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Como Caminhar num Pântano

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«[Em Como Caminhar num Pântano, o novo romance de Marta Pais Oliveira] destaca-se a originalidade da voz autoral, que faz um ziguezaguear permanente entre a primeira e a terceira pessoas narrativas. Uma prosa límpida e poética, crítica e cheia de sentido de humor, que conta a singular história de uma mulher que, nas horas vagas, se dedica ao roubo das malas de mão (...).»
Júri do Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho

«Liberdade pode ser isto - nenhum peso nas mãos.» Entre o gesto transgressor e a escrita, aqui constrói-se um retrato íntimo e vívido de quem observa o mundo enquanto o corpo dá repetidos sinais de quebra. Uma personagem consciente da proximidade da morte, mas ferozmente avessa à piedade alheia, que inventa para si um modo singular de estar no tempo - cria legendagens para filmes, imagina diálogos, altera sentidos, como se a linguagem ainda pudesse suspender o fim que se avizinha. A culpa é um bicho de muitas cabeças: culpa de quê?

Na cidade, a narradora de duas vozes cruza-se com figuras laterais e intensas: uma jovem grávida, um amigo esotérico, a dona de uma papelaria. Cada testemunho de encontro revela um fragmento de um espaço urbano entendido como um coro de desajustados, onde todos travam as suas batalhas invisíveis.

Entre lucidez, ironia e ternura áspera, esta história é uma meditação sobre liberdade, perda e resistência, onde a escrita se afirma como um último ato de insubmissão.

168 pages, Paperback

First published March 1, 2026

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About the author

Marta Pais Oliveira

9 books21 followers

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for CCB.
82 reviews66 followers
March 22, 2026
A Marta é uma autora brilhante. Tem uma capacidade única para evocar imagens, para construir narrativas a partir do fragmento, para nos levar através dos fluxos de consciência.
A experiência de ler Como caminhar num pântano é a de saltar entre estilhaços sem nunca perder o fio à meada, observando o quotidiano tornar-se literatura. É um livro belíssimo.
Profile Image for Belisa Nogueira.
96 reviews9 followers
Review of advance copy received from Editora
March 15, 2026
"Como caminhar num pântano, quero saber. (...) Mas isto não é sobre aprender a caminhar sobre o pântano. É sobre saber distinguir quando já se está no pântano, sem o querer."

Este foi um livro que ressoou muito em mim.
Foi uma leitura que me transportou numa viagem até a algumas memórias de infância ("Erva daninha, trevo-azedo, azedinha, trazem-me a memória de chupar os caules na minha infância. (...) E deitar-me nestas flores amarelas."), a pensamentos/crenças da minha adolescência/juventude até ao presente.

"Uma memória dentro de uma memória dentro de uma memória. É isso que eu sou."

A personagem "convida-nos" para uma viagem lenta e reflexiva, mas que pode ter alguma turbulência. Convida a fruir, a sermos nós próprios, a libertarmo-nos do peso supérfluo que nos impede a liberdade e de procurar a nossa singularidade.

"A liberdade pode ser isso -- nenhum peso nas mãos."

Adorei este livro que "pede" para ser saboreado.
Profile Image for Vera Sopa.
774 reviews73 followers
March 14, 2026
As altas expectativas são tramadas. E eu tenho gostos refinados. Brinco, claro, mas já ouvi vários elogios sobre este livro, premiado, que acabou de sair. E no entanto, merecedor. Um livro muito pequeno mas imenso no que conta em dois tempos verbais. Um mulher que, no fim que sabe próximo, rouba malas para libertar as mãos das mulheres. Na contagem dos dias, do quotidiano em fluxo de consciência, um pensamento flui. No seu caminho cruza com outros em situações delicadas. A vida que, não se planeia. Avessa à piedade ou à auto compaixão é lúcida, terna e irónica. Uma mulher que reconheço. Magistral. Um livro que vou ler e reler com prazer.

“Elas sempre segurando algo, transportando algo mais pesado, essencial ou inútil, as mãos não se podendo expressar, gesticular, como se expressam os homens - tirando-as descontraidamente dos bolsos.”
Profile Image for Célio Da Cruz.
21 reviews9 followers
March 29, 2026
Tinha grandes expectativas em relação a este livro e entrei nele sem grande preparação para o tipo de escrita que a autora apresenta. Talvez isso tenha influenciado bastante a minha experiência de leitura.

