A redescoberta de um clássico do terror protagonizado por uma heroína manipuladora e arrepiante, uma Lolita gótica.
Aos catorze anos, Elizabeth Cuttner não tem ilusões sobre o mundo nem sobre si mesma. Olhou-se ao espelho e viu a verdade. Depois da morte dos pais, à qual talvez não tenha sido totalmente alheia, esta descendente de uma longa linhagem de bruxas é acolhida pela avó e pelo tio numa mansão em Manhattan, um dos poucos vestígios antigos da cidade que resistem ao avanço dos arranha-céus. Num ambiente impregnado de erotismo, relações dúbias e sádicas, de uma violência velada mas não menos perturbante, Elizabeth entra no mundo do sobrenatural e das artes mágicas, guiada pelas aparições de uma antepassada, aprendendo a exercer todo o seu poder como instrumento de manipulação, com absoluta malevolência e sangue-frio.
Clássico do terror gótico norte-americano, que tem sido alvo de uma redescoberta internacional, Elizabeth, de Ken Greenhall, é um romance invulgar e do «inatural» protagonizado por uma heroína de sensualidade arrepiante, uma Lolita cerebral, sarcástica e extraordinariamente verosímil.
Os elogios da crí
«Retrato elegante de um mundo em que o mal é total e triunfa por completo.» Sunday Times
«A prosa de Greenhall é límpida, nítida, e não precisa de pormenores truculentos para descrever o horror.» La Repubblica
«Uma obra inquietante.» The New York Times
«[Um livro] que, sem dúvida alguma, consegue cativar a nossa atenção.» El Mundo
«Bruxa ou Lolita? Definitivamente, malvada. [...] Um romance gótico do misterioso Ken Greenhall, com uma protagonista assassina e sedutora. Um autor que está na hora de redescobrir.» Il Venerdì di Repubblica
«Um conto tão maravilhoso quanto sinistro. Ler Elizabeth é como permitir que o demónio entre em ti e que gostes disso. Como um fantasma que entra nos teus ossos e te persegue muito depois de o teres lido. Que conto de terror tão especial.» Virginia Feito
Ken Greenhall was born in Detroit in 1928, the son of immigrants from England. He graduated from high school at age 15, worked at a record store for a time, and was drafted into the military, serving in Germany. He earned his degree from Wayne State University and moved to New York, where he worked as an editor of reference books, first on the staff of the Encyclopedia Americana and later for the New Columbia Encyclopedia. Greenhall had a longtime interest in the supernatural and took leave from his job to write his first novel, Elizabeth (1976), a tale of witchcraft published under his mother’s maiden name, Jessica Hamilton. Several more novels followed, including Hell Hound (1977), which was published abroad as Baxter and adapted for a critically acclaimed 1989 French film under that title. Greenhall died in 2014.
Escrever ou falar sobre uma obra que nos provoca emoções tão intensas é um desafio. Este livro, um clássico do terror gótico, apresenta uma protagonista descrita como uma “heroína de sensualidade arrepiante, uma Lolita cerebral”. Elizabeth Cuttner é, sem dúvida, uma personagem peculiar, e a referência a Nabokov é pertinente, dado o desconforto semelhante que “Lolita” provoca ao ler passagens do seu livro.
Elizabeth Cuttner, uma jovem de quatorze anos, é supostamente descendente de uma longa linhagem de bruxas. Apesar da morte trágica dos seus pais num misterioso acidente de barco, Elizabeth parece indiferente ao ocorrido. Na verdade, demonstra frequentemente apatia e insensibilidade. Aborda temas como as relações íntimas com o seu tio, violência e comida com a mesma passividade.
Na minha opinião, o ponto forte deste livro reside na sua atmosfera cativante, que incorpora elementos góticos como espelhos, sapos, cobras e atividades noturnas misteriosas.
“Elizabeth” tem que estar na lista dos fãs de clássicos, mas também tem, sem dúvida, que estar na lista dos fãs de horror/romance gótico.
Em primeiro lugar, só espero que haja mais traduções do trabalho de Ken Greenhall, se a qualidade for esta. Em seguida, pensem numa Lolita do inferno, sem uma única qualidade redentora, talvez excepto a sua intuída beleza e sensualidade, mas com a especial reviravolta de se tratar de uma garota de 14 anos, e como tal nos faz passar toda a narrativa com um incómodo constante quanto ao que se passa. E, na verdade, passa-se muita coisa, e ao mesmo tempo, pouco ocorre. Não é um jogo de palavras, mas sim a dinâmica de uma narrativa que reflecte sobre o mal profundo e irredimível, enquanto este contamina tudo e todos, com base na jovem Elizabeth, uma personagem que faz o demónio Pazuzu parecer um teletubbie. Brincadeiras à parte, Greenhall deixa-nos desconfortáveis da primeira à última página, ao mesmo tempo que nos enrola numa narrativa de crescimento de um ser intrinsecamente maligno, para quem nada nem ninguém tem qualidades que sejam minimamente interessantes ou gostáveis. Não é fácil desenhar uma personagem desta sem a tornar caricatural, mas o autor fá-lo com uma elegância arrepiante, num discorrer gelado de uma realidade onde o ganho de poder seca e mata quase tudo à sua volta. Recomendo pela elegância, ousadia, linguagem e a capacidade de se inserir debaixo da nossa pele, obrigando-os a virar a página e saber qual a enormidade suave que se segue. Ide e desfrutai. Vale bem a pena.
