e pela incompreensão social.

Uma das revelações mais perturbadoras é estrutural. A Direção-Geral da Política de Justiça não conhece o número de internamentos preventivos. Esta medida nem sequer existe de forma autónoma na lei: aparece diluída dentro da prisão preventiva, o que significa que nem sequer é estatisticamente visível. A invisibilidade não é apenas social — é administrativa.

Entre as várias histórias, a de Peter ficou-me especialmente. Há um momento em que um doente diz simplesmente: “eu sou filho de alguém.” A frase ecoa muito para além do contexto clínico. No fundo, talvez seja essa a lembrança que o livro insiste em devolver-nos: todos somos filhos de alguém.

Mas talvez a parte mais inquietante seja esta: quando a sociedade falha, esperar-se-ia que o Estado social funcionasse como rede de segurança. O que o livro mostra, porém, é muitas vezes o contrário. Em vez de amparar, o sistema empurra ainda mais para a margem. Em vez de cuidar, exclui. Em vez de proteger, por vezes maltrata.

É talvez aí que o escuro do título se torna mais literal.
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