Este foi o meu primeiro contacto com a autora e senti alguma dificuldade em conectar-me com a narrativa. A alternância entre a primeira e a terceira pessoa acabou por me afastar mais do que aproximar, tornando a leitura menos fluida do que eu esperava. Percebo a intenção literária por detrás desta escolha, mas, pessoalmente, não resultou comigo.

Também tive dificuldade em criar empatia com a protagonista, da qual nunca chegamos a saber o nome, o que até poderia acrescentar um lado universal à história, mas que, neste caso, acabou por reforçar a minha distância emocional. Os seus pensamentos, muitas vezes dispersos e quase aleatórios, fizeram com que me desligasse da narrativa em vários momentos.

Ainda assim, reconheço a sensibilidade dos temas abordados e a forma honesta como a autora explora estados emocionais mais densos. É um livro que certamente encontrará leitores que se identifiquem com esta introspeção mais fragmentada e contemplativa.

Para mim, acabou por ser uma leitura interessante do ponto de vista literário, mas pouco envolvente a nível emocional.
Profile Image for Andreia Machado.
235 reviews22 followers
March 23, 2026
Entrei neste livro consciente de que poderia esbarrar numa escrita mais complexa, não fosse a sinopse indicar desde logo que a nossa narradora salta da primeira pessoa para a terceira sem aviso! Mas a primeira frase deixou-me logo bastante curiosa: “Liberdade pode ser isto — nenhum peso nas mãos.”

Li-o em dois dias e confesso que, quando não estava a ler, estava a pensar nesta protagonista tão peculiar, da qual vamos sabendo coisas devagarinho: pequenas notas deixadas sem aviso, a meio de pensamentos ou observações do seu dia a dia.

Ainda assim, o texto exige atenção e uma leitura calma (sim, eu sei, eu li muitíssimo rápido, mas calma, foi num fim de semana com tempo). As personagens com que a narradora se cruza na história não estão lá ao acaso! Não sabemos bem como as pequenas coisas se ligam e não vamos saber facilmente. Saberemos no seu tempo. No tempo que a autora e a protagonista querem que saibamos.

Eu sei, às tantas não faço sentido nenhum, mas também não posso dizer muito mais, corro o risco de vos estragar a experiência. Leiam. A escrita é bonita, melancólica; não é propriamente fluida, mas as palavras ficam connosco, e isso é tão belo!

Pelo meio há belos pensamentos sobre o quotidiano e o mundano, sobre a vida do bairro e da cidade decorrentes das observações da nossa protagonista e uma crítica subtil, com humor, à sociedade e à atualidade: “Seria bom fazer laboratorialmente uma espécie livre de preconceito.”

E há uma mulher dissidente que não se deixa levar, que valoriza e não desiste da liberdade de escolha até ao fim: “Não ser mulher-estátua, pouco se mexendo para nada rachar. Ah, isso é que não.” “Poder dizer não - isso é liberdade.”

Faz-nos refletir, em vários momentos, sobre o papel da mulher na sociedade. Sobre a passagem do tempo e a aproximação do fim. Sobre o que fizemos e o que deixámos por fazer, sobre pequenas coisas (as flores amarelas, a neblina, a praia e o sol no rosto), sobre obsessões e arrependimentos. Sobre as memórias que guardamos ! Sobre humanidade!

Tudo isto em apenas 168 páginas! Magnífico. Adorei. 🥹
Profile Image for Álvaro Curia.
Author 2 books560 followers
Review of advance copy received from Publisher
March 9, 2026
Tenho tantas notas mentais depois de ler este livro, que tive de as passar para o papel. É um assombro. A Marta Pais Oliveira consegue traçar imagens poéticas de um quotidiano em estilhaços, uma personagem em corte, com idioma próprio, que orbita em torno da sua própria existência.

É uma das (ou “a”) principais vozes da nossa literatura atual e oxalá o que escreve seja sempre reconhecido. Porque reconhecível já é.
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