Jump to ratings and reviews
Rate this book

Meu Quintal é Maior do Que o Mundo: Antologia

Rate this book
Antologia dos poemas mais emblemáticos do poeta Manoel de Barros publicados ao longo de setenta anos.

Manoel de Barros é um dos poetas mais originais de nosso tempo. Sua obra inaugura um estilo único, que transforma a natureza, os objetos e a própria condição humana em expressões poéticas carregadas de significado e emoção. Esta antologia inédita reúne poemas de todas as fases do escritor, oferecendo um panorama abrangente de sua produção literária. Em mais de setenta anos de ofício, Manoel redesenhou os limites da linguagem e seus sentidos.

Meu quintal é maior do que o mundo recolhe poemas publicados por Manoel de Barros ao longo de mais de setenta anos. Recortar a obra desse poeta não é tarefa fácil, já que ela assume muitas formas, e se move como as águas do Pantanal. O problema desta e de qualquer seleção ou recorte da obra de Manoel de Barros, é, então, este: não se pode cercar a água. Nem com arame farpado

Embora fosse um erudito, Manoel de Barros preferia ocultar-se atrás de diversas máscaras, inclusive a da ignorãça, como ele grafava, à antiga. Numa de suas entrevistas, ele assim se define: “O poeta não é obrigatoriamente um intelectual; mas é necessariamente um sensual.” É esse sensualismo poético que lhe dá a feição genuína, e lhe permite, como ele ainda define, “encostar o Verbo na natureza”. Talvez nenhum outro poeta tenha tido uma relação tão intensa com ela. Por isso mesmo, a obra de Manoel de Barros foi escrita para o futuro. Meu quintal é maior do que o mundo revela a força, a vitalidade e o alcance universal da obra deste poeta inimitável.

168 pages, Paperback

First published March 1, 2015

36 people are currently reading
487 people want to read

About the author

Manoel de Barros

53 books103 followers
Manoel Wenceslau Leite de Barros is a Brazilian poet. He has won many awards for his work, including twice the Prêmio Jabuti, the most important literary award in Brazil. Today he is renowned by his critics as one of the great names of contemporary Brazilian poetry, and by many authors he has been considered the greatest living poet from Brazil, like the poet Carlos Drummond de Andrade recognized Manoel de Barros as the biggest poet of Brazil.

- - -

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
266 (46%)
4 stars
195 (33%)
3 stars
93 (16%)
2 stars
20 (3%)
1 star
3 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 66 reviews
Profile Image for Violeta Vaal.
53 reviews59 followers
January 31, 2023
Qué bonita la poesía de Manoel de Barros. Es poesía para bebés arriba de 25 años.

"Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade.
A gente só descobre isso depois de grande.
A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas.
Há de ser como acontece com o amor.
Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo.
Justo pelo motivo da intimidade.
Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa.
Aquilo que a negra Pombada, remanescente de escravos do Recife, nos contava. Pombada contava aos meninos de Corumbá sobre achadouros.
Que eram buracos que os holandeses, na fuga apressada do Brasil, faziam nos seus quintais para esconder suas moedas de ouro, dentro de grandes baús de couro.
Os baús ficavam cheios de moedas dentro daqueles buracos.
Mas eu estava a pensar em achadouros de infâncias.
Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira.
Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa.
Sou hoje um caçador de achadouros da infância.
Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos.
Hoje encontrei um baú cheio de punhetas."
Profile Image for Bianca Peter.
5 reviews2 followers
July 24, 2021
"Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós" ❤
Profile Image for Haymone Neto.
330 reviews5 followers
October 19, 2022
Esta antologia foi meu primeiro contato formal, digamos assim, com a poesia de Manoel de Barros. Ela é organizada cronologicamente, o que ajuda a perceber mais nitidamente os caminhos tomados por esse grande poeta brasileiro.

Acho que os livros mais conhecidos de Manoel de Barros são os dos anos 90, quando sua poesia se consolida em torno de formas muito simples e temas como a infância, a simplicidade e a natureza.

O reconhecimento é justo, mas o grande mérito desta antologia, em meu entendimento, é trazer à tona uma outra face de Manoel de Barros, menos singela e, às vezes, até meio pesada.

Como num dos poemas de Arranjos para assobio, de 1980 (p. 54), quando ele diz:

"Sou mais a palavra com febre, decaída, fodida, na sarjeta.
Sou mais a palavra a ponto de entulho.
Amo arrastar algumas no caco de vidro, envergá-las pro chão, corrompê-las
Até que padeçam de mim e me sujem de branco."

