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O Angolano que Comprou Lisboa

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«Reparem, a seguir a Luanda, o lugar onde todas as idiossincrasias deste povo ganham maior visibilidade é Lisboa.
Daí, mesmo que eu quisesse, é impossível ficar imune a essa banga, basta alguém identificar-me o sotaque (ou a ausência dele).
A verdade é que a vaidade angolana já se tornou monumento de fama internacional. Uma atração turística ambulante, que onde quer que estejam angolanos, uma multidão de curiosos aparece para tirar fotografias, entregar currículos ou propor negócio, como me aconteceu recentemente. Quando terminava o meu almoço, sai da cozinha o proprietário e propõe-me que lhe compre o restaurante, com todo o recheio, licenças, cozinheiros e empregados de mesa incluídos.
E eu, do alto da minha vaidade, tão afetado pela crise financeira em Portugal quanto o pobre senhor, lanço-lhe a pergunta:
Quanto é que custa?
..
Kalaf, benguelense, criado no seio de uma família de funcionários públicos, com ligações à vila da Catumbela, lugar que visita com regularidade.
A música e os palcos do mundo lhe permitiram traçar um mapa afetivo das pessoas que habitam a sua memória, assim como os locais que o marcaram – da fábrica de açúcar do Cassequel ao Caminho de Ferro de Benguela, da Restinga do Lobito à rua Jacob de Paiva, onde aprendeu a equilibrar-se numa bicicleta. A aventura poética teve início em finais dos anos 90, em Lisboa, numa altura em que a cidade ensaiava novas linguagens rítmicas, buscando novos caminhos para a música urbana feita em português. Neste percurso cruzou-se com os pioneiros do movimento de música eletrónica, contou estórias e gravou dois «disco- falados» que lhe valeram o título de Poeta-Cantor, A Fuga... e Strategies And Survival. Com o produtor João «Branko» Barbosa, crente de que era possível exportar Lisboa para mundo, fundou a Enchufada, núcleo de produção musical, editora independente e incubadora de ideias como Buraka Som Sistema. Em 2011 é editado, pela Caminho, o seu primeiro livro de crónicas, Estórias de Amor para Meninos de Cor.»

232 pages, Paperback

First published January 1, 2014

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About the author

Kalaf Epalanga

7 books43 followers
Kalaf Epalanga, born in Benguela, Angola in 1978, is a well-known musician and writer living in Lisbon since the 1990s. As a musician, he co-founded the record label A Enchufada, a creative and dynamic platform that promotes new music styles from Portugal around the world, and went on to form the MTV Europe Music Award-winning band, Buraka Som Sistema. He wrote a regular column of short literary chronicles for the prestigious newspaper, O Público. TAMBÉM OS BRANCOS SABEM DANÇAR is his first novel.

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Ildebrando Aires.
15 reviews2 followers
May 7, 2022
O Benguelense-Lisboeta ou o Lisboeta-Benguelense…despretensioso, divertido, inteligente…
Durou 1 dia a leitura…não se consegue poisar este conjunto de crónicas até se lhe ver o fim.
Profile Image for Constança Figueiredo.
43 reviews2 followers
January 7, 2024
Crónicas curtas e cheias de ironia e sentido de humor, sobre o que é ser um angolano em Lisboa, ou um lisboeta em Angola; sobre o que significa viver a cidade de uma maneira que os “tugas” não vivem; sobre kizomba e semba e um pouco de tudo sobre a cultura angolana. Muito fácil de ler, se calhar por ser um tema que me é muito querido!
Profile Image for Marcello Stella.
23 reviews4 followers
May 22, 2021
Crônicas preciosas e despretensiosas de Kalaf, vale a pena ler.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews41 followers
January 24, 2021
Conjunto de cinquenta e cinco crónicas, algumas originais e as restantes escritas para o jornal Público ou para a Rede Angola, “O Angolano Que Comprou Lisboa (por metade do preço)” viaja pelos recantos de uma Lisboa que Kalaf Epalanga conhece bem, desde que para aqui se mudou em finais dos anos 90, antes ainda de se decidir que seria a música a razão pela qual se levantaria de manhã, antes de trocar a noite pelo dia. Como “lisboeta angolano” que se considera, desenha com minúcia o seu próprio mapa sentimental, partilhando com o leitor a sua visão sobre um quotidiano feito de sons e ritmos, a cultura de miscigenação e as influências que fazem de Lisboa a “capital mais africana da Europa”, as marcas de uma Angola da qual se diz “órfão cultural”, enfim, essa aura de vaidade e presunção que faz de cada angolano “uma atracção turística ambulante”.