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MAGNIFICENT LOLITA FROM HELL
First of all, I just hope there are more translations of Ken Greenhall's work, if this is the quality.
Next, imagine a Lolita from hell, without a single redeeming quality, perhaps except her intuitive beauty and sensuality, but with the special twist of being a 14-year-old girl, and as such, she makes us spend the entire narrative with a constant unease about what is happening.
And, in fact, a lot happens, and at the same time, little happens. It's not a play on words, but the dynamic of a narrative that reflects on deep and irredeemable evil, as it contaminates everything and everyone, based on young Elizabeth, a character who makes the demon Pazuzu look like a Teletubby. Jokes aside, Greenhall leaves us uncomfortable from the first to the last page, while simultaneously enveloping us in a narrative of the growth of an intrinsically evil being, for whom nothing and no one has qualities that are even remotely interesting or likeable.
It's not easy to draw a character like that without making him a caricature, but the author does it with chilling elegance, in a chilling account of a reality where the pursuit of power dries up and kills almost everything around it.
I recommend it for its elegance, audacity, language, and ability to get under our skin, compelling us to turn the page and discover the gentle enormity that follows.
Avevo altissime aspettative su questo libro. La trama parla di questa Lolita gotica e dotata di poteri sovrannaturali, seduttiva e misteriosa. Purtroppo sono rimasta un po’ delusa. Elizabeth, la protagonista, rischia di essere il tipico narratore inaffidabile. È davvero una strega o vuole semplicemente esserlo? Vede davvero quel che dice di vedere o è solo frutto della sua immaginazione? Inoltre l’ho trovata fin troppo cinica, fin troppo fredda, fin troppo sadica per essere una 14enne (le pratiche sadomaso con lo zio amante mi sono sembrate assurde). Inoltre la vicenda è lacunosa, torbida, e così rimane fino alla fine del libro, causandomi non poco disappunto. Non è stato uno di quei libri che mi hanno presa dal primo momento, ma comunque dopo poche pagine l’autore è riuscito a prendere la rincorsa e a costruire una buona tensione, che cresce fino a metà libro e che sembra promettere bene, per poi crollare subito dopo. Forse sarebbe servita qualche pagina in più, forse sarebbero servite più spiegazioni, ma quel che è certo è che a questo romanzo manca qualcosa. E quel qualcosa mi ha fatta rimanere con l’amaro in bocca. I lati positivi sono sicuramente l’ambientazione gotica e i temi trattati (la stregoneria in particolare), il resto invece tutto fumo e niente arrosto.
Apeteceu-me ler este livro, porque há muito tempo que não lia literatura gótica. E não me arrependi! Pelo contrário, fiquei completamente agarrado à narrativa desde a primeira página.
Ken Greenhall (o livro foi originalmente escrito com um pseudónimo - Jessica Hamilton), descreve aqui uma história de família, cuja personagem central é a Elizabeth Cuttner, uma rapariga de 14 anos com uma perspicácia acima da média, que descobre que faz parte de uma linhagem de mulheres consideras bruxas.
A leitura prossegue com incestos, mortes, manipulação, e práticas de bruxaria. Mas, nem só disto se faz este livro. Há também momentos de reflexão que são largados em algumas frases, pequenas mas intensas. Acima de tudo acerca do bem e do mal e da moral.
Os cenários são misteriosos, por vezes arrepiantes, góticos pela falta de luz e talvez até bafiento. Imaginem que estão num espaço vosso, supostamente intimo, seguro e confortável, mas não sabem que um par de olhos vos está a observar. Foi uma sensação que passou por esta leitura, fruto da boa escrita do Ken Greenhall e, sem esquecer, da boa tradução da Eugénia Antunes.
Ide marcar presença neste clássico gótico se vos apetecer algum desconforto, ao mesmo tempo que gostam de o ler.
Non direi una gran lettura. La storia é interessante ma le parti più intriganti sono solo accennate, lasciate intendere e a volte non si capiscono nemmeno. Riguardo ai presunti poteri é estremamente superficiale e lacunoso. Non lo consiglierei.