Evidentemente é possível compilar a obra do poeta sob outros enfoques, como pelos vários temas que vão e voltam de seus poemas ou pelos diferentes usos da forma. Essa antologia opta por fotografá-la com uma lente grande angular e, para mim, tem o grande mérito de servir como mapa para o trabalho de um dos nossos maiores escritores.
Profile Image for Bruno Barcellos.
86 reviews2 followers
October 4, 2017
Provavelmente o primeiro contato com Manoel de Barros que tenho.
Comprei naquela de... vamos variar? Ler mais brasileiros?

No início
Achei meio chocho. Não me identifiquei

Mas, aí começaram a vir os poemas sobre pássaros e sobre a fauna e flora do pantanal. Começando pelo poema "O Quero-quero". A animação só foi crescendo.

A partir de agora, já sei, que ainda me esqueceria fácil do Manoel de Barros. Sabe, associar o nome à obra? Mas, se você me perguntar sobre o "Poeta do Pássaros", já começaremos uma conversa com meu sorriso.

Algumas frases marcantes e um poema (talvez):

"Tenho uma confissão: Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira"

"Estou na categoria de sofrer do moral, porque só faço coisas inúteis. No meu morrer tem uma dor de árvore"

"A Nossa Garça

Penso que têm nostalgia de mar estas garças pantaneiras. São
viúvas de Xaraiés? Alguma coisa em azul e profundidade lhes foi
arrancada. Há uma sombra de dor em seus vôos. Assim, quando vão de
regresso aos seus ninhos, enchem de entardecer os campos e os homens.
Sobre a dor dessa ave há uma outra versão, que eu sei. É a de
não ser ela uma ave canora. Pois que só grasna — como quem rasga uma
palavra.
De cantos portanto não é que se faz a beleza desses pássaros.
Mas de cores e movimentos. Lembram Modigliani. Produzem no céu
iluminuras. E propõem esculturas no ar.
A Elegância e o Branco devem muito às garças.
Chegam de onde a beleza nasceu?
Nos seus olhos nublados eu vejo a flora dos corixos. Insetos
de camalotes florejam de suas rêmiges. E andam pregadas em suas
carnes larvas de sapos.
Aqui seu vôo adquire raízes de brejo. Sua arte de ver caracóis
nos escuros da lama é um dom de brancura.
À força de brancuras a garça se escora em versos com lodo?
(Acho que estou querendo ver coisas demais nestas garças.
Insinuando contrastes (ou conciliações?) entre o puro e o impuro,
etc etc. Não estarei impregnando de peste humana esses passarinhos?
Que Deus os livre!)"
Profile Image for Gabriela Ramos.
85 reviews44 followers
May 6, 2019
Desarticula os sentidos, multifaceta o verbo, livro passáro e dos andarilhos, preenche o silêncio com palavras. Treina o olhar para os desperdícios, restos e insignificancias. Genuíno simplório, momumenta as coisas do chão.

"Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata – cresce de importância para o meu olho.
Ainda não aprendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas."



MANOEL DE BARROS
em Retrato do Artista Quando Coisa
Profile Image for Gui.
42 reviews6 followers
December 30, 2021
Confesso que este é o primeiro livro de poesias/poemas que leio e que ainda tenho muito que “aprender” para poder desfrutar ao máximo de leituras como esta!

Dadas as minhas limitações, achei alguns poemas super interessantes, leves e de uma inocência que me alegraram por dentro. Outros confesso que não entendi bulhufas.

De qualquer forma, é um livro que certamente ficará na minha memória e que não é feito para ser guardado, devendo sempre ficar à vista para quando desejarmos escapar um pouco para outra realidade!
Profile Image for Julia Peccini.
Author 12 books11 followers
July 1, 2022
"Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios."
Profile Image for Sarah Cecília.
46 reviews
July 1, 2024
Não esperava gostar tanto assim de um autor e de uma antologia. Acho que foi porque nunca li nada igual antes, e Manoel de Barros consegue trazer preocupações e ideias que soam muito originais ao fazer poético. Seus versos demonstram humildade, lucidez, talento, e sobretudo uma aceitação profunda da ignorância humana. Parece que, mais do que nunca — numa situação global que se agravou desde a época em que ele escreveu seus poemas —, precisamos saber gozar das coisas inúteis, inverter a ordem das coisas, deixar de imputar e medir valor em tudo: apreciar as coisas pequenas e inventar nossas próprias importâncias. Seu esforço parece sempre ter sido o de levar a arte novamente a um estado primordial da existência (a infância), onde tudo é mais interessante, mais livre, menos rígido e formal. É quando a criança, como ele escreve, muda a função das palavras, brinca com a linguagem e faz o verbo delirar. Aqui descobrimos, então, que também nós podemos experimentar o respiro que é deixar a razão de lado às vezes, para alcançar o mundo com maior clareza, através dos sentidos, do afeto e das imagens — a palavra e suas classificações só vêm depois mesmo. Isso exige, por consequência, suspender também um pouco o tempo, poder parar de correr tanto e de viver sob o jugo pesado da produtividade que tanto se exalta socialmente e que acabamos por internalizar, não sem nos sentirmos cansados.
Dar voz aos seres do chão, ver e ouvir inexistências, se comover com o abandono das pessoas marginalizadas: é porque voltar os olhos para tudo que é visto como desimportante, através das lentes utilitárias e burocráticas do mercado, soa completamente absurdo e revolucionário, que nisto mesmo reside o legado firme e atual deste poeta. Aliás, por acaso, li em algum canto que Carlos Drummond de Andrade uma vez teria recusado o título de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel. Se o fez com razão ou não, se é que dá para medir algo assim, só há como pensar no quão grande deve ter sido o seu impacto em Drummond. E penso que também em mim, ou em qualquer um que se depare com estes versos.