Nesse seu ofício de forjar palavras para contar estórias, Kalaf Epalanga fala-nos com amor desta terra de acolhimento onde passeia a sua angolanidade. Histórias que falam do útil e do fútil, de quantas gramas pesam os sonhos, do porquê de acreditar no poder dos contraceptivos quando se é nómada e, tal como os marinheiros, das paixões que se desdobram em cada porto. São histórias que contam a nacionalidade que se carrega na cor da pele, o reconhecer na pele do outro aquela que habitamos, o nosso chão. Histórias que nos levam ao encontro do calulu, do funge, do mufete e da kissângua, que nos confrontam com o aroma do dendém perfumando o ar e convocando a nostalgia e a saudade. Histórias que trepidam na malemolência ritmada da Kizomba e coram no apelo carnal da Tarraxinha (mas que nos falam igualmente da humilhação de ser barrado à entrada de um espaço de diversão nocturna).

Para além da multiculturalidade que se descobre ao virar de cada página, “O Angolano Que Comprou Lisboa (por metade do preço)” oferece igualmente um valioso contributo sociológico para que possamos compreender este lugar a que chamamos casa. Um lugar economicamente falhado, a atravessar a pior crise da sua História, Passos e Cavaco a enterrarem a esperança de milhões de portugueses e a mandá-los emigrar. Então percebemos que não há muito a separar portugueses e angolanos naquilo que há de pobreza e da sua aliada fragilidade. Somos todos um bando de sobreviventes com uma paciência infinita, uma multidão de espectadores que deixa que os seus líderes – temidos, celebrados, bajulados – decidam as regras, ante uma colectiva indiferença. Mas talvez isto sejam só mujimbos.
Profile Image for Beki.
41 reviews5 followers
October 9, 2021
Ritual adquirido, desde que o comprei, na Feira do Livro: ler uma crónica por noite, antes de dormir. Por vezes, com batota, uma extra para a viagem de metro, a sala de espera.

É a leitura perfeita para esses períodos de tempo mortos; uma pausa na vida de repente preenchida pelas palavras do nosso humilde - mas crítico, pungente, por vezes brincalhão - cronista, que nos conta o dia a dia na sua cidade, num outro tempo.

Adorei redescobrir esta Lisboa do Kalaf -- que já trato pelo nome próprio, depois de tanto tempo de convívio. Uma Lisboa com outras dinâmicas, outros problemas, uma Lisboa boémia, dos clubes e dos músicos. Uma Lisboa migrante, dos angolanos, dos negros, do Kizomba e do Kuduro, e que por vezes se estica e estende até Berlim e Paris.
Profile Image for catarina mendonça.
6 reviews
April 30, 2025
decidi ler este livro pensando, erroneamente, que se tratava de ficção. este acabou por não ser o caso. no entanto, a perspetiva partilhada por epalanga nas suas (extremamente) curtas crónicas é fascinante – tanto que o desapontamento de não estar a ler o livro que pensava que ia ler tão pouco foi sentido. para além disso, admito que não resisto a uma boa carta de amor, especialmente quando esta é dedicada a uma cidade que eu conheço tão bem.
Profile Image for Maria Pires.
4 reviews
January 12, 2021
Uma declaração de amor a Lisboa. Uma coleção de crónicas que nos conta a história das relações entre Portugal e Angola mas, sobretudo a história e as relações de pessoas que vivem entre os dois países.
Profile Image for Joao  O.
35 reviews4 followers
November 30, 2024
Excelente coleção de crónicas de aventuras e experiências de Kalaf por Lisboa e pelo Mundo.
Displaying 1 - 10 of 10 reviews

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