Um grupo de conhecidos se junta para praticar pequenos atos de "terrorismo arquitetônico". São intervenções em igrejas, ataques a políticos corruptos, rituais que combinam magia, arte e sexo. Eles são o Coletivo Amargo, ativistas de identidade desconhecida e objetivos não muito claros, talvez até para si.
A cidade alvo é Manaus, onde os amargos conhecem cada viela, pichação e boca. Tudo gira em torno da jovem Lua Madeira, que entre uma garrafada de ayahuasca e a incorporação de misteriosas entidades, concebeu e uniu os amargos para colocar Manaus abaixo. Em No baile do juízo final, Susy Freitas leva o leitor a uma Manaus que raramente encontramos na ficção. Nesta quase distopia alimentada a drogas e delírios, Susy Freitas realizou um livro cheio de energia e fúria, capaz de transformar uma cidade num protagonista fantasmagórico e misterioso, cujas muitas facetas a autora revela com muita originalidade. Nas vidas que se cruzam nessas histórias, o que emerge é um retrato visto de dentro de um lugar e um tempo.
O livro reúne contos interligados que acompanham as personagens de um grupo de artivismo (ou arte-ativismo) chamado Coletivo Amargo. O grupo faz intervenções na arquitetura da cidade de uma maneira bem nonsense, o que combina com o jeito irreverente de narrar da autora.
As histórias trazem uma leitura de Manaus com potencial de romper estereótipos para quem ainda não enxerga a cidade para além da floresta. Os contos da parte 1 do livro são mais conectados. Na parte 2 a brisa aumenta, as conexões afrouxam conforme os pontos de vista se ampliam e as histórias vão ficando mais lisérgicas. Aliás, daria para pensar a parte 2 pela lente da metalinguagem e ver os contos, mais curtos, segmentados e ligeiros, como um trabalho dos próprios artivistas que Susy Freitas mostra nas suas histórias.
Como diz a 4ª capa, tem bastante sexo,e uma pegada punk e queer, com direito a um ballroom que ocorre num espaço mental e termina na nave espacial da Xuxa (ou quase isso). Quem estiver atrás de literatura brasileira queer e/ou fora da casinha pode cair dentro sem medo.
Um mergulho radical na cena da periferia de Manaus, uma das cidades com maior presença de favelas do país, onde se desenvolve uma cultura pulsante e transformadora. Grafite, intervenções artísticas de grupos que denunciam a desigualdade, altas doses de sexo movido a garrafadas lisérgicas e uma viagem alucinante em uma festa vogue mostrando a cena queer da cidade. Um baita livro e uma das melhores leituras do ano.
No Baile do Juízo Final definitivamente não foi um livro escrito para mim.
A obra alterna entre diálogos cotidianos, que poderiam ser ouvidos em qualquer conversa entre jovens, e reflexões filosóficas extremamente abstratas, criando um contraste que não funcionou para o meu gosto.
Quando leio um romance, uma novela ou um conto, espero encontrar uma narrativa bem estruturada, com começo, meio e fim, personagens que evoluem de forma consistente, um cenário desenvolvido ao longo da história e uma conclusão satisfatória. Na minha percepção, este livro não busca entregar essa experiência.
Em vez de construir uma trama tradicional, a obra parece servir principalmente como um veículo para a filosofia e as inquietações da autora. Em diversos momentos, tive a impressão de estar lendo um conjunto de ideias e desabafos que ela sempre quis expressar, ainda que talvez não encontrassem espaço em outros contextos. Por isso, senti falta de uma estrutura narrativa mais definida e de uma história que pudesse ser facilmente resumida.
Para leitores que apreciam reflexões filosóficas, uma escrita mais experimental, descrições de uso de drogas e uma linguagem carregada de palavras de baixo calão, o livro pode oferecer uma experiência bastante interessante. No meu caso, porém, esses elementos não compensaram a ausência da estrutura narrativa que procuro em uma obra de ficção.
No fim das contas, não considero No Baile do Juízo Final um livro ruim, apenas um livro que claramente não foi escrito para um leitor com as minhas preferências.
Gostoso demais andar de novo pelas ruas de Manaus e passar por cantos como o Bar do Marquinhos e a Capela do Pobre Diabo, mas dessa vez acompanhado por um olhar de muita lisergia e uma escrita que muitas vezes mergulha numa poética suja e, por isso mesmo, fascinante.
infelizmente não curti o livro :( a escrita e o estilo não fazem meu tipo de jeito nenhum. acho que tava seguindo um caminho legal até um certo momento e depois perdeu o sentido... demorei pra ler pq achei insuportável e chato. pelo menos a parte da Sorria foi a minha favorita.