"O que a gente aprendia naquele lugar era só ignorâncias
para a gente bem entender a voz das águas e
dos caracóis.
A gente gostava das palavras quando elas perturbavam
o sentido normal das ideias.
Porque a gente também sabia que só os absurdos
enriquecem a poesia."
Profile Image for Lígia Penia.
26 reviews
September 3, 2022
"Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata — cresce de importância para o meu
olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão —
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas."

Esse livro foi um refresco na minha vida. Natureza com sinestesia. Figuras de linguagem e muitos tempos ao mesmo tempo. Que leveza.
Profile Image for Guilherme Guckert.
Author 1 book5 followers
August 11, 2021
4,5 ⭐

Essa é uma ótima antologia para conhecer a escrita do Manoel de Barros e sua forma de ver o mundo. Mesmo já tendo contado anteriormente com o autor eu gostei muito do que li e reli. Para mim, Manoel é um dos poetas mais importantes e necessários, nos faz refletir nossa posição na Terra e a abaixar nossa cabeça às vezes e olhar as coisas que parecem insignificantes mas são tão importantes quanto quaisquer outras.
Profile Image for Luciane Glicia.
47 reviews
July 26, 2022
Poesia e poemas não são o meu forte, mas acredito que tenha lido errado esse tempo todo. Recentemente uma colega disse que são gênero para sentir e não para compreender e, agora lendo com novos olhos, pude perceber a graça que é. Pequenas linhas que te tocam de diversas formas, ora com sutilezas, ora de forma devastadora. Acredito que o certo seria eu dizer que estive com Manoel de Barros e não que li Manoel de Barros. A ele, agradeço a delicadeza dessa obra espetacular.
Profile Image for Celso Rennó Lima.
237 reviews4 followers
January 6, 2020
O mundo que Manoel de Barros descortina à nossa frente enche de fantasias nossa vida e nos leva a lugares de nossa lembrança há muito esquecidos. Ler e reler Manoel enche de alegria a vida. Assim é a poesia e o entortar as palavras, desfazendo os sentidos pre-estabelecidos que nos engessam para soltar nossas asas e podermos voar onde ninguém jamais chegou.
Profile Image for Ana.
16 reviews2 followers
May 14, 2023
Para quem costuma observar o que ninguém mais quer/consegue ver. Para quem imagina formigas surfando na chuva, borboletas indo para festas no sábado pela manhã e apelida um calango carinhosamente de Oscar. É isso que eu e Mari vemos, mas Manoel vai muito além. Queremos ver mais. "As coisas sem importância são bens de poesia.”
9 reviews
August 28, 2024
para quem encontra beleza no "nada" e nos chamados desperdícios. reflexões lindas, embora algumas passagens sejam um pouco confusas quando lidas de primeira. mas, se fosse para entender tudo, creio que a mensagem do livro teria de ser outra.
Profile Image for Lívia.
97 reviews2 followers
February 7, 2024
Esse foi o primeiro livro de poesias que li na vida! Confesso que, apesar de sempre ter admirado a poesia, tinha muito receio de ler e achar "chato" ou "difícil". É... de vez em quando a gente tem dessas bobeiras mesmo.
Mas então uma pessoa super especial me indicou esse livro e não pensei duas vezes, corri para comprar o meu.
No começo fiquei meio perdida, tentando entender e racionalizar exatamente cada sentença que eu lia. Mas conforme a leitura foi se desenvolvendo e eu fui me habituando com a escrita do autor, percebi que muita coisa ali era mais sobre sentir do que apenas interpretar.
Manoel de Barros tem um jeito muito único de escrever. Ele se utiliza da linguagem de maneiras não tradicionais que, para mim, foram inusitadas e autênticas, ele brinca com as palavras e seus significados, desconstrói alguns termos e cria tantos outros. A princípio pode até parecer confuso mas logo se torna divertido e profundo e cada verso ganha vida diante dos olhos do leitor.
Uma coisa que achei lindo demais é a forma como a narrativa é carregada de termos e referências que remetem à sua infância no Centro-Oeste brasileiro e também ao Pantanal, onde morou já em fase adulta. Então na maioria dos poemas a gente encontra muitos temas bucólicos, mas também podemos perceber a boemia e o erotismo de forma pontual em alguns outros textos, que são minoria.
O livro em si é muito curto, menos de 200 páginas, e a leitura passa voando. A leitura é super gostosinha e você não precisa ler tudo de uma vez já que é uma antologia, ou seja, uma coletânea de várias poesias. Então dá pra ir lendo aos poucos e apreciando esse tesouro literário nacional que Manoel de Barros nos deixou.
Pra qualquer pessoa que me perguntar se eu recomendo esse livro eu só digo uma coisa: se joga!
Profile Image for Thatiane Corbellini.
61 reviews
June 19, 2025
Em tempos de algoritmo e da diluição da atenção plena do ser humano, a poesia é um bálsamo e um escudo para a homogeneização do pensamento.

