Instituíram reis sem o meu consentimento; escolheram líderes sem a minha aprovação. Com prata e ouro fizeram ídolos para si, para a sua própria destruição. (Oséias 8.4 NVI)
Muitos evangélicos hoje colocam uma ênfase tão grande na “submissão feminina” que acabam inferiorizando a mulher ao enxergar o casamento basicamente como uma hierarquia. São teologias que, quando traduzidas em conselhos conjugais e prática pastoral, tornam as mulheres culpadas, temerosas e feridas. No famoso “esquema do guarda-chuva”, essa mentalidade resume o lar como uma cadeia de Cristo → marido → esposa → filhos. Mesmo quando o esquema não aparece claramente, seu ensino é encontrado em todo tipo de denominação.
A pergunta é: esse esquema do guarda-chuva realmente representa o casamento segundo a Bíblia? A ideia de Jesus sendo o líder do marido, que por sua vez é líder da esposa, basta para resumir a relação conjugal? O que isso causa no nosso coração? E qual a relação do esquema com o abuso? Ao fornecer respostas para estas e outras questões, Norma Braga busca restabelecer na teologia cristã do casamento a beleza do amor de Deus que se reflete em nós.
Norma Braga, minha amiga, meu orgulho, é cirúrgica em suas palavras ao explicar a origem, as implicações e os efeitos do famoso esquema do guarda-chuva que é utilizado, mundialmente, para justificar não só a submissão feminina mas, acima de tudo, a suprema autoridade que é atribuída ao homem supostamente bíblico. As referências bibliográficas presentes no livreto são didaticamente explicadas e as indicações de leitura são extremamente assertivas. Assim como a autora, reforço que esta não é uma leitura única e que tampouco consegue abarcar o problema em sua totalidade, mas é um excelente ponto de partida para o estudo desse tema que é tão atual e tem afetado tantas mulheres pelo mundo.