Quando a morte de alguém numa aldeia pacata traz consigo a revelação de um passado silencioso, começa a revelar-se quem diz e quem cala segredos alheios.
Scauri, no mar Tirreno, a menos de duas horas de Nápoles e de Roma, é o destino habitual de mais de cem mil veraneantes; mas no inverno é uma aldeia pacata, nem bonita nem feia, onde vive a jovem advogada Lea Russo que, apesar de tudo, talvez preferisse morar num lugar mais sofisticado. Mesmo assim, a chegada de Vittoria, uma mulher citadina de meia-idade que veio acompanhada de Mara - uma rapariga que não se sabe se é sua filha adotiva, protegida ou amante -, acabou por animar as hostes daquele lugar, sobretudo porque Vittoria é muitíssimo interessante e comunicativa (embora nunca deixe saber mais de si própria do que realmente quer) e por ali prometeu ficar, dado que comprou casa em Scauri. Como seria de esperar, Lea e Vittoria tornam-se, com o tempo, grandes amigas.
Depois de um fim de semana fora, em casa de amigos, a notícia que Lea e o marido recebem no regresso é terrível: Vittoria foi vítima de um estúpido acidente na banheira e morreu. Lea fica incrédula e, quando fala com Mara sobre o assunto, não se convence do que esta lhe conta; e menos convencida fica de que se tratou de um mero acidente quando aparece na aldeia para tratar de testamentos e heranças o distinto marido de Vittoria…
Este é um romance extremamente original entre o policial, a história do meio pequeno e a narrativa psicológica, em que a revelação de um passado silencioso se opõe diante de um presente estridente. Em Quem Diz e Quem Cala, cada página é uma surpresa, tudo pode sempre mudar.
Chiara Valerio è una scrittrice, traduttrice, editor, direttrice artistica e conduttrice radiofonica italiana.
Ha conseguito un dottorato in Matematica all'Università degli Studi di Napoli Federico II. È redattrice della rivista Nuovi Argomenti e ha collaborato al blog letterario Nazione Indiana. Ha scritto per il teatro e per la radio, ha collaborato con Il Sole 24 Ore e l'Unità e con la trasmissione culturale “Pane quotidiano”, Rai 3. Per l'editrice Nottetempo ha diretto la collana "narrativa.it", dedicata ai nuovi scrittori della narrativa italiana. Con Nanni Moretti, Valia Santella e Gaia Manzini ha scritto il soggetto del film di Nanni Moretti Mia madre, con Gianni Amelio e Alberto Taraglio ha scritto il soggetto del film di Gianni Amelio, La tenerezza. Nell'ottobre 2016 viene designata direttrice culturale della fiera del libro milanese "Tempo di libri", incarico da cui si dimette l'anno successivo.
Dal 2018 è Editor-in-chief del settore “Narrativa italiana” presso l'editore Marsilio di Venezia, per il quale ha ideato la collana PassaParola.
Vittoria era um enigma, até na morte. Uma excelente nadadora no mar, que se afoga na banheira. “Era distante, mas curiosa, acolhedora, mas reservada, precisa mas evasiva.” Sabiam dela apenas o que viam. Conhecer esta mulher e o seu desfecho, bem como o tipo de relação com Mara, que podia ser sua filha, sustenta o interesse de Lea Russo e o entusiasmo com esta narrativa é também pela vila balnear com o tanto de intriga. Uma protagonista sombra - Scauri. “Uma vila é um lugar onde todos sabem tudo sobre todos.”
Thriller psicológico ou não, surpreende e prende. Muito. A empatia com a Vittoria e a Lea fizeram desta leitura um vício. Amei. Julgo que um dos meus melhores de 2026.
É um policial e uma história de descoberta (a autora diz ser uma história de amor com estrutura de policial) muito bem escrita. Apanha muito bem os segredos das cidades pequenas onde toda a gente se conhece (e onde há quem diga e quem cale) e a aura clássica da forasteira magnética, personagem central de quem nada se sabe até à sua morte. O livro apanha a tensão dos policiais noir mas sem nunca ser cínico e tem uma nostalgia melancólica que nunca chega a ser entediante.
Gostei. É um romance algo psicológico que anda à volta da morte de Vittoria, uma mulher misteriosa e alvo do fascínio da nossa protagonista, fascínio esse de que ela praticamente só se apercebe após a sua morte e que a leva a entrar numa espécie de procura de si mesma, enquanto vai descobrindo mais sobre quem era, afinal, Vittoria. No fundo, essa tentativa de reconstruir a vida da outra acaba por revelar mais sobre quem observa do que sobre quem é observado, levantando a questão: até que ponto conhecemos realmente alguém?
A história fala muito sobre tudo o que se diz e o que se cala (tal como indica o título) numa pequena vila onde os habitantes se conhecem todos, ou acham que conhecem. Entre rumores, silêncios e versões diferentes dos mesmos acontecimentos, o livro reflete sobre a fragilidade da verdade e sobre como a memória é sempre parcial e moldada pelas emoções. O que se conta nunca é exatamente o que aconteceu, e o que se cala pode ter tanto peso quanto aquilo que é dito.
Há também uma reflexão interessante sobre identidade e desejo, a morte de Vittoria não é apenas o ponto de partida da narrativa, mas um catalisador que obriga a protagonista a confrontar sentimentos que talvez nunca tivesse nomeado em vida.
A escrita não é muito fluida; não há a típica pontuação de discurso direto, o que, de certa forma, reforça essa ideia de continuidade entre pensamento, memória e discurso, mas também faz com que, às vezes, se me distraísse, tivesse de reler algumas passagens! 🫠 Ainda assim, foi uma leitura rápida e fiquei sempre presa à história, na expectativa de descobrir mais sobre os segredos das pessoas desta vila e sobre aquilo que, no fim, fica inevitavelmente por dizer.
Não foi o que eu esperava. A estrutura do livro, com ausência total de discurso direto, acarreta bastante dispersão na leitura. A mim custou muito entrar na estória e, quando por fim a entendi, senti que de todas as formas eu tinha perdido alguma coisa. Pessoas frias, com muito pouca conexão, e uma trama confusa que me frustrou frustrante.
Há alguns momentos pensados, mas a estória termina sem desenvolver o seu potencial. Fiquei com a impressão de ter lido algo que queria ter dito muito, mas que ficou a meio do caminho... Todos os segredos são revelados de forma quase abrupta, pela metade, sem uma justificação que faça algum sentido.
Ponto (bastante) positivo para a escrita, que dá um outro encanto a uma obra que promete muito e que me satisfez pouco...
Estou até agora a pensar se verdadeiramente gostei. Ao longo da história estive sempre na expectativa de descobrir mais e mais, mas ficou muito por dizer. A escrita é diferente, há saltos entre o que está na memória e o presente, e por vezes é desafiante acompanhar tudo. De todo o modo, gostei do jogo entre o que se diz, ou o que se ouve dizer, e o que se cala. Conseguimos explorar as memórias da personagem principal, a sua própria identidade e os seus desejos. Concordo quando dizem que é uma história de amor com estrutura de policial, mas talvez seja demasiado melancólico.
Há muitos anos, chegou a uma pequena vila junto ao mar a misteriosa e irresistível Vittoria. Também de forma misteriosa Vittoria, uma exímia nadadora, morreu afogada na banheira. A advogada Lea, uma jovem mãe de família, que é a narradora, sente-se intrigada e decide investigar por conta própria o que terá acontecido. Esta investigação irá levar à descoberta de um passado ignorado e levantar o véu de mistério que sempre envolveu Vittoria. Bem estruturado e bem escrito, recomendo.