Manoel de Barros tem um olhar que amplia, transforma e recria a realidade. Desafiando as platitudes, convenções e a conformidade que parecem cada vez mais imperar no mundo.

As palavras são o veículo que ele usa para reimaginar as interações entre as coisas, emprestar sentimentos significados e até novos nomes a momentos e pessoas, de uma forma que poucos conseguem.

Este livro é uma antologia muito boa. O título resume o olhar do poeta, para quem as “coisas insignificantes, desimportantes, desnecessárias” trazem um universo de possibilidades em si.

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim,
as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade.”

“As palavras eram livres de gramáticas e
Podiam ficar em qualquer posição”

“A gente gostava das palavras quando elas perturbavam o sentido normal das ideias.
Porque a gente também sabia que só os absurdos enriquecem a poesia.”

“Ser menino aos trinta anos, que desgraça
Nesta borda de mar de Botafogo!
Que vontade de chorar pelos mendigos!
Que vontade de voltar para a fazenda!

Por que deixam um menino que é do mato
Amar o mar com tanta violência?”

“Uso a palavra para compor meus silêncios
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
(…)

Porque eu não sou da informática;
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra pra compor meus silêncios”
Profile Image for Gonçalo Ferreira.
287 reviews11 followers
December 18, 2024
"(...)
O apego ao silêncio era uma forma que Manoel encontrava para ir além das palavras. Repetia um pouco Clarice Lispector, que escrevia para chegar "atrás de detrás dos pensamentos". Ambos foram desbravadores, e isso os envolveu no manto da desconfiança. Na verdade: dá medo. Lembro que nossa conversa transcorreu com muitos silêncios - lacunas que, contudo, em vez de desmanchá-la, a fortaleceu. Alguém consegue pensar em uma partitura musical desprovida de pausas? Pois o vazio ocupa lugar central na poesia de Manoel. Sua escrita errante e tortuosa dele se alimenta.
(...)"
José Castello, "Manoel Além da Razão"
Profile Image for Márcio Ricardo.
356 reviews1 follower
June 23, 2024
Manoel Naturalista

Sempre fico um pouco desiludido quando leio livros de poemas porque sempre tenho aquela esperança palerma de que todos me arrebatam, mas isso sucede com poucos. Mesmo em antologias.

Manoel é um poeta bem ligado à natureza. Confesso que não gostei em sua maioria. Achei simplista e insípido, mas tenho que dar quatro estrelas porque tem versos e um ou outro poema de se lhe tirar o chapéu.
Profile Image for Filipa Costa Pereira.
74 reviews4 followers
February 23, 2025
Manoel de Barros é aquele poeta que consegue aliar uma escrita tão profundamente poética que sabe inventar e desinventar palavras com a beleza da ingenuidade infantil.

“Sobre o nada tenho profundidades”
“Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas) p.125

“Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós” p.152

Sim, um livro que produz encantamento. E, como tal, muito importante!
3 reviews
August 31, 2021
Comecei meio suspeito, pra depois me entregar à beleza da desconstrução, da desgramatica e do absurdo. Sempre achei que fosse muito difícil descrever o sentimento da contemplação, mas Manoel , com seu olhar infantil, desapegado a definições,explicações e regras,faz parecer evidente e simples.
Uma exaltação ao simples, o natural, à solitude e ao sentir sem moldes e limitações.
Profile Image for Dani Zanato.
64 reviews
September 28, 2021
Eu confesso minha ignorância e falta de infantilidade para entender a genialidade dos escritos nesse livro.
Penso que se mergulhar por mais um tempo em textos assim a infância perdida pode ressurgir em gostas por aqui, não seria nada mal.
Displaying 1 - 30 of 66 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.