"Este é um livro de viagens, um livro de alguém que, como nos sonhos de infância, teve a sorte de partir tantas vezes com pouco mais que um saco de viagem e uma máquina de filmar ou de fotografar. (...) Nem sempre viajei para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul. O Sul é uma porta de avião que se abre e um cheiro inebriante a verde que nos suga, o calor, a humidade colada à pele, os risos das pessoas, o ruído, a confusão de um terminal de bagagens, um excesso de tudo que nos engole e arrasta como uma vaga gigantesca. Apetece fechar os olhos, quebrar os gestos e deixar-se ir. Mas é justamente neste caos que eu procuro a lucidez do contador de histórias." Miguel Sousa Tavares
Neste livro, Miguel Sousa Tavares partilha com os leitores, fotografias e experiências únicas de viagens a São Tomé e Príncipe, Amazónia, Egipto, Goa, Cabo Verde, Alentejo, Alhambra, Marráquexe, Costa do Marfim, Tunísia, Brasil, Veneza, Guadalupe, parque Kruger, em África e o deserto de Sahara.
Miguel Sousa Tavares is a portuguese journalist and was born in Porto, on the 25th June 1952. His mother, Sophia de Mello Breyner, was a poetess and his father, Francisco de Sousa Tavares, a lawyer and a journalist. After taking the Law course, he carried advocacy during twelve years, but left it permanently to become a full time journalist. He first appeared at television in 1978, by entering the Radiotelevisão Portuguesa channel (Portuguese Radiotelevision). In 1989, he was one of the creators of Grande Reportagem magazine (Big Report) and he became director of it in 1990, place where he settled during ten years. He also published some chronics and wrote to the journal Público (Public) from 1990 until 2002. At the same time, he also wrote chronics in other publications such as A Bola (The Ball, a sport journal), Máxima (Maximum, a female magazine) and in the online journal Diário Digital (Digital Diary). He worked at SIC, a private TV channel, where he hosted information programmes such as "Crossfire". He left SIC and refused the invitation to be general director of RTP but, in 1999, he returned to the television. He entered TVI in 1999 where he hosted the programme Legítima Defesa (Self Defense) and in 2000 he started to work as a fixed commentator at the Jornal Nacional (Nacional Journal, in TVI). He also released various books, and almost all of them are chronics. The first one, Sahara, a República da Areia (Sahara, the Sand Republic), was edited in 1985 and was part of a report. Ten years later he wrote a collection of political texts called Um Nómada no Oásis (A Nomadic in the Oasis) and O Segredo do Rio (The Secret of the River, a children story). In 1998, the book called Sul (South) came out and in 2001 the book called Não te Deixarei Morrrer, David Crockett (I won't let you die, David Crockett). In this last year, was also edited Anos Perdidos (Lost Years), a colection of chronics dedicated to the govern of António Guterres. His first novel was Equador (Equator), first edited in 2003 and which sold more than 370 thousand copies. This novel was so sucessful that posteriorly was released in Brazil, Germany, Spain, Latin America, Czech Republic and the Netherlands, and also won the 25th edition of the Grinzane Cavour prize for the best foreign novel of the year, in Italy. In October of 2007, Miguel Sousa Tavares released Rio das Flores (River of Flowers), also a success.
Sentei-me no sofá, de pernas cruzadas, e foi como se o autor estivesse ali, a contar-me como foi. Ofereci-lhe um chá e não o deixei fumar, antes o acompanhei até à varanda, ofereci-lhe a cadeira suspensa e sentei-me no puff, enquanto o via tecer a manta de retalhos, de pedaços de sul que é este livro, sem que eu perceba muto bem qual o critério que ele usa para os ir dispondo. Também não segui a leitura pela ordem em que se apresenta, comecei pelo fim, que foi a viagem que me despertou a curiosidade para o ler, depois de ter lido No teu deserto, que é o mesmo, e trata da mesma viagem, mas a perspetiva é diferente, muito menos lírica, muito mais diário de bordo. Fartei-me de rir com o atum, no entretanto.
Gostava de andar de buggy por essa imensidão deserta que são as praias nordestinas brasileiras (será que ainda são assim tão desertas?), e conhecer o universo escondido daTunísia; Já conheço o Alentejo relativamente bem (achei o trabalho sobre o sul português muito superficial) e o meandros do Alhambra; gostava de conhecer S. Tomé, talvez Cabo Verde, de resto, acho que não são viagens para mim. Fiquei desiludida com as fotos, não que sejam más, mas estava à espera de mais e em maior formato. As opções gráficas na capa, a paginação com largas e inúteis margens, a gramagem do papel e a utilização da tipografia também me deixaram a desejar melhor.
Alguns destes relatos têm mais de vinte anos e é claro que se impõe saber como estão os lugares no presente. Neste altura, já não é tanto um livro de viagens, é mais um documento histórico, uma fotografia cultural de um tempo que já passou. Agora vou viajar no presente e observar as diferenças.
Não tinha como falhar e não falhou, aliás ficou acima das expectativas. Para uma pessoa como eu que gosta de viagens e da escrita de Miguel Sousa Tavares, juntar as duas coisas resultou num enorme prazer de leitura e uma sensação quase permanente de estar em viagem, só que no conforto do meu sofá. Muito bom!
O livro consiste num conjunto de relatos de viagens. Dá a sensação que foi sendo feito de notas avulsas sem grande fio condutor. Tem umas fotos cuja qualidade deixa bastante desejar. O papel couché merecia melhor. Quanto ao texto, alguns relatos são bastantes interessantes, outros nem tanto. Vale a pena ler mas é bom partir sem grandes expectativas. Algumas das viagens relatadas ocorreram há já alguns anos pelo que acaba por ser também um relato de um mundo que já não existe.
Gostei deste livro de crónicas sobre as viagens de MST, aprende-se sempre um bocadinho mais. Foi com este livro que descobri as grandes diferenças entre Cabo Verde e São Tomé e Princípe, as quais nunca tinha pensado.
De fácil leitura. No seu habitual modo de escrever que nos faz estar "como se estivéssemos mesmo pessoalmente lá no local", Miguel Sousa Tavares nos leva por uma viagem pelo Sul de nosso mundo. Sua forma de escrever é realmente viciante de ler. Se gosta de conhecer locais e culturas, tem mesmo de ler este livro. Recomendo a leitura.
«Eu sou um contador de histórias. Pagam-me para percorrer o mundo e contar o que vi. Umas vezes vi tragédias, miséria, coisas que magoava descrever. Outras vezes vi sonhos, esperanças, histórias felizes. Este é um livro que reúne apenas a parte boa daquilo que me coube em sorte ver e contar.» São muitos e todos fascinantes os destinos deste Sul. De São Tomé e Príncipe a Itália, com paragens em Goa, Cabo Verde, Egito, Espanha, Marrocos, Costa do Marfim ou Tunísia, da Amazónia à selva africana, Miguel Sousa Tavares transporta-nos para um sem-fim de lugares inesquecíveis através das páginas deste livro. Resultado de várias viagens que fez como jornalista, Sul é um livro ímpar, que nos apresenta o jornalista, viajante e contador de histórias, descobrindo e dando a descobrir o lado mais profundo e verdadeiro de cada um destes países. Sul é um hino às experiências que nos enriquecem de forma indelével e um convite irrecusável para embarcar numa aventura intemporal.
Este livro é um conjunto de relatos de algumas viagens feitas por Miguel Sousa Tavares nos ultimos 20 anos. A maioria dos destinos encontram-se em África, continente pelo qual MST parece ter especial carinho, principalmente pela parte norte (parece existir contradição com o título). O último capítulo é talvez o melhor do livro onde são relatadas as experiências de uma viagem pela Argélia e Marrocos de jipe, onde não existe aquele romantismo atraente, mas sim a realidade da dureza de uma expedição deste tipo.
A escrita de Sul dá-nos a conhecer mais do escritor do que propriamente dos lugares que descreve. O que não é mau! Para mim, é uma espécie de autobiografia de certos momentos da vida do MST. Gostei de ler, mas não me fascinou. Certas passagens não trazem qualquer valor ou conhecimento adicional. Outras, no entanto, têm o seu interesse. Gostei, particularmente, da parte final, do deserto. Nota-se a verdadeira paixão do MST pelo deserto e esse último capítulo consegue transmitir muitas das sensações que o MST terá vivido e transmite muito do seu carácter.
Se houve livro que me deixou com vontade de deixar tudo, pôr uma mala às costas e sair para viajar e conhecer o mundo foi este. A necessidade de viajar e conhecer países, culturas, pessoas e sítios completamente diferentes dos que estamos habituados foi o que mais me fez gostar deste livro. Porque só quando damos connosco num sítio diferente em situações extremas é que o nosso verdadeiro eu vem à tona. Espero um dia ter essa possibilidade, deixar tudo para trás, pegar numa mochila, entrar num avião sem destino e ter o mundo aos meus pés.
A fazer recordar as páginas, da infelizmente extinta, “Grande Reportagem”, Miguel Sousa Tavares transporta o leitor para a beleza do Sul, desde São Tomé e Príncipe até ao deserto de Sahara passando pela Amazónia, entre muitos outros destinos. A interpretação crítica da realidade do que foi, e ainda é a presença portuguesa no mundo, denota a influência de Sophia, que cedo lhe transmitiu a tranquilidade, que diferencia um turista de um viajante: “viajar é olhar”.
Um retrato dum mundo que já não há. Ainda bem que alguém o pôde ver há uns anos atrás, e dar-nos conta dessa beleza intocada, ou primórdios de zonas que hoje são já de turismo de massas. Podemos apenas sonhar com o que podia ter sido, e esperar que algumas coisas ainda estejam preservadas quando lá conseguirmos ir. Os relatos são bastante interessantes, mas alguns deixam-nos à espera de mais.
Miguel Sousa Tavares com uma narrativa muito bem elaborada neste livro de viagens e aventuras com predominância das paisagens pelo hemisfério sul, dá um especial destaque ao quotidiano das pessoas através de histórias locais por onde o autor fez as suas reportagens. Qualquer um ao ler este livro fica com o bichinho das viagens a eventualmente de alguma aventura fora dos circuitos turísticos.
Os relatos de MST me iniciaram na escrita dele e me inspiraram a olhar além do lugar comum. Como dizia a mãe dele, viajar e olhar... Depois dele nunca mais parei de viajar, de olhar, de me questionar e sempre sempre me